digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

sexta-feira, novembro 08, 2013

Os jovens não sabem o que é mandar um fax e talvez só saibam o que é «mandar um fax»... Portugal vai de fax

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Um rebut já não dá. O «sair e voltar a entrar» aqui não dá. Só formatando. O drama é se é um problema de hardware. Se está mesmo escangalhado irá para o lixo e nós iremos também.
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Nota: Vou classificar a imagem como «fotografia», mas o género artístico é «fax art».

O impossível

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O impensável aconteceu! Hoje não aconteceu nada no mundo.

quinta-feira, novembro 07, 2013

Concerto

Apresenta-me esse sono que cai como morte se a morte existisse. Que um sonho desentedie a noite e acorde aliviado.
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Apresenta-me uma memória, lembra-me um sentimento. Um concerto, um charro, uma noite, uma bebedeira, um momento tine.
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No relvado a dançar. No relvado deitado. No concerto a curtir. A namorada e um cigarro, e não fumando. Ah, o charro...
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Deitado sob as estrelas diluídas pela cidade. Deitado encaixado na namorada. Ela fumando e ouvendo o concerto e eu ouvindo e vendo-a, apaixonado e com uma tesão descarada, suspensa pelo momento e sentimento pré-consciente da poesia e fragilidade do momento. Sim, sabia que me haveria sempre lembrar. Sim, sabia que me haveria de esquecer. Sim, sabia que um dia, muito mais velhos, numa conversa tranquila, despida de nostalgia, me haverias de lembrar.
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Onde foi pouco importa.
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É uma memória rescrita, não inventada. Um tapete de momentos e virgindades. Foi tudo há muito tempo e no muito tempo cabe muita gente e no muito tempo cabem muitos eus e muitas noites e dias, dos alvoreceres às madrugadas.
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Pode ter sido num lado qualquer contigo, sejas tu quem fores.
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Sejas tu quem fores, amei-te. Com a brevidade e intenção dos zetários. Tanta borbulha na alma e por dentro da cabeça. Tanta certeza de tanta ignorância.
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Ainda hoje me apaixono. Infelizmente, a virgindade passou e quase nada deslumbra.
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Os teus olhos castanhos, escuros pela noite, brilhavam e tinhas a boca tranquila. Estavas a ouver o concerto e eu estava apenas contigo e queria beijar-te, para perceber que não gostava do sabor dos cigarros.
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Nesse tempo difícil, o da borbulha, estavas lá. De lá ninguém te tira. Nem da memória que não me lembrava e que me recordaste.
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Sejas tu quem fores, quando penso para trás percebo por que amava. Se penso, era capaz de te amar outra vez, quisesse Deus que me renascessem borbulhas no pensamento.
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Não é fácil

Quando ele fala e ela interrompe é «uma achega». Quando ela fala e ele interrompe é a génese duma birra. 

Oh vida!

Procrastinação. Preguiça. Depressão. Hipotiroidismo. Drunfo. E eu acordado...
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Nota: O filme é medonho! A estética breakdance já é pavorosa e o conceito de rua de bairro manhoso de Nova Iorque é miserável. Porém, a interpretação e óbvio estúdio são uma pândega. 

sábado, novembro 02, 2013

Lux

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Entre uma coisa e outra do lado de fora. Como é possível a nostalgia pelo triste. Devem ter sido as luzes e os amanheceres. Mundo de muitos amores, perdidos e não abandonados. Canções espalhadas pelo chão, como a roupa por causa do frenesim dos corpos. Foram tempos duma adolescência desastrada, de sofrimento sem borbulhas, mas com passado. Não sei se é arrependimento que me castiga com a saudade ou se gostei mesmo de ter tido a alma ferida. Talvez seja por essa juventude tardia ou pela memória das manhãs. Não gosto de estar adulto.

sábado, outubro 19, 2013

Sensível prazer

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Vamos ao proibido. Com tenção dos ladrões roubar o que é nosso.
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Tremendo de nervos e desejo, despejando as roupas. Loucura demorada.
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Dentro de ti fazendo promessas inconcretizáveis.
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Fingindo acreditares-me na voz, o silêncio.
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O teu verdadeiro prazer. Junto com o meu.
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Parados, suados, confusos... arrependidos sem arrependimento e cobiçosos.
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Mais. Mais. Quanto mais, mais.
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Sem remorso nem mágoa, um copo de vinho e o teu cigarro.

