digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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sábado, novembro 22, 2025

Dicionário: Paciência

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Significado primeiro: Habilidade de conformadamente se aceitar a espera e o que é enfadonho.

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Significado segundo: Virtude de estar calado perante a estupidez ou a ignorância-atrevida.

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Significado terceiro: Dom de suportar a fealdade artística.

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Significado quarto: Capacidade de jogar às cartas sozinho sem fazer batota.

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Significado quinto: Castração.

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Todos os sentidos – a perfeição

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O que vale a pena na vida. Digo dos olhos e ainda faltando à verdade – a verdade é absoluta.
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Podia dizer de música. Não há ofício tão benquisto, poucas legendas a caligrafia abandona.
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Pelos olhos se apaixona. Incontável maioria de esquecimento de contar o nome do operário
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Há juras de que não se sabe cheirar. Mais não do que de memória de nomes ou locais e momentos. Do seio ao orgasmo, sangue e ansiedade, por raiva da essência animal – adrenalina.
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O tacto é tudo.
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A boca é sagrada. Com ela se sela o casamento ou outro negócio. Quem sabe dos amargo, doce, salgado e ácido. Umami… O picante é exactamente o quê? A boca começa no nariz e termina no estômago.
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A cama: sono, sono-mimo, mimo, sexo, sono-sexo, orgasmo, pesadelo, pesadelo-erótico, heroísmo e pré-morte. Na cama: preocupação, paixão e outros sofreres, desejo e efabulação, orgasmo, amor, impenetração, fidelidade, adultério e conversas acabadas. Bendita é se na quebra não viver violência.
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Pelos olhos se apaixona. Que digo de minha injustiça?
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– O céu de Rubens, a luz de Rembrandt, um anjo de Leonardo e a terra de van Gogh.
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Ainda o azul.

terça-feira, junho 02, 2015

A definição do azul

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Onde reside a beleza. Diante dos cinco sentidos, da cabeça, do coração e da alma é impossível não beijar de qualquer forma de pensar.
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Além destas que gritaram-me primeiro à memória, há muitas mais. Se o texto não vale a pena, que sirva para sonhar. Não importam os impossíveis.
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À alma, a mãe e a luz sem sombra das revelações de mestres morais – tudo azul.
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Ao coração, família, amizade, Belenenses – tudo azul.
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Aos nervos, o Belenenses. Orgasmo. Sesta. Abraço – tudo azul.
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À cabeça, as primeiras palavras da «Jangada de Pedra». Primeiras palavras de «Menina e Moça». «Cantiga Sua Partindo-se». Lenda Arturiana. «Hoje descobri como é bonito o teu nome. Pronunciei-o baixinho muitas vezes e senti que na minha boca crescia um delicioso sabor a ti» – tudo azul.
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À boca, vinho. Laranja. Bolo-rei. Azeitonas. Arroz-doce da mãe. Caracóis do pai. Musse de chocolate do Paulo – tudo azul.
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À boca de falar, comodoro. Gibraltino. Guatemalteco. Bijagós. Trifomagarifamafotinha. Tranglomango. Zingarelho. Lusco-fusco. Mãe. Árvore… Abraço – tudo azul.
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Ao nariz, Acqua di Gio. Limão. Laranja. Lúcia-lima. Lenha de azinho a queimar na lareira – tudo azul.
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À pele, minhas mãos. Água quando nado crawl. Veludo – tudo azul.
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Aos ouvidos, «O Voo do Moscardo». «A dança do sabre», «Conã, o Homem-Rã». «Clint Eastwood» – tudo azul.
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À transgressão da infidelidade, a família roxo-lilás. Encarnado. Negro – tudo azul.
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Aos olhos de deleite, antes de tudo, azul. Edimburgo. A Catedral de Colónia. Cipreste. Tulipa. Flores impossíveis. Brasão da Escócia. O rosto de Maria Carolina de Bourbon Duas-Sicílias – azul.
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Aos olhos do desejo, os seios de Rita Pereira. O rabo de Joana Duarte. E outros que vi. E outros que não vi.
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E os teus!
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sábado, janeiro 31, 2015

estou a fazer birra!

