digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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terça-feira, outubro 07, 2008

Não ter tempo

Ser o tempo e a cor. A queda quase livre na multidão. Não há mão que me segure a esta vida nem vida que me agarre. Ser a cor na cor é como ser-se escuro no escuro. Tenho fogo intenso, pelo que queimo. O ardor da sede. O desejo de ser outro. Em queda, perpetuamente em queda. Perpetuamente sobre a multidão. Em cor de fogo. Não tenho tempo.

sábado, julho 22, 2006

Rosa

Queria um beijo que te levasse parte da alma e me infetasse de cor a vida.
Ainda não foi hoje que fui à loja das chinesices comprar aparelhos de imitação e objectos kitsch.
Em Sintra esteve Sol e calor, no Guincho levantou-se areia, no Meco o vento não parou e no Algarve as ondas foram, como sempre, mais maneirinhas.
Ainda não será amanhã que vou perder tempo e ganhar objectos inúteis para a loja das chinesices. São muito feias e internacionais, as lojas chinesas.
Não sei o que se possa fazer numa cidade num dia de Verão. Não sei por que há cidades sem mar. Não percebo por que há cidades longe da praia.
Acho que nunca irei pôr os pés numa loja de artigos chineses. Não quero nada de lá. Já lá fui vezes de sobejo. Se voltar a ir será por acaso ou atrás duma rapariga.
Queria um beijo que te levasse parte da alma e me infetasse de cor a vida. Foi-se a ansiedade. Deixei-a numa portagem. Guardei duas dúvidas. Duas estórias paralelas. Queria um só beijo e já não recuaria mais.