Claros prazeres

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Se deixasses, tirava-te o cigarro e dava-te a boca.
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Levava a mão à tua nudez. No teu peito prolongado.
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Desceria até encontrar-te onde a timidez se torna loucura.
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Tu, resignada ao prazer, dar-me-ias e até ao fim.
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Repousando, tirar-te-ia o cigarro e voltava a dar-te a boca.

sexta-feira, outubro 11, 2013

Assim o queira

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Não estou intratável! A vida é que é imprestável. Só falta o inadiável. Possibilidade realizável. Assim o queira o infotocopiável.

A minha vida é matemática non-sense...

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Quando dois e dois não são quatro. Feliz na arte, poesia e vinho. Na vida mortal não tem graça nenhuma. Para que raio existe a lógica se não é obrigatória? Repenso: Para que possa haver lógica. A vida devia ser matemática e a matemática não deveria ter devaneios no estado do ânimo. Dois e dois deveriam ser sempre quatro. São quase sempre, mas as minhas contas somam sempre só três.

Chumbo

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Amargura no cimo do estômago. Suor frio na testa. Chumbo nas veias. A sensação de tranquila cólera. Não estou doente, estou apenas derrubado. Respiro a terra, saboreio o sangue seco, enquanto se me encarquilham os dedos das mãos. Podia estar encharcado depois da batalha, mas estou acordado. Estou apenas derrubado.

Brutalismo

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Apetece-me praticar o desconstrutivismo. Sempre é mais divertido do que o brutalismo. Bom mesmo era ser padeiro na Suécia.
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A luz tanto faz, Deus revela-se na escuridão.
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Há também tantos suicídios por cá, que matar-me lá não seria diferente.
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Padeiro porque são quentes os fornos e há sempre com que matar a fome.
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Partindo-me na brutalidade, seja a morte seja a arte.
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Seja a arte de morrer.
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A brutalidade do suicídio é teatro memorável. Por mais que aconteça, é sempre notícia em algum lugar e toca sempre alguém.
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O dinheiro é a droga do não ter. Na Suécia os hospitais são melhores, consta.
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Tanto faz, se o objectivo é ir daqui. N
a Suécia não há ninguém para me deter.

Gula

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Despes-te ou tens esse sorriso para sempre, de olhos densos e boca de beijo?
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Espreitei-te para o sobre-pele num primeiro olhar.
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O contorno da felicidade a puxar os meus olhos e a adoçar a boca.
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O mistério que se deduz pela luz de mera revelação. Sem um fotão a mais.
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Imediatamente as mãos contiveram-se para não te revelarem os dois segredos.
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Se a conversa desse, nesse momento de silencioso desejo...
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Levei o vinho à boca e logo te dei banho, partilhando a água e o vinho.
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Depois fizemos amor até ao acordar.

Afinal para que serve a poesia?

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Para que porra serve a poesia se os outros a entendem e quem a escreve não percebe?

Fora de margens

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Cair numa enxurrada, se morrer num afogamento justo, será merecido.
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Mereço a água, que tudo lava.
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Que a minha vida suja de tristeza fique lavada.
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Que de mim se guarde alguém que viveu a respirar e respirou desenhando, mas que mais não fez do que escrever.
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Se mereço morrer? Como todos! Tantos (todos) mais estúpidos e mais inteligentes, mais ingénuos e mais filhos-de-puta morreram... por que haveria eu de ser falhado ao ponto de ter de cá ficar?!

