digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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terça-feira, dezembro 30, 2014

Queria ter a camisola coberta de pêlos

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As gatas ainda hoje não vieram pedir-me mimo. Gostam mais da lanzeira ao sol que engana o Inverno. Entedio-me embrulhado no lado frio da casa. Quendera ter coragem para ser a espera. É desafio que não se faça a gato, arriscando uma humilhação. Nem a cão, tudo dá, mais do que a si.

sábado, setembro 27, 2014

Dráculas

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«Drácula» é um romance romântico e erótico. O abismo sedutor da morte, a ânsia de sobreviver, o amor longínquo, os tempos em suspenso, as incertezas, a dor e a tragédia final.
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Bram Stoker, que descobriu a Transilvânia em almanaques de actualidades.
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O romance foi escrito pelo irlandês Bram Stoker e publicado em 1897. Ao que parece, o irlandês tirou todas as informações de livros e almanaques. O mais longe que terá ido foi a biblioteca, hoje teria a internet. O conde é delicado, mas houve abordagens homo-eróticas. Porém, à parte as duas primeiras versões, o aristocrata transilvano viveu em filmes de fraca qualidade. Não vi todos os filmes e estupidamente não apontei, nos meus caderninhos, todas as designações adoptadas para Portugal. Assim, em alguns casos recorro ao título original.
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Friedrich Wilhelm Murnau, o primeiro e melhor realizador dum filme de Drácula.
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Em 1922 foi rodado a primeira versão, obra do realizador alemão Friedrich Wilhelm Murnau, onde a corrente expressionista sublinha o terror da estória. Os familiares de Bram Stoker não gostaram de «Nosferatu – uma sinfonia de terror». Não gostaram ou porque não entenderam a genialidade da fita ou apenas por ganância. Pelo que sei, foi mandado destruir todas as cópias… ou esquecidas ou escondidas, salvaram-se bobinas suficientes para que hoje se possa sentir o terror da equipa Stoker e Murnau, em que o actor Max Schreck corta a respiração.
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Max Schreck – o primeiro vampiro que vimos saindo do caixão.
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Nove anos depois, já com consentimento dos herdeiros, foi rodado «Drácula». Tod Browning escolheu o húngaro Béla Lugosi para protagonista. Penso que ainda hoje, a figura altiva e elegante é a que mais impressiona a memória.
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Béla Lugosi – o vampiro sedutor.
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Depois das duas primeiras versões, 1922 e 1931, a obra foi sempre as descer. O terror expressionista e a arrogância de Lugosi não foram alcançados, ainda que bons actores tenham encarnado o conde transilvano. Até um realizador genial agarrou o livro com patinhas desastradas.
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Em 1943 foi Robert Siodmak a abordar o tema, mas como uma sequela. Na verdade é um filme de «série B», o «The son of Dracula» – a personagem principal é o filho do infame transilvano. Lon Chaney Jr. Foi sempre um vampiro com ar chateado do que assustador.
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Lon Chaney Jr. – o vampiro chateado.
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Erle C. Kenton filmou «House of Dracula» em 1945, mais um prego no caixão de Bram Stoker. John Carradine foi, por vezes e involuntariamente, um vampiro cómico e exagerado.
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John Carradine – o vampiro patético.
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Christopher Lee tem boa fisionomia para encarnar um Drácula, um vampiro bem americano em filmes de relevância fininha.
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Christopher Lee – o vampiro teimoso e persistente. Christopher, o que se tem de fazer para ganhar a vida…
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«Horror of Dracula» (1958 – de Terence Fischer), «Crypt of the vampire» (1964 – de Camillo Mastrocinque), «Dracula: Pince of darkness» (1966 – de Terence Fischer), «Dracula has risen from the grave» (1968 de Freddie Francis), «Taste the blood of Dracula» (1970 – de Peter Sasdy), «Scars of Dracula» (1970 – de Roy Ward Baker), «Count Dracula» (1970 – de Jesus Franco), «Dracula AD» (1972 – de Alan Gibson), «Count Dracula and his vampire bride» também titulado como «The satanic rites of Dracula» (1973 – de Alan Gibson) e «In the search of Dracula» (1974 – de Calvin Floyd).
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Roman Polanski também quis deslizar no sangue, mas o chão, de tantas sangrias, já se colava aos pés. Ferdy Mayne foi o escolhido para a fita rodada em 1967.
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Ferdy Mayne – o vampiro engatatão das sessões de chá dançante.
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Em 1974, Udo Kier protagonizou o filme «Blood of Dracula», realizado por Paul Morrissey. O filme ficou também conhecido por «Andy Warhol’s Dracula», por este artista visual ter sido um dos três produtores da película. Os cineastas Roman Polanski e Vittorio de Sica deram o seu contributo como actores.
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Udo Kier – o vampiro homoerótico.
