digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
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sábado, novembro 04, 2006
Sensação de ser e de fazer falta
Gosto de causar surpresa e pregar partidas, gosto de rasgar sorrisos e prefiro soltar beijos do que ver carrancas. Não me assustam os abraços e sou mais meigo do que esta distância que finjo ter. Gosto de fazer ricochete com as palavras na superfície lisa duma água e das transformar nas rugosidades de muitas vidas. Tenho segredos que são só meus e outros que apenas partilho contigo, e outros... Deito-me tarde e sonho, sonho muito, deliro, divago. Sonho muito e enterneço-me. Sou mais meigo do que esta distância que finjo ter.
Nos mistérios antigos e segredos posteriores cabem muitas linhas e nelas tantas páginas da inúmeras palavras. Todas elas válidas, com seu sabor e valor. Valem muito quando têm orelhas para serem escutadas ou olhos para serem lidas. Não valem nada, quando o talento fica escondido na escuridão. Sabe-se da força que têm as palavras e que a língua beija como beija a língua duma boca quem a sabe amar. Por isso não temo muito. Por isso, fico triste por não ver textos a nascer. Tenho sede de ler em fonte fresca.
Por não ser muito diferente de coração - pelo menos assim julgo e creio - é que peço ao rio que gosto de ler que volte por aqui a passar, trazendo novidades todas as semanas, com seus requintes frágeis e brinquinhos de encantar.
Nota: Este texto e esta música são dedicados a Calvin, que anda longe da escrita. Apesar de lhe dizerem que os textos e o blogue só lhe pertencem, não é verdade, pertencem a todos nós. Volta depressa, Calvin.
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