Esses olhinhos doces olham
directamente para o coração. O miado frágil aperta a alma. Inesperada, o corpo
do abraço. Delicada e solitária, não és menos leoa no meu afecto. A Paraquedas aqui caiu de paraquedas e em mim é sempre. Doce, doce. Dez anos duma gata divertida e meiga.
digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
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domingo, abril 26, 2015
sexta-feira, março 27, 2015
Dor de corno de nós
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– Sabes o que é a solidão do
amor mal feito? Do amor feito sem razão, amor de despeito, amor de vingança, amor
frívolo, amores de remorsos. É uma dor, várias dores….
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Perguntou-me:
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– Nunca te sentiste enganado?
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– Enganado por ela – a ela
desse momento?
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– Não era isso, mas diz, que
já pergunto melhor.
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– Sei que me enganaram. Acho que
nunca soube e das que soube… nem tinham importância.
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– Não sofreste de ciúmes?
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– Sofri muito… por
infantilidade, insegurança sem razão. Magoei.
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– Nunca te sentiste enganado
por fazer amor?
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– Percebo… acordar e pensar
por que estou ali ou por que está ela aqui ou por que estamos ou por que como
foi possível… Sim, infelizmente sim. E infelizmente mais vezes do que gostaria.
Nem como experiência vale a pena.
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– O que fizeste?
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– Fiquei melancólico, outras
vezes nostálgico, outras sentindo-me traidor – mesmo não tendo ninguém, mas
porque amava alguém -, outras por saber que foi por causa do álcool e aí dói-me
mais… e cansa-me só de pensar no que poderá ela pensar – o que quer que seja…
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– Uma merda!...
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– Essa merda não é amor.
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– Preferes chamar-lhe… sexo?!
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– Não. Sexo é divertimento.
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– O que dizes que é?
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– Engano. Só o engano leva ao
desengano… o ciúme abstracto, o acto com alguém estando com outra, ou tendo a
outra na cabeça… o acto pelo acto, por vingança… ódio ou rancor não podem ser
sexo e muito menos amor.
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– Engano?
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– Engano.
terça-feira, março 24, 2015
Duas gatas infotocopiáveis
O tempo voa e voa tão depressa que os aviões parecem parados
quando comparados à constatação do passar da vida. Comecei o infotocopiável há
nove e não sei por que razão, mas sei por que continuo a alimentá-lo e a ser
por ele a ser alimentado. São nove anos de casamento entre um tipo e suas
palavras, residindo numa casa inexistente.
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Neste mesmo dia, mas há onze anos, nasceram as manas Granita
e Lioz. Vieram da mãe demasiadamente cedo, reconheço… reconheço que lhes
amputei infância. Um mês depois do nascimento entraram em casa.
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Carentes de mãe e doces como ela. Nunca lhes faltei a uma mamada
nem recusei mimos. A Paraquedas veio mais tarde e no seu dia dela contarei.
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A Granita ronrona alto como uma chaleira de água fervente,
muito mimada e mimadora. É quem pede a comida ou para ser mudada a areia. A
Lioz é frágil e muito terna, com uns olhos azuis, muito grandes, muito abertos
e muitos espantados. Raramente mia, mas quando fala… o que tagarela…
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Hoje há festa! Comidinha húmida para todas… é a loucura!
quinta-feira, março 12, 2015
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