digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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terça-feira, outubro 14, 2025

Dicionário: Sábio-do-bairro

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Sinónimo primeiro: Quem confunde o óbvio comum com a evidente diferença.

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Sinónimo segundo: Troglodita que se vê astronauta numa aldeia de trogloditas.

quinta-feira, agosto 22, 2024

Barbas e bigodes

Irei sempre lembrar-me dos meus mestres. Escrevo o que pretende ser um agradecimento aos três que partiram do mundo material.

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Um dia um amigo podia ter-me ensinado a escrever, fê-lo não fazendo. Não foi um bê-à-bá. As conversas que partilhou, desde a minha tenra adolescência até ao meu adultecer, ensinaram-me mais do que se tivesse estado sentado comigo à mesa do estudo.

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O Eduardo Guerra Carneiro deu-me, numa generosidade que ele próprio talvez não soubesse, transfusões de conhecimento e de sensibilidade. Sabedoria de poeta, mesmo quando não estava a poemar. Confesso que li pouco do que escreveu, mas o que me passou pelos olhos é grande.

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Não me tornei jornalista por causa do Eduardo. Contudo, a visita guiada ao Diário Popular é, ainda hoje, maravilhosa e a memória tem uma distância de quarenta anos. O jornal tinha uma dimensão enorme, da vida dos telefonemas e do teclar nas máquinas-de-escrever à vida dumas máquinas muito maiores que ruidosamente coloriam o papel com as palavras que seriam lidas pelo público.

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Fui parar ao jornalismo por causa dum desgosto de amor. Não sei se o consolo não deu em castigo… a desgraça original já não me dói e a moça ficou sempre amiga. A outra? Enfim. Assunto terminado.

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Em meados da década de noventa achava-me maduro, consciente que aprendera com bons mestres e amigos: o Goulart Machado, o Maurício de Carvalho e o Mário Rosendo. Os dois primeiros foram muito pragmáticos: diziam o que pretendiam, liam a minha escritura, explicavam e mandavam-me alterar o entendiam. Além do Eduardo, que foi mestre sem nunca ter trabalhado com ele.

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O Mário quase me dava reguadas. Eram castigos e gargalhadas. Não foi com bê-à-bá, ensinou-me com o riso e o açoite, desde o picar-o-ponto até ao apanhar o táxi após uma noite de copos.

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O Eduardo, o meu primeiro mestre, não era dado a graças, embora se risse sempre com as minhas anedotas e disparates, mesmo quando não gostava. Nessa vezes comentava curta e amistosamente:

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– Oh Barbosa!...

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Penso ter sido humilde, no início… possivelmente até mais uns aninhos. A realidade pode ser parede ou almofada, ou pedra almofadada. Volto atrás: em meados da década de noventa achava-me maduro, consciente que aprendera com bons mestres.

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Estava no Diário Económico e um dia sentou-se à secretária à frente da minha um homem de meia-idade com um bigode anacrónico. Pareceu-me seco, quase sisudo, e aborrecidamente chefe. Essa impressão durou «cinco minutos».

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O João Paulo Guerra ensinou-me que nunca se sabe escrever, vai-se aprendendo, permanentemente, a grafar e a pontuar o que se vai pensando, exigindo cogitar melhor. Não me disse como bê-à-bá, bastou-me despachar trabalho com ele e receber transfusões de humor.

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Portanto, deu-me com uma pedra almofadada. Ainda hoje me dói essa felicidade.

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Um dia o João apareceu sem bigode. Pareceu-me bem, mas esquisito. A impressão durou «cinco minutos». Comentei, a depilação, com o Eduardo, que usava barba. Uns tempos depois, num jantar, disse-me que se tinham cruzado.

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– Tens razão, ficou esquisito.

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A impressão deve ter-lhe durado os mesmos «cinco minutos».

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Só para memória futura: o Mário, igualmente amigo do Eduardo, também usava bigode. Era um aristocrático à moda de Eça de Queiroz. Aliás, tinham parecenças fisionómicas. Porém, essa cabeleira facial, esteticamente mais antiga, parecia-me menos anacrónica do que a do João… sei lá... que mais tarde deixou crescer a barba.

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O Eduardo tem razão: isto anda tudo ligado.

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O Mário partiu há trinta anos e o Eduardo há vinte. O João foi, há dias, ter com eles. Porque acredito que a morte não existe, suspeito que estejam os três à conversa.

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Na lista dos meus defeitos não consta a ingratidão. Estou grato ao Mário, ao Eduardo e ao João, não pelo que me ensinaram, mas pelas suas amizades. Apesar da amizade não se agradecer.

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Como não acredito na morte, reafirmo que, provavelmente, estão os três à conversa.

