digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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segunda-feira, agosto 16, 2010

Como o céu no cenário dum teatro





















Beijo, nas águas claras do amor. Dias de poucas horas. O céu, nos dias e noites de beijos, tem aura de encanto. O descobrimento das bocas, o desejo dos corpos e a ternura dos olhos.
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São cidades que se descobrem, os medos e as alegrias.
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Beijo como porta de sala sem paredes. Quadrado mágico, árvores de sombra e céu denso e escuro, como o cenário dum teatro.
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As águas claras do amor são de chegar e ficar. Vidro pausado em descanso, mesmo com vento de outras coisas.
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Sobre as águas claras do amor levito quando penso em amores antigos, no amor maior e na nostalgia do futuro. beijos que dei e esperança nos que darei. Só posso sonhar e desejar.
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Como se chovesse, afundo-me na tristeza dos dias sós. Angústias de quem não ama e diz já não saber voar.
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Porque o coração sem dono tem sempre alguém que ama.

quinta-feira, março 22, 2007

O eco

O tempo de ecos é de esperas. Espero o teu retorno, mando-te palavras e fico-me com as mesmas evocações. Tento afastar a memória, mas ela volta como o eco das palavras que te lanço para voltares. A espera é uma solidão. O improvável regresso é uma ferida por sarar. Se pudesse lançava-me como as palavras na esperança que não me rejeitasses como o horizonte as recusa. O tino diz-me que o caminho não precisa das minhas pegadas e fico-me com as chatas das memórias que mando fora e regressam como o eco.

domingo, junho 25, 2006

No outro lado

Tenho algumas lembranças da minha outra vida. Foi há alguns anos. Recordo-me de nevões e de manchas de árvores, de pegadas perdidas na alvura, da dificuldade em correr na neve em pequeno... depois houve outro tempo... cresci e a vida armadilhou-me o caminho. Amei e fui desamado. Aconteceu qualquer coisa.
Por despeito, tratei de facilitar a vida. A vida facilitou-se. Nevava no Inverno e no Outono. Penso que não me importava com o frio dos outros nem com o vermelho sobre o branco, nem com muita coisa além de mim.
A vida complicou-se. Sei de névoas, de fumo e pó, de ruído, de gritos e talvez vinganças. Não sei, não me lembro. Não sei ao certo. Sei que as aves negras voam também no Inverno.
Tenho saudades das minha infância. Dessa e desta. Tenho saudades da infância. A vida trata sempre de me complicar os dias. O meu amor vai-se sempre embora e acabo a fazer disparates. Tenho saudades do colo das mães e das minhas infâncias, das que me lembro.