Sina

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Triste como se me tivessem dado a beber vinagre por vintage. Triste como tendo nas veias um garfo. Triste e sem lágrimas.
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Durmo à Lua cheia. Quando me acordam, é Lua Nova. Diga o que disser, a vida deu-me Quarto Minguante.
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É sina. Não sou o primeiro falhado na família. As tradições são de manter.
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Ou matar. Se não por raiva, pelo menos por pena.
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Porque a honra se lava com sangue, a derrota veste-se com o nosso.
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O que fazer? É sina!...
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Movem-se montanhas, mas nunca a sina.

quarta-feira, outubro 02, 2013

Claridade

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Tenho a tensão ao pé da boca. Cordel de raiva que prende a dentadura e o berro.
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Morder em alguém ou praguejar...
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O que quero é ajoelhar-me antes de cair.
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Chorar como um menino órfão e pedir a Deus que me ponha noutro lugar.
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Há demasiado ar à minha volta e solidão diante.
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Não sei se tenho inimigos, o que é patético... não saber ou não ter.
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Que venha uma luta e que ganhe perdendo. Perdendo a vida e ganhando a morte.
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Que venha a paz e a distância e só com o colo da mãe.
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Quero ir antes de todos, para que os possa receber com saudades.
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Morre-se bem à chuva, quando não se pode num dia de Sol.

sábado, setembro 28, 2013

Uma onda leve que leve o peso

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Das margens fora. Sem horizonte nem tempo no fim da luz. Cairá a noite e a Primavera que se segue à meia-noite será de melancólico Inverno. O negro nas cidades é quase azul-prussiano e na madrugada o céu fica roxo e depois lilás. Como o Senhor dos Passos, um solene caminhar com solidão e tanto faz a cidade ou a vereda. O luto vestido empalidece no esquecimento e escuridão, até que o corpo seja ar e o pano esteja por fim morto. Ficará na terra ou no mármore algumas letras gravadas e nada mais. A alma talvez tenha regressado, o novo corpo não depositará flores na tumba daquele que o antecedeu. É triste a morte não existir nem o mundo acabar a tempo d’eu morrer.

Uma tristeza fora das margens

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Entristece-me saber que a morte não existe.

Gordo sentado em tédio

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Não sou gordo. Tenho é o arquivo do que bebo e como.

Gladíolos são da cor da carne, mas os limões também são doces

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Devo-te o fazer amor. Se não entendeste o amor, é porque não o merecia. No entanto, não me faltaste. Não dando tudo, foi o suficiente.
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Por ti não fui no fio da navalha. Saltaste até cima e roubaste-me o vazio desarrumado.
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Lamento ter-te perdido. Se eras tu que juro me amavas e eu quem desejava.
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Levei-te flores e cruzei a cidade. Detestei aquelas flores e acariciei-as porque tuas.
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A surpresa da menina e o sorriso pelas flores. Eu vestia um fato e estávamos numa avenida.
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Sim, estou triste e a nossa história foi triste, por mim. Tudo o que tem de alegre é a tua pureza. Alegre não é feliz.
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Não te me deste. Seja por que razão for. Se foi triste o final, foi patético, foi porque tomei o amor com mãos impuras.
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Perdi tudo. O que mais perdi foi ter ganhado uma tristeza.
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A tristeza é uma chatice!

Não lamento não te ter tido, porque o tempo que te tive diante de mim saciou-me. Hoje sei-o.
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Deves-me o fazer amor. Sinceramente, acho que sim.
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Se foste infantil? Foste e não percebeste. Menina adulta não é de todo madura.
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Se o mereci? Não.
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Não o mereci por não me dares, mas por eu não merecer merecer.
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Escrevo-te num dia triste, quando há felicidade.
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Confidencio-te o que talvez saibas, que te tenha já derramado. E o que te disse em sonhos.
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O limão também é doce.
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Detestei aquelas flores e gostei tanto de tas dar que mais de dez anos depois ainda me lembro delas.
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Nota: Dedicado à DN... com um abraço ao Zeca.
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Nota: Nunca tinha pensado em escrever este poema. Por alguma razão, hoje tive de o escrever. Foi de rajada, repentista, quase sem pensar. Tinha-o de fazer e tinha de ser hoje, com urgência. Ao escrevê-lo percebi que andei mais de dez anos a escrevê-lo.

