
Um vinho branco despretencioso e amêijoas ajudam a esquecer o quanto estou cansado da realidade e da demora. Depois vem um bacalhau de cebolada que promete cólicas, o que no tempo presente é um sinal de progresso pessoal. O sal do mar um dia irá matar-me, mas agora arrebita-me apenas a tensão.
Noutras mesas segue o riso, a vida e o tino. Fico-me a entreter o tédio como qualquer outro milionário ocioso. Estou a ficar surdo e já não quero ouvir ninguém, insensível às dores de todas as almas e corpos.
Importam-me mais as temperaturas dos vinhos que acabo por nem beber... até do que as pernas das jeitosas. O vinho banal está esplendoroso e eu estou cínico.