Dentro de mim tenho o meu mundo, tão errático quanto o universo donde venho. A minha cabeça está adaptada à atmosfera doutro quadrante, aqui desencontra-se e estranha o ar, a luz e os ângulos certos. A minha cabeça questiona o meio-dia e o quarto para as três. Não nasci para ser rico nem famoso. Não nasci para ser pobre nem ausente. Não nasci para ser mediano e remediado. Não pertenço aqui. Não sei estar doente nem loução. Quando era menino estranhava a infância e nunca percebi a adolescência. Agora que sou adulto quero ir para velho e quando lá chegar penso na viagem de volta ao lugar donde vim. Todavia só temo não encontra a porta. Por agora vagueio pelas praças a conversar com os pombos. Na minha cabeça transporto o meu mundo errático perante a indiferença de todos e a certeza curiosa das aves.digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
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quarta-feira, maio 16, 2007
Inadaptação
Dentro de mim tenho o meu mundo, tão errático quanto o universo donde venho. A minha cabeça está adaptada à atmosfera doutro quadrante, aqui desencontra-se e estranha o ar, a luz e os ângulos certos. A minha cabeça questiona o meio-dia e o quarto para as três. Não nasci para ser rico nem famoso. Não nasci para ser pobre nem ausente. Não nasci para ser mediano e remediado. Não pertenço aqui. Não sei estar doente nem loução. Quando era menino estranhava a infância e nunca percebi a adolescência. Agora que sou adulto quero ir para velho e quando lá chegar penso na viagem de volta ao lugar donde vim. Todavia só temo não encontra a porta. Por agora vagueio pelas praças a conversar com os pombos. Na minha cabeça transporto o meu mundo errático perante a indiferença de todos e a certeza curiosa das aves.Origem
A origem da luz não faz sentido nem a duração dos dias nem a rotação da Terra. Venho dum universo errático. Os meus apetites não têm lógica e, por isso, são os mais puros: são apetites. Mais do que instinto, são apetites. O Norte, o Sul, o Este, o Oeste não fazem sentido. Simpatizo com o Sueste, mas é apenas uma simpatia... o ponto colateral tem tanto de disfuncional quanto qualquer outro. Não sei do cimo nem do baixo nem da frente nem do atrás. A minha vida decorria com uma lógica inexplicável e ininteligível até chegar aqui, a Lisboa. Não consigo habituar-me ao sistema solar. Não sei sair daqui.Ver a animação da instalação.
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