segunda-feira, setembro 16, 2013

Dois

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Luz Negrum
amor amor
beijo beijo
coração suspiro
vida vida
água sangramento
ânimo doença
morte morte
paixão desfalecimento
queda ascenção
trompa órgão
picasso Van Gogh
Rubens Rembrandt
Lully Mozart
cravo rosa
sorriso gargalhada
seiva sangue
fim princípio
amor amor


Querido diário

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Hoje voltei a querer morrer. Acontece-me sempre que morro um bocadinho. Quando morro sem querer fico com um túnel, onde a saída é para trás e a vontade de olhar em frente. Se cair, mais um passo. O destino de cair é a vontade de chegar.

O uso da estupidez

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Estúpido não é o desdotado de inteligência, mas aquele que tem preguiça de a usar.

sexta-feira, setembro 06, 2013

Cemitério de prazeres

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Quem não cometeu excessos na juventude? Noites, farras, vigílias, directas, vinhos e namoradas. Aprendi com a idade. Hoje sou um homem diferente e evito dores de cabeça... As mulheres dão ressaca... ao contrário do vinho!
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Nota: Não tenho ressacas de álcool!

quarta-feira, setembro 04, 2013

Ups! Vida not found

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Poetiso por causa das desgraças que me fazem viver, e quando poetiso estou em morte, sem corpo enterrado, mas não morto, porque tenho de sofrer para poesar. Não passo sem as letras das mãos, sina cravada em linhas das mãos. Sofro porque é a razão do meu viver. Sofro porque me alegra, o sonho de morrer.

Error 404 – Esse sentimento não existe

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Já disseram. Já ouvi. Ouvi muitas vezes. Percebi.
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Que diferença entre saber e fazer.
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Li, ouvi e disse:
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– Errar é humano.
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Compreendi, repeti e aconselhei.
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Li, ouvi e concordei:
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– É bom aprender com os próprios erros.
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Compreendi, repeti e aconselhei.
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Li, concordei e sorri com Bismarck:
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– Prefiro aprender com os erros dos outros.
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Li, ouvi e disse:
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– Insistir no erro é burrice.
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Compreendi. Repeti o erro.
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Há oito anos, julgo que a treze de Fevereiro, conheci.
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Repeti, amei.
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Amei e pensei que amando a mãe podia amar a filha.
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Pensei que amando a filha podia ajudar a mãe.
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Pensei e agi e errei, perdi a filha e a mãe.
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Hoje é quatro de Setembro e essa mãe faz anos e essa mãe é mãe de alguém que não se lembra de mim.
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E é neste quatro de Setembro que me lembro, por causa de hoje, deste ano, que me lembro que errei. Amei e perdi.
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Repeti e voltei a amar.
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Errei? Se amar o filho como amo a mãe.
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Como repetir um erro.
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Repetindo a vontade eterna e infinita de amar quem não é.
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Se não existe, se não pode, se não deve, se vive em Marte não se ama.
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Porquê amar.
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Sabendo a resposta, concordo, porque sei.
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Repito o erro acreditando que acerto.
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Se a alma fosse de osso, tê-la-ia engessada.
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Se fosse, e sendo fosse, intangível...
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Algo como ctrl + alt + del...
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Melhor! Quem me dera format C:
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Nada disso existe. Esse tempo passou e ainda o repito, como se alguém se lembrasse e os novos soubessem.
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Não escapo à vida, nem à sina.
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Nem ao erro.
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É sina da minha vida.
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É burrice, pois.
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É humano, o erro.
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Sou demasiado humano, sou burro!