digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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quinta-feira, setembro 14, 2006

Menti-te

Arranquei-te um beijo ao fumo do coração e deste-te nua, porque não sabes fazer doutra forma quando te dás.
Ainda te vi presa ao que eras e onde querias estar e disse-te ser o amor da tua vida. Não sei se acreditaste ou se fingiste, mas saiste do marasmo inútil em que sonambulavas.
Menti-te! Não és, não foste e nunca serás o amor da minha vida. Houve outra. Haverá outra. Haverá sempre outra. E muitas mais mulheres para descolar da parede e arrancar beijos com sabor a fumo ou a coração.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Porcelana

Estou deleitado com a alvura da tua pele, que nada pode ser mais franco. Mergulho em beijos e diluo-me na macieza quente e leitosa. Inalo-te, em perfume de pele e carne.
Em teu redor é tudo azul e nada está imperfeito, porque emanas perfeição. É graça e esplendor.
Estou deleitado com a tua voz. Mergulho com as tuas palavras sem promessas e deixo-me afundar dentro de ti. Afogo-me e sobrevivo respirando-te.
Sou efémero e passageiro e tu obra de arte quase imortal. Sou comida e tu o prato. Preciso de ti para me repousar e ser refeição. Espero que nunca te partas, mulher de porcelana, para que eu não me parta contigo.

domingo, junho 25, 2006

O meu quarto com azul

Como uma pantera avanças em silêncio e, antes dum gesto meu, estou beijado. Esticada na cama finges-te nua, mas está vestida de pele. Sais com ela para caçar. Onde vais levas a pele à mostra, à fresca. Como um vampiro invertido: esperas que te mordam. Enganas, és um isco e o predador. Entras silenciosa pelo quarto e mesmo que durma, tocas-me onde me excitas e faze-me vir contigo. Comes-me com beijos-mordidos. Quero ser mau, acabo arranhado e sempre rendido. Nem por um momento mando na minha cama. Só não sei como ainda não pintei uma parede ou o tecto de azul como me ordenaste. Onde encontro eu força para te resistir. Devo gostar de sofrer!...