digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

Mostrar mensagens com a etiqueta Música dos The Cure. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música dos The Cure. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Pelo menos menos trinta

.
Devolvam-me os GNR. Devolvam-me os The Smiths.
.
Não é da música, nem do tempo.
.
Não é nostalgia, é melancolia.
.
É duma nova oportunidade na mesma vida.

sexta-feira, dezembro 05, 2014

Os videoclips dos The Cure não passavam na televisão

.
Disse-me:
.
– Se pudesse voltar atrás voltava a fazer tudo igual.
.
Disse-lhe:
.
– Se pudesse voltar a trás mudava quase tudo.
.
Disse-o e pensei:
.
– Voou e perdeste, conseguiste e estragaste, ganhaste, outras coisas, outras pessoas, outros locais. Nada teria de garantido.
.
Em sonhos estou com ela num quarto em penumbra, o disco a rodar trinta e três vezes por minuto, de mãos a tremer.
.
De lábios a tremer de ânsia e medo. O receio de que aquela porta, que só se deveria abrir às sete, se abrisse às quatro e meia.
.
Mais atrevido. Mais lenta. Uns beijos longos e sôfregos e o inconfundível cheiro da virgindade, que se perde muitas vezes – felizmente.
.
Acelerado, baixar-lhe o conforto e saborear o aroma dos pêlos bem lavados e juvenis. Ainda meio vestidos, roupa trapalhona.
.
Depois de deitar e com falta de jeito… nervosa, foi mudar o lado ao disco – oportuno momento para me arrefecer.
.
Com falta de jeito entrar. Mas tão bom.
.
Penso:
.
Há coisas na vida que não tive nem virei a ter porque a velocidade da luz e a gravidade não deixam, mas.
.
Terei sempre, saciado pela experiência e confessado do desejo.
.
Perguntou-me:
.
– Se te dessem a oportunidade de voltar? Se fosse mesmo possível?
.
– Seria mais ou menos como no sonho… mas acho que me derramaria mais cedo.

sábado, setembro 13, 2014

Arrependimento

.
As noites tinham luz nova. No entardecer começava o Verão. Cicatrizavam-se desgostos e em frente. Amores de maré, peito cheio de ar, vontade de não parar de beijar. Recomeçar pela manhã.
.
Devo ter chorado injustiças e marimbado no egoísmo adolescente. Que tempo estúpido que quero. Que tempo estúpido para fugir.
.
Se não se foge no tempo de fugir, não se foge. Não fugi tudo, nem me cansei. Sentado com um espumante percebo ter podido ser príncipe. Descubro-me cinzento numa vida de tédio, de melancolia sem saudade.
.
Perdi tanta gente, que defenestrei e fugi. O Verão cicatrizava e ninguém se preocupava com escaldões.