digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura de Toulouse Lautrec. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura de Toulouse Lautrec. Mostrar todas as mensagens

domingo, julho 03, 2011

Tempo












Um amor não revelado não é um amor anónimo, mas amor escondido. Se passado, ressentido. Se puro, esquecido.
.
O interesse do segredo é ser secreto. As palavras escondem-se nos esconderijos e às janelas, à frente de toda a gente. Tão óbvias...
.
Dizes-me amor com voz invisível. Invisível digo-te amor.
.
Dois amantes translúcidos, duas vidas separadas. Uma existência perdida.
.
Se há amor? Como pode haver no medo e na distracção.
.
Se há amor? Como pode não haver quando à separação se juntam outras friezas.
.
Um amor assim tão grande precisa de mais vidas para viver.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Amor, do zero ao infinito ou o seu oposto
















Quero desapaixonar-me. Abdico destes tremores e gelatina no abdómen e pensamentos obcecados. Comigo não são borboletas no estômago, são aves brincando no ar.
.
Amo ninguém, mas amo. Derramo amor pelos lençóis em que durmo. Sem fazer amor, suo noite fora, desejando uma pessoa inexistente.
.
Não amo uma ausente. Amo a infinidade do zero. Sonho com arranjos florais sem destino. Enlevo-me com todos os olhares de doçura. Os toques suaves de pele, os silêncios de encantamento.
.
Deitar fora todo este temor. Abandonar todo este tremor. Estou capaz de cortar os pulsos por desassossego. Não aguento os suores, as esperas, as efabulações, os receios, os desejos, as angústias, as horas, os sonos, os sonhos, os momentos felizes passados, os momentos felizes por vir, a primeira noite, a outra a seguir, e a outra, e a outra e a outra.
.
Há quem ame e não seja correspondido. Há quem deseje. Há quem seja correspondido no amor. E na paixão. Há os que amam viúvos. Há os que amam fantasmas de pessoas vivas. Amo ninguém. Desejo ninguém. Mas, mesmo assim, amo.
.
Amo de loucura como todos os apaixonados. Fervilha-me o sangue e sinto ansiedade pelo momento em que, por fim, estaremos juntos. Não tenho paixão física. Nem tão pouco espiritual. Não tenho enlevo intelectual. Paixão: infinito ama zero. Zero não pode amar infinito.

terça-feira, outubro 13, 2009

Juntos à noite
















Voltámos a fazer amor dolorosamente. Apesar de todas as carícias, há um passado que atormenta. Não houvesse memória… Se houvesse certezas.
.
Deitados, lado a lado, insistimos em falar de nós depois de nós termos passado a ser dois. Deitados, depois de fazermos amor, acordamos sobressaltados, cada um em sua cama.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Descarrilamento

O amor encalhado só se resolve com a sua destruição. O amor em pedaços não é absoluto e deve sempre à perfeição.