digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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quinta-feira, junho 28, 2007

Fevereiro e amanhã

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Fevereiro foi ontem. O mês não me sai da cabeça. Se pudesse refazia-o todo. Como posso desejar viver amanhã?

Quando a minha loucura se amarra a ti há um naufrágio. Não há farol para avisar a chegada da linha de costa, tão breve e segura, nem a proximidade dos rochedos.

Sinto uma respiração aos pés da cama e outra na cabeceira. Há duas pessoas neste quarto. Vivem-se duas vidas. Por vezes uma só. Por vezes num só corpo. Um corpo feito de suor e gemidos. Agora está cada um separado por um fino muro de indiferença.

Como posso viver amanhã se não sei viver hoje?

domingo, junho 03, 2007

Junho

Não sei se o céu de Junho é como o de antigamente. Os meus olhos estão diferentes, disso tenho a certeza. O coração não se comove, está guardado em Edimburgo, e a cabeça fundiu-se e parou. Não sei se o céu de Junho é como o de antigamente ou se apenas o vejo e sinto diferente.
A noite de Santo António só podia acontecer em Junho. Não por causa do santo, mas por causa da loucura. O mesmo para a do São João. As noites de Junho são especiais como a luz das tardes de Maio.
Junho é contentamento e lembrança. Deve ser por saudades que as pessoas se matam mais no princípio do Verão. Não compreendo, porque há uma brisa capaz de levar toda a tristeza e trazer do mar as fantasias de sal e espuma.
As noites de Junho são um burburinho ao longe e o passado é um rumor de revolução ouvido ao longe, que entontece. É por isso que se deve olhar o céu à noite em Junho. É tempo para estar à janela ou sair em camisa. O ano começa em Junho.
A felicidade é a memória dum Verão distante. O eco da música do transistor e os salpicos entre gargalhadas. O meu contentamento é feito de muitos anos compactados num só, um só Junho nas areias do Estoril. O ano começa em Junho.

sábado, julho 01, 2006

Radar

Diz-me onde andas tu. Não sei de ti e quero saber. Desejo-te! Quero-te! Preocupo-me. O teu olhar entra-me e despe-me ainda que enfoque apenas no castanho dos meus olhos. Desfaço-me ao ver-te sorrir suavemente e mais pelo jeito desmaiado do teu luzir sereno.
Gemes na cama como quem pede clemência e licença para ter mais prazer. Não te importas e invades o meu corpo. Gosto do toque e da insensatez. Gosto-te pela noite fora e sem fronteiras. Gosto-te sem luzes e além da barreira do som e do medo.
Foi há tanto tempo! Foi com tanto medo! Foi tanta a merda! Ainda tremem as mãos das asneiras que te disse! Ainda me treme a garganta das verdades que calei! Não interessa! Não interessa o passado! Juro que interessa, quando interessa o presente!
Gemes na cama como quem pede clemência! Rendo-me a ti a pedir mais ternura e tesão. Não sei onde és, não sei onde estás, não sei se te rendes nem tampouco a mim. Quero e não quero no balanço do medo e no vai-vem do desejo e da paixão. Por mim fico quieto para não mais magoar, mas à noite, sozinho, chamo-te, baixinho.

Nota: Este texto é dedicado a quem sabe que lhe é dedicado, que é uma das pessoas que mais prezo nesta vida.