digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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quarta-feira, janeiro 17, 2007

Intervalo

O espaço vazio pede para interromper o silêncio, o escuro e o tempo. Há um mar de palavras a lançar às ausências, questões que terão o eco como resposta. A escuridão desfia um novelo de lágrimas, vertigem sem prazo para secar.
Faltam rostos e sobram fantasmas. Lá fora tudo pode ser. Cá dentro acontece o que está dentro do dentro. Cá dentro espelha-se qualquer coisa parecida com uma alma.
Se não sair acaba-se por ficar encarcerado, como Narciso preso à sua imagem. Há uma teia de pensamentos e um vácuo de realidade. Um mar de questões e uma multidão de fantasmas.