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Informo os meus leitores sejam eles muitos ou poucos que estou de birra e que em vez de bater ou pé atirar-me para o chão a espojar-me a chorar guinchar berrar espumar e ranhar-me pelo que durante um período de tempo indefinido não vou usar vírgulas nem maiúsculas e só por irracionalidade dentro da irracionalidade porei aqui nesta declaração um ponto final.

sexta-feira, novembro 28, 2014

Pétala a pétala

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Desnudada, sim. Sem te ter visto, vi-te tantas vezes no desejo, que te conheço a pele e os segredos do prazer.
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Pétala a pétala, farei contigo. Gomo a gomo, nos faremos. Do escuro à luz e da luz ao escuro.
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Saberás dos meus beijos que passam da carne à alma.
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Saberei dos teus.
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Pelas frestas da luz para a escuridão.
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Do vidro do escuro para a luminescência.
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Da nascente ao fogo-de-artifício.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Pai





















Se me morreres um dia não sei como farei as pazes contigo. De dia amo-te, à noite conflituo-te. Estás, és, além do dia e da noite, além da vida e da morte.

terça-feira, maio 13, 2008

Linha de ar

Ainda hoje há uma linha de ar entre nós. Sabes quando penso e sonho contigo. Visito-te e amas-me, com remorsos e infinita eternidade. Adivinhas o corpo e receio-te. Acordo sofrido e tu nem sonhas que sonhamos no mesmo sonho.

Um só

Quero um só olhar. Sejas quem fores. Sejas aquela a quem darei flores. Mãe, amada ou pretérita. Um só chega para te amar.

terça-feira, agosto 28, 2007

O último Tokay

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Tenho ainda na boca o sabor da maçã assada e do mel. O último Tokay estava complexo e eu meditabundo. Por mim passaram os últimos dias e a prisão do quarto escuro. Já quase não me lembro do quarto escuro, porém vejo a ferida por cicatrizar. Quantos dias demora o esquecimento? Tão pobremente estava o corpo como agora é límpido o contentamento. Estava complexo o último Tokay, prestou-se à contemplação da vida toda.

quinta-feira, agosto 23, 2007

quinta-feira, junho 28, 2007

Engano do tempo

No tédio dos meus dias encontrei forma de enganar o tempo. Porém enganei-me a mim, pois não deixei de envelhecer.

sexta-feira, outubro 27, 2006

A viúva grávida do fantasma

Não sei por que enviuvaste de mim, porque estou vivo. Não te dás, mas da tua boca saem frases em que dás ao mundo como se fosses a mulher mais livre.
Negas-me como se eu fosse defunto, fazes-me um fantasma, mas não estou longe de ti. E ainda que o fosse estaria perto a velar como um anjo da guarda.
Na verdade nunca estou muito longe, porque vives em mim, como vivem todos aqueles amados, até os partidos. Na verdade vives em mim e não há dia que não te lembre e julgo que não há noite em que não nos encontremos, levados por mestres, para aprendermos mais da vida e de nós.
A vida passa por minutos rápidos e segundos longos. A vida passa e tudo na vida passa. Só eu em ti não passo. Nem tu em mim. Estás viúva de mim, e eu ainda vivo. Negas-me a vida e tudo o que a ela está agarrado.
Estás viúva de mim e não serás livre enquanto fores viúva. Não te darás enquanto a castidade e o pudor te enclausurarem a cabeça em virgindade. Estás viúva e não enterraste o morto, mas tens vivo o defunto marido. À noite encontramo-nos, levados por mestres, e aprendemos as letras e fazemos contas às vidas.
De dia voltas a ser viúva e eu fantasma. Porém, sem saberes estás grávida duma amizade e nem vês a barriga grande e o sorriso a fazer-se. Um dia acordarás, viva ou morta, e terás diante dos olhos o que agora escrevo. Serás, então, mais livre e feliz.

segunda-feira, abril 10, 2006

Apaixonei-me

Apaixonei-me quando te vi. Escondi-me e segui-te. Escondi-me e deixei-me ficar quieto em silêncio. Despiste-te e banhaste-te. Mal me contive para não me desinquietar, para travar a minha respiração a querer galopar. Apaixonei-me mais quando te vi despida no banho e mais ainda quando te secavas. Morri quando olhaste para mim no meu esconderijo e fingiste que não me viste. Embrulhaste-te na toalha e voltaste à tua vida já vestida. Fiquei no quarto a respirar o odor húmido das águas do teu banho e dos sais e os restos de ti que lá ficaram. Morri e não sei como dali saí. Os meus olhos nunca mais perderam aquela imagem de ti nua no banho, como uma maldição. Estou hoje morto e vejo-te sempre nua e tenho presente o odor perfumado dos teus sais.