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Nota: Guardo, obviamente, gratidão ao Goulart e ao Maurício. Espero encontrar-me com eles, sempre para um curto prazo. Mas a recente partida do João obrigou-me a elogiar os que fecharam a edição na Terra.

quarta-feira, julho 20, 2016

Quatro-mil-quatrocentos-e-oitenta-e-quatro dias de infotocopiável e quatro-mil publicações

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A vinte e quatro de Março completou dez anos e a dezanove de Julho chegou à publicação quatro mil. Disseram-me:
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– Também tu tens um blogue?
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Aqui há flores orvalhadas e outras na luz. Declarações de amor e nunca ódio e ainda tristeza e negrum, que é fundo do que negrume.
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Vinham para ler amor e foram-se outros para ver no espelho as feridas e mais, muito mais, sexo, por causa de imagens e palavras.
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Quatro-mil-quatrocentos-e-oitenta-e-quatro dias de infotocopiável.
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Tanto quanto quatro mil anos. Para a frente, de hoje talvez só a roda. De antes, lembrei-me:
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O Egipto do Império Médio e a Suméria a desfazer-se, rapidamente em traço tosco.
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Misturando os dias como se mergulhasse e quase na areia um golpe de tronco e pernas para a subir e entre o ir e o voltar de olhos abertos ver agricultura e a casa e o inventário para depois poesia e antes ou depois a pecuária, já o lobo era cão e o gato atrevia-se.
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Quatro mil anos são como quatro mil dias são e quatro mil publicações.

domingo, julho 13, 2014

sábado, setembro 24, 2011

Tédio
















Alívio maior. Alívio adiado. Dentro tenho algo maior do que eu. Não é por isso que estou disformemente inchado.
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Como a maçã de Magritte esmaga a respiração de quem olha, algo em mim transborda dentro, querendo rebentar.
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Mil arrepios, dezenas de bocejos, noites e dias dormindo. Um sono muito grande, sem ter cansaço nenhum. Um cansaço muito grande, sem ter cansaço nenhum.
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Pergunto-me se acabar, sabendo que não acaba, é acabar. Se acabar cedo por vontade é deixar a meio. Se acabar por vontade dá direito a acabar mesmo.
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A maçã de Magritte e o pão a crescer no meu forno. Fermento a mais para tão pequena caixa. 

domingo, fevereiro 28, 2010

Pequeno Princípio, pequeno meio e pequeno fim





















Por que hão-de as coisas ter princípio, meio e fim se podem ter e ser só uma? A resposta é este silêncio que.

Princípio, meio e fim





















Por que hão-de as coisas ter princípio, meio e fim se podem ter e ser só uma?
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A minha vida começou e não sei se vou a meio, mas sei que não hei-de acabar.
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Fosse eu mais leve e já estaria além de qualquer coisa de tangível.
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Como se o céu tivesse um túnel para se ir dali para ali. Indo invisível, chagaria palpável.
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Bola de fumo, pesada como chumbo, a minha vida é uma embrulhada e aguarda que o vento se dissipe. Melhor diria se fosse Alcipe.
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Na boca, meu tesouro. Novelo de filigrana enleada. sabor de fios de ovos, eternidade.
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Na boca, as minhas palavras. Guardadas para se revelarem.
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Por que hei-de pôr nisto um fim, se a finalidade é ir para o fim?

sexta-feira, novembro 07, 2008

Dez palavras? - uma evidência

Há imagens que têm menos de cem palavras. Tem dez, se dscontarmos um dos nomes do autor. Tem doze , se contarmos tudo.

domingo, julho 27, 2008

sábado, abril 29, 2006

O pesadelo em vida

Houve uma altura de vida de que não me quero lembrar do que fiz. Sei bem do passado, mas não quero saber. Estava em mim e fora. Era eu e uma outra pessoa. Respirava uma só vez, tinha um só coração e não dormia. Não dormia, porque em mim viviam duas pessoas. Quando uma deveria adormecer, a outra acordava. Viviam em mim duas pessoas e tive sempre um só corpo. O que fiz não me quero lembrar. Não quero dizer. Houve uma altura em que vivi duas vezes. Vivi o pesadelo da minha vida e vivi a minha vida em pesadelo. Não sei se sonhava que tinha pesadelos ou se vivia num pesadelo em que sonhava. Quem era e quem sou? Tinha o mesmo rosto? Há em mim três pessoas: a anterior ao pesadelo, a do sonho mau e a sobrevivente. Que cara tenho, sempre a mesma? Será que as minhas feições mudaram? Há um passado de que não me quero lembrar. Foi há tanto tempo. Foi ontem.

quarta-feira, abril 19, 2006

Não fumo

Quando ela passou pela porta eu saí a seguir. Ela desceu as escadas e nunca mais as subiu. Deixou-me um beijo e não sei bem se o meu rosto ficou húmido do beijo da despedida ou se das lágrimas, das minhas e das dela.
Quando ela passou pela porta eu saí a seguir. Fui atrás, mas ela não voltou. Aproveitei, já que estava na rua, para fazer muitas coisas nunca autorizadas na vida a dois. As muitas coisas foram duas: comprei uma pista de comboios e um cachimbo. Não fui às putas.
Ela achava uma criancice a pista de comboios. Todos os homens percebem para que serve. Está nos génes. Está provados que está nos génes. As mulheres justificam as suas parvoices com as hormonas. Os homens defendem-se com os génes.
Ela moía-me o juízo por causa do cachimbo, porque não fumo, porque ia encher tudo de fumo, porque ficaria com ar ainda mais petulante, porque a incomodaria... Eu repeitava a opinião. Um dia ela desceu as escadas e fui atrás dela, mas ela não me quis ouvir nem voltar. Não voltou e eu comprei um cachimbo e uma pista de comboios.
O tempo passou e ela nunca mais voltou a subir as escadas. Nem por engano. Não teve saudades, nem dúvidas, nem lembranças, nem afectos. Eu lembrei-me dela muitas vezes e continuei sem fumar. Mas tinha uma pista de comboios e um cachimbo que acendia às vezes. Um dia cansei-me da ausência e deixei de acender o cachimbo.
Quando ela desceu as escadas nunca mais as voltou a subir. Fui atrás dela e comprei um cachimbo. Deixei de o acender quando me esqueci dela.

