digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

terça-feira, maio 01, 2012

Primeiro de Maio a dançar

Deixem os trabalhadores dançar. Para chatices têm todos os outros dias. Profissionais do protesto, desportistas das marchas de palavras de ordem, membros do Grupo Recreativo Sempre em Festa e demais aborrecedores desamparem-me o bairro. Vão dançar.

sábado, abril 28, 2012

Nós por cá





















Vou dormir, que amanhã o país volta a acordar deprimido ou estupidamente feliz e eu, que não tenho culpa nem paciência, vou ter de o aturar. E de me aturar.

Entre nós os elementos

Quando estou em Vénus estás num signo