digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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terça-feira, novembro 03, 2009

A chuva e o imprevisto

Os imprevistos são imprevistos, como a chuva é chuva. Não há meios imprevistos, como não há meia chuva. É como estar-se zangado: pode estar-se muito ou pouco zangado, mas nunca mais ou menos zangado.
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O problema dos imprevistos é ser imprevisto. A chuva imprevista é um problema. A chuva imprevista faz-me zangar com alguém, normalmente comigo. A menos que a chuva imprevista não chegue em momento de caminho para um lugar onde se tem de chegar seco.
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Chegar cedo é, talvez, a melhor forma de enfrentar um imprevisto. Sendo que bom ou mau, um imprevisto é desarmante. Rápida deve ser a reacção. A chuva, imprevista ou não, pede rápida reacção, a menos que não chegue em momento de caminho para um lugar onde tem de se chegar seco.
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Sou do tempo em que os homens só usavam guarda-chuvas pretos. Outra cor seria sinónimo de dúvida. Todas as outras cores e as fantasias estavam para o outro género. Docemente, sem imprevisto nem previsto, mudou a vida. Mas a um chapéu-de-chuva, hoje como ontem, só se pede que proteja a roupa, o rosto e a pele. A menos que o caminho se faça para um lugar onde não é preciso chegar seco. E se os umbelas dos homens, tal como os das mulheres, podem ter qualquer cor, diga-se que estão mais perto do imprevisto, porque o imprevisto é sempre colorido.

terça-feira, outubro 02, 2007

Dia daquela música

É quando os dias têm o escuro precoce, e ao ouvir aquela música que não sei definir ou catalogar, que me lembro mais de ti. Não chega a ser uma evocação das madrugas em que te procurava, com desejo e receio, na sala de dança do Lux. Não chega a ser, mas foi a lembrança que me veio.
A minha solidão já vive bem sem ti, já não és a sua companhia nas horas dolorosas. A minha vida ainda não existe sem o passado. Só com passado há um futuro sábio e perdão.
Não sei se já te perdoei. Não sei se já me perdoaste. Não importa. Que importa o perdão no tempo de ausência. Não há ódio. Há silêncio. Nem um murmúrio. Nem escuro nem claridade. Espaço sem som e de branca sombra.
Haveria um silêncio em mim se não fosse aquela música que não sei definir nem arrumar. Este é um dia de escuro precoce, é de Outono. Os dias são maduros, porque não sabem, infelizmente, ser infantis. O futuro é mais feliz sem alguma memória. Hoje é um dia de escuro precoce e daquela música.

sábado, maio 26, 2007

Chuva

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Pouco sei de ti. Estou aqui e indiferente ao que saibas de mim. Estou sensível e, ainda assim, indiferente à temperatura. Não sei do céu.

Não sei do céu. Gostava de vir livre caindo. Vir solto sem desprendimento algum ou ponto de amarração, que não houvesse ponto de chegada.

Se eu fosse chuva... se eu fosse chuva vinha caindo sem saber o destino. Tal e qual como estou agora vivendo.