domingo, abril 16, 2006

Última conversa

Hoje partiu-se um espelho cá em casa. Parti-me nele. Primeiro chorei ao ver-me reflectido. Depois chorei por ver-me espelhado em mil pedaços no chão. Sem dúvida que era eu e estava despedaçado. Descuidara-me e ao deixá-lo cair parti-me também.
Hoje li algures palavras bem medidas. Letra a letra percebi que me assentavam bem e vestiam-me como um agasalho cómodo e macio. Estava lá tudo aquilo que sei de mim e imaginei na cabeça e boca doutra pessoa, porque sei que é verdade. Porque só pode ser verdade, quando se conhece o passado e o afecto e se conhece a outra pessoa. Chorei, juro que chorei, ao ler as palavras bem medidas, bem escritas e bonitas. Vesti-as, porque eram para mim.
Hoje apresentei-me aprumado com as minhas palavras novas vestidas. Feliz por ter umas palavras novas para vestir. Mandaram-me despi-las. Disseram-me que não eram minhas, as palavras. As palavras que sei que eram e são minhas, porque conheço e sei o passado e o afecto. Não sei tudo, mas sei o passado e o afecto. Ainda tentei justificar-me. mas com um rosnar arrancaram-me as palavras novas que eu tinha vestido tão feliz e comovido.
Hoje ajoelhei-me a rezar. Rezo para não ter mais passado e para saber perdoar a ingratidão, a indiferença, a maldade, a injúria e a injustiça. Mesmo que não tenham sido para mim as palavras, aquele fato de letras servia-me. Servia-me todo, porque todo ele era verdade para mim. Porque sei o passado, o afecto e sei da espécie humana. Servia-me todo, porque todo ele é verdade sobre mim para quem o riscou, cortou e coseu.
Hoje cortaram-me as veias com brusquidão e atiraram-me ao chão. Hoje humilharam-me. Peço a Deus que saiba perdoar se tiver razão e se a não tiver. Parti-me o coração, porque o entreguei feliz e solidário, não querendo outra coisa se não o bem. Parti-o porque dei-o em troca dumas palavras novas. Dei-o por amizade. Jogaram-mo ao chão.
Hoje vi-me ao espelho... e estava bonito e feliz. Depois, de me desnudarem à força vi-me no espelho de costas. Sei que era eu. Depois voltei-me e imagino que o meu rosto tenha surgido. Voltei-me depressa e só me vi novamente de costas. A minha oferta generosa de dar-me ao espelho não resultou. O espelho não me quer ver. Porquê? Não sei. Deus me dê força para lhe perdoar. Segurei o espelho, para ver se via o meu rosto no seu verso... deixei-o cair. Partiu-se. Parti-me. Aí, sim, vi-me nos olhos, mas chorava. Chorava de raiva, emoção, tristeza, desapontamento, humilhação e desorientação.
Hoje vesti umas letras novas que senti que eram minhas, o passado e o afecto assim mo disseram. Outras verdades disseram que não.

quinta-feira, abril 13, 2006

Dia feliz

Quando o tempo está assim feliz estou em toda a parte e vou a todo o lado. Tudo está ao meu alcance e salto para cima de tudo como se fosse um gato muito atrevido.
Quando o Sol aquece neste modo ameno escalo fachadas, vejo as vistas do cimo dos prédios e imagino as vidas de quem passa lá em baixo na rua. Não sei onde fica o limite, mas imagino que esteja muito além do horizonte.
Quando o Sol está redondo e amarelo sem escaldar dou passadas largas até onde desejo e vejo quem quero. Na rua beijo quem me apetece e digo bom dia com um sorriso a toda a gente. Principalmente a quem resmunga. Estou em toda a parte e vou a todo o lado.
Amo o horizonte largo do Tejo que é azul e chega a sê-lo mais do que o céu e com mais brilhantes que a noite estrelada. Nas noites amenas que se sucedem aos dias amenos há brisas e estou em toda a parte. Na rua beijo quem me apetece e digo bom dia a toda a gente ainda que seja de noite.
Quando o tempo está assim feliz convido amigos para jantar e encho-me de coragem para dizer tulipas e anémonas a quem há muito esperava ouvir rosas e corais. Telefono a toda a gente e deixo recados em máquinas a dizer bom dia ainda que sejam apenas máquinas. Estou em toda a parte nos dias felizes.