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Udo Kier visto por e Andy Warhol
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John Badham, ficou mais conhecido pelo filme «Febre de sábado à noite», mas também abimbalhou a personagem de Bram Stoker. Dois anos depois da disco sound, em 1979 surgiu nos cinemas um novo «Dracula», encarnado em Frank Lagella.
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Frank Lagella – o vampiro com pinta de empregado de mesa dum navio de cruzeiro e soldado da Mafia.
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«Love at first bite», de 1979, juntou humor ao terror. A façanha foi dirigida por Stan Dragoti e George Hamilton foi o vampiro, arrogante e enjoado.
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George Hamilton – o vampiro gay com ar enjoado por ter dado um traque.
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Produtoras alemã e francesa juntaram-se, em 1979, para criarem «Nosferatu: phantom der nacht». Klaus Kinski foi o morto-vivo escolhido por Werner Herzog. Abordagem séria, que pecou por se colar, sobretudo na parte plástica, à obra-prima de Murnau.
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Klaus Kinski – o vampiro sinistro.
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Não vi o «The monster squad», de 1987, realizado por Fred Dekker. Consta que junta comédia e terror, numa fórmula para adolescentes mamarem. Duncan Regehr é o vampiro se serviço. No género, o «Caça fantasmas», de 1984 e realizado por Ivan Reitman, deve ser bem mais fixe.
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Duncan Regehr – o vampiro com mau hálito.
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Na melhor toalha cai a nódoa. Francis Ford Coppola realizou tantas obras-primas que deve ter querido fazer um filme de «série  B», que me lembra «Os canibais», de Manoel de Oliveira, rodado em 1988 e em que o canastrão do Luís Miguel Cintra consegue atingir o apogeu da expressividade dum caixote de papelão. Em «Drácula de Bram Stoker», o Gary Oldman, que fez de conde, ficou um misto de expressividade de Joaquim de Almeida mas menos enjoado, com a dinâmica do Diogo Infante e a frescura de pele de José Castelo Branco, que parecendo morto está vivo ou que parecendo vivo está morto – ou algo assim.
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Gary Oldman – o vampiro ridículo e com a mania que é o Elton John.
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Anthony Hopkins – o vampiro que faz tremer o sangue e gelar o coração.
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Em 1995 o Drácula voltou à comédia, com «Dead and Loving it», de Mel Brooks . Comédia parva, non-senso tosco, que de tão idiota me consegue fazer sorrir. É idiota por nascimento e faz gala nisso. Poupa-se assim a desilusão das versões desastradas. Leslie Nielsen não desilude no desempenho esperado.
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Leslie Nielsen – o vampiro aparvatado
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O novo século – esqueçam lá essa coisa do ano zero – trouxe «Dracula 2000», de Patrick Lussier, com Gerard Butler, a agredir a personagem.
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Gerard Butler – o vampiro que põe as adolescentes aos gritinhos abafados.
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No ano 2000 surgiu uma outra película, que não sendo uma obra-prima abordou o universo vampiresco de modo interessante, colocando o filme de Murnau no centro da trama e Max Schreck como verdadeiro vampiro. «Shadow of the vampire» foi dirigido E. Elias Merhige e com Willem Dafoe como Schreck – bem merecia ter ganho o Óscar para o Melhor Actor Secundário, que nesse ano foi para Michael Caine.
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Willem Dafoe – o actor que era vampiro.
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Mais «interessante» foi «Van Helsing», de Stephen Sommers e com Richard Roxburgh… um filmezeco para pipocar na sala e ir ao WC sem carregar no botão da pausa.
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Richard Roxburgh – o vampiro muito mais vivo do que morto.
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O tempo passa e não há como «Nosferatu». A perfeição é impossível! A perfeição seria Max Schreck poder ser Drácula ao mesmo tempo que Béla Lugosi.
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Quem nunca viu «Nosferatu», basta clicar nesta frase, quevai directa ao sítio certo no youtube.
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Duckula, o divertido.
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O vampiro mais divertido é o «Conde Patrácula» – «Count Duckula», na versão original e «Conde von Pato», no Brasil. A série foi realizada pela Cosgrove Hall (Reino Unido) e produzida pela Thames Television, entre 1988 e 1991. Em Portugal passou inicialmente na RTP 2, mas também na TVI, SIC, Canal Panda e Kids Co.
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Numa família de patos vampiros, o jovem titular é vegetariano, para grande desgosto do mordomo, o abutre Igor, que tudo faz para que o seu amo siga a tradição familiar. A ama (Ama) é uma galinha grande, gorda e estúpida, mas que ama o seu menino. O castelo é mágico e muda de sítio. O professor excêntrico e caçador de vampiros, o ganso (não me lembro o nome, vai em inglês) Dr. Von Goosewing é incansável na busca para apanhar o conde, que desconhece ser vegetariano.

