digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
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domingo, fevereiro 20, 2011
Soninho
Referências:
a flor amarela,
a flor azul,
a flor lilás,
a flor verde,
a flor vermelha,
a intimidade,
a paixão e o amor,
a respiração,
Pintura de Gustav Klimt
sábado, setembro 04, 2010
A nova musa

Tenho uma musa nova. É pequenina, porque é pequenina. Tenho um amorzinho pequenino como um bonsai. Um dia a árvore será centenária, mas não sei se será ainda bonsai.
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Quando estou só com ela dou-lhe banho. Embrulho-a numa toalha seca e macia e deito-a confortável na cama. Depois, como antes, envolvo-a num desejo cordato no gesto e infernal na alma.
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Toda a força da minha abstinência está concentrada na fogueira do meu novo amor. Os incêndios nascem das chispas. Os meus do luzir inapropriado e inoportuno, do desassossego. Toda a minha abstinência faz amor com a nova musa.
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Sou feiticeiro aprisionado num corpo que não me deixa voar. Como um vampiro preciso de força vital para viver. Esta minha nova musa, tão tenrinha e feliz, é água doce na torreira do desejo. Mas também gasolina em incêndio.
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Não são suspiros que me traz, mas a fantasia dum namoro e cama. Quero-a como cordeiro sacrificial. Sempre que escrevo tenho-a nua querendo-me, de corpo quente e boca húmida.
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É um amor pequenino. Um prado com mimosas. Nele me estico e adormeço, acordo saciado e penso morrer. Queira um dia o consiga, partilhando os mesmos lençóis.
sábado, fevereiro 06, 2010
sábado, fevereiro 21, 2009
sábado, fevereiro 07, 2009
Como elas pensam os géneros
quarta-feira, julho 30, 2008
segunda-feira, outubro 01, 2007
Saudade e memória
Tínhamos prometido ser sempre amigos, mas nunca vi as fotografias das tuas viagens. Tudo passou como um sonho, um número mágico em anos.As noites são longas. As noites passam-se em claro. As noites não têm claridade. É uma saudade e a tristeza dos momentos que não se quiseram. Resta o mesmo desejo de amizade e a lembrança do brilho no olhar.
Tínhamos prometido ser sempre amigos, mas um de nós teve medo. Mas um de nós morreu precipitado. Os dois chorámos, em separado, mas chorámos. Chorámos, por razões diferentes, mas chorámos. Chorámos por razões quase iguais.
Tínhamos prometido tanta coisa... tínhamos prometido tanta coisa e agora, agora é uma mágoa no passado, uma incomodação, um desejo de esquecimento. Tínhamos prometido tanta coisa e ninguém, além de nós, nos ouviu.
Quem somos hoje? Tens a tua viuvez e eu os meus remorsos. Há um tempo de lágrimas que nos separou e todas as dores e medos a soprar contra. Tínhamos prometido ser sempre amigos. Tínhamos prometido tanta coisa. Hoje talvez nada reste de cada um no outro.
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