Cabeças felizes. Felizes com quê? Ar para respirar e todo o ar para ver. Nada mais diante dos olhos. Não ter nada pela frente. Nada que impeça a vista. É um privilégio não ter tapumes, taipais, prédios, sombras, objectos, lastros ou pessoas. Nada que tape a vista ou prenda ao chão. Cabeças felizes. Adolescências. Sempre Verão. Música de chão e pés. Não incómodo e vento. Sol. A natureza quase toda. Todo o lugar e o lugar todo. Música de chão e pés, cabeças livres. Livres porquê? Ar para respirar e o Sol pela frente e a sombra toda para trás. Cabeças felizes.
digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
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terça-feira, março 13, 2007
Cabeças livres
Cabeças felizes. Felizes com quê? Ar para respirar e todo o ar para ver. Nada mais diante dos olhos. Não ter nada pela frente. Nada que impeça a vista. É um privilégio não ter tapumes, taipais, prédios, sombras, objectos, lastros ou pessoas. Nada que tape a vista ou prenda ao chão. Cabeças felizes. Adolescências. Sempre Verão. Música de chão e pés. Não incómodo e vento. Sol. A natureza quase toda. Todo o lugar e o lugar todo. Música de chão e pés, cabeças livres. Livres porquê? Ar para respirar e o Sol pela frente e a sombra toda para trás. Cabeças felizes.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
A abominável
Fórmulas matemáticas em poliuretano. Projecções estatísticas em latex. Construções de equações em PVC. Não aguento mais a maldita matemática! Há um gás que não me deixa respirar. Sinto os anéis duma serpente constritora a apertarem-me o corpo. Estou encadeado pela luz opressiva de faróis potentes. Tentam levar-me a personalidade lavando-me o cérebro, fazendo-me crer que o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos. Não sei fazer contas com fracções, mas sinto-as a subtrairem-me minutos de vida. Quando sinto a sua presença fico com demência mórbida. As minhas contas obecem a mistérios numéricos, oiço-as sussurrarem coisas no género: Porém sei, que além de toda a bestialidade da matemática há a poesia, a arte e a alegria. Ainda que saiba que é uma doença que vive em tudo, fito-a nos olhos e não a desafio. Sorrio-lhe e volto-lhe as costas. Sou muito feliz sem ela. Hoje e amanhã.
Referências:
a loucura e a alma,
Pintura de Jean-Michel Basquiat
O sítio perfeito
A felicidade está na areia da praia e no toque macio e húmido do momento da penetração. A felicidade é uma alegria simples: a língua que se enrola noutra língua, os olhos que se encadeiam e os racicínios das crianças... Não importa qual é a cor, mas o seu traço! Que importância tem o tempo, o que conta é a intensidade.Tenho os pés na areia duma praia onde não vejo o mar. Faço amor com uma mulher sem rosto. Escuto a sabedoria intemporal duma criança que não conheço. Posso saudar a vida.
Há anos que vivo com a mesma pessoa. O mesmo amor mansinho. Há anos que amo sem cessar o tempo eterno do afecto. O prolongado beijo sem prazo. Ali à frente há azul ou cinzento: É uma praia. Faz-se amor no mar, abraçados a sorrir, saltitando com as ondas, a escutar o burburinho das risadas indiferentes das crianças a brincar no areal. É o Paraíso!
Referências:
a loucura e a alma,
a paixão e o amor,
Pintura de Jean-Michel Basquiat
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Longevidade
Só contigo sou feliz, porque só tu me compreendes os dias felizes. Quando numa feira tirámos um retrato juntos tivemos a prova de todas as nossas diferenças: eu sou homem e tu és mulher.Antes de chegares à minha vida já te sabia. Conhecia-te doutros tempos, duma vida antes da vida. Antes de chegar à tua vida também me conhecias... do mesmo sítio. É por isso que ficamos tão bem juntos nos retratos e gostamos de passear sem ser de mãos dadas. Sei que não és a mulher da minha vida! És a pessoa das minhas vidas!
Referências:
a flor amarela,
a paixão e o amor,
Pintura de Jean-Michel Basquiat
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