segunda-feira, agosto 25, 2014

Síntese sobre o cérebro

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Charles Darwin e Sigmund Freud já tinham explicado... mas foi António Egas Moniz quem pôs as mãos na massa.
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Nota: Sigmund Freud pintado por Andy Warhol, Charles Darwin pintado por John Collier, António Egas Moniz pintado por José Malhoa, «Brain» pintado por Peter Kogler.

sábado, julho 14, 2012

Por favor















Poupa-me à tua beleza, que os beijos que se me impulsam podem desfeiar-te. Ou então chega-te aqui, onde a proximidade não me deixa ver-te e os lábios não têm distância.

sexta-feira, julho 13, 2012

Vénus imaterial















Imagino-te com o peito de Eva e a boca de Vénus. O monte da Lua na mão direita bem desenhado e na esquerda invisível, escondido. Imagino uma dança oriental no leito de espertina e suor. Ventre quente e segredo profundo. O abraço da dádiva egoísta que recebe dando. A loucura como uma onda salgada. Prazer sem descanso e repouso inquieto do cansaço e do desejo. A boca da sabedoria de Vénus e o peito do pecado primeiro por cometer.

terça-feira, junho 22, 2010

Alemanha





















As luzes da Alemanha a chegar à velocidade possível dum bus. A Alemanha presente do ataque de fúria e auto-comiseração num apartamento de Essen. A Alemanha quase toda na torre mineira de Bochum. A Alemanha toda vista sob a catedral de Colónia. As saudades que tenho tuas são maiores do que todos os ciúmes que tivemos um do outro.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Aqui há gato, em Alcochete não

Se o outlet lá está é por um conjunto de coincidências, milagres e intervenções dos gatos, que são agentes de Deus. O resto é má língua!
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Deus não faz nada ao acaso. As leis de Deus não permitem as coincidências. Tudo tem uma razão. Porém, todas as regras têm uma excepção, até as divinas. Em Alcochete, uma fatia da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo foi desanexada e lá surgiu um enorme centro comercial... e onde antes, no projecto, havia construção excessiva encontrou-se uma volumentria e densidade perfeitamente aceitáveis, até porque a Zona de Protecção recuou na extacta dimensão e limites do necessário.
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Em Portugal tudo anda devagar... outras vezes devagarinho... e muita vezes vai-se parado. O tempo que as coisas se arrastam!... Ali para Alcochete, terra de fenómenos, um projecto encalhado, em burocracias e exigências ambientais, viu-se resolvido num ápice. Embora não acredite em milagres, porque acho que todos os fenómenos têm explicação racional, neste caso só encontro inspiração milagrosa.
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A quem pensa que aqui há gato, só posso afirmar que há muita gente (ou não) que acredita que os gatos são divinos e, por isso, perfeitos. São os devotos kreonitas.
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Em Alcochete não há gato com o rabo de fora. Não é pelo estuário do Tejo que o gato vai às filhoses. Estas situações não cheiram a esturro... têm antes o aroma da maresia. Nada é por acaso, embora não saiba porquê, se um outlet ali está é porque assim é preciso.
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Nota 1: Se tenho alguma coisa a provar? Só provo vinho e, ainda assim, não é todos os dias.
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Nota 2: Parece que as grandes obras de construção se designam, na gíria, de obras de arte. E se o outlet é bom, a decisão de instalação é bonita. É o bom e o bonito... se assim é, ninguém tem nada a temer. Tudo vai acabar bem, na velocidade vagarosa da investigação e da justiça, até ao arquivamento final. Quem espera sempre alcança e povo tudo esquece e perdoa.
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Nota 3: Os kreonitas acreditam que os gatos vêm do planeta Kreon e estão na Terra para ajudar a humanidade a evoluir.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Ignoro

Não tenho o mapa-mundo nas mãos, não conheço a maioria dos lugares do meu país, ignoro nomes e traçados de ruas de Lisboa e tampouco reconheço a planta de casa. Resto-me no meu quarto, à espera que um dia me resolva e concretize as coisas que tenho na cabeça. Para mim será como, para os outros, ter lápis de cor para pintar o arco-iris.

Nota: Não se trata duma pintura de Andy Warhol, mas por uma questão de arquivamento vai classificada desta forma.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

segunda-feira, novembro 12, 2007

Ide-vos

Se me dói é porque devo. Porque tenho. Tenho os pés pesados e cabeça também. Não acredito que possa partilhar os segredos íntimos nem dançar feliz como antes. Fico a ver e não acredito. Não acredito no que sou nem que os outros se possam divertir quanto eu em tempos. Se me fazem doer é porque mereço e deixo. Afinal, não é por se amar anjos que a bondade se estende os gestos.
Um dia destes começo à bofetada e só paro em Cacilhas. Pelas ruas com passos apressados e a mão decidida a estranhar todos. Assim talvez me contente. A dor começa onde começo. Se me dói é porque devo.
Os dias não são um pesadelo. O pesadelo é a vida. Já não levanto os pés, porque os tenho pesados. A cabeça não tem vista sobre a ribeira da cidade e eu, de corpo todo, não vou ao castelo.
O horizonte não é o meu limite. Fico-me por Cacilhas. À bofetada até Cacilhas. Nem mais um dia. Nem mais um dia para ser feliz. Agora fico só por estar em casa e por saber que os telhados são, genericamente, vermelhos. Há a música. Há a colecção de arte e a garrafeira.
Se me dói é porque devo. Mas há a música, a colecção de arte e a garrafeira. Fico a ver os outros divertirem-se. Não acredito que possam ser felizes como o fui. Não é por amar os anjos que o gesto têm bondade. Se me dói é porque mereço. Já só tenho a música, a arte e a colecção de arte.