digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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sexta-feira, janeiro 23, 2015

Reticência e resistência

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Um caminho em princípio e a primeira tentação de ficar a pensar ou não pensar e voltar. Ir até à linha e, embora sabendo a verdade, saber que se tem medo dos tremendos que vivem no mar e no céu longe da terra. Ir voando tão rente quanto um barco, do incómodo ao prazer das lágrimas que voam e chegam e molham e ainda a chuva cinzenta, do incómodo ao prazer de se estar só. Mas um poiso mesmo agora…

quinta-feira, julho 03, 2014

Espuma de mim e mar

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Vou tropeçar-me e na beleza duma queda num mar baixinho de murmúrios molhar-me como se mergulhasse numa onda da altura dum deus. Aleijar-me será castigo por inoportuno desassossego e não valerá a pena justificar-me com as nuances de horizonte, do seu céu e sua água.

segunda-feira, abril 14, 2008

Primeira luz

Primeiríssima luz da primeira manhã. Tempo de esperanças. A memória das coisas. A memória dos dias.
Por entre as árvores corre melancolia. A solidão do tempo é própria da época. Finura de luz e amplidão.
A cidade deserta. As ruas lavadas. A luz e o ar. A vida em essência.
Temperatura da terra. A cor das árvores. A rua. O som primordial. Finura de vida. Primeiríssima luz da primeira manhã.

sexta-feira, setembro 14, 2007

365 dias de luz - primeiro tempo

Não acredito no cinzento puro. Antes houvesse, antes houvesse… Entre toda a luz que gera toda a cor e a ausência absoluta que tudo absorve, não há lugar nem vida. Não acredito no cinzento puro! Vejo o castanho cor de sangue, até ao azul e todas as cores. Onde cabe o cinzento? Algures entre o negrum e a alvura. Em todo o lado unido a todos os tons do branco e à tristeza dos negros.

Nota: Exposição para ver no Monumental, em Lisboa.

365 dias de luz - segundo tempo

Há infância e Outono. No aconchego dos dias tristes há a prisão na luz: a luz medrosa e o frio a entrar pela carne. A esperança dos dias longos tem de esperar quase um ano, enquanto os olhos se maravilham nos passos entre a brisa e o céu variado. Há a infância e o Outono, muitos dias no tempo duma respiração. Na tarde, saudades da luz de Verão. Depois do estio não há regresso, ainda que as estações tornem. O Outono, depois de chegar, não parte.

Nota: Exposição para ver no Monumental, em Lisboa.

365 dias de luz - terceiro tempo

Se voltassem os dias para trás… se voltassem os dias para trás era domingo e o Sol na casa e o Sol no rio seria Sol na vida. Uma sombra feliz frente à casa, um leito de troncos quente para o lume em que nos deitamos no Inverno. Por agora só a felicidade da luz importa. A estrada da manhã leva ao lugar do futuro, ao sítio onde a vida se aproxima da serenidade. Agora é Verão e até ao Outono vai uma noite de sono bem dormido e felicidades corridas.

Nota: Exposição para ver no Monumental, em Lisboa.

365 dias de luz - quarto tempo

Açoteia e mar. O terraço debruçado sobre todos os azuis: a sombra dos dias quentes e seu refresco. Sob as árvores, o repouso frente às paredes de luz. Dias longos, dias da calma toda. Se a manhã se levantar húmida haverá insectos e cantos de pássaros… será a Primavera. Se o dia for soalheiro, não sei. Não sei o que se pode fazer num dia soalheiro… tanta coisa. Quando acabarem os dias felizes, voltará o Outono e a nostalgia dos momentos indecisos e infantis.

Nota: Exposição para ver no Monumental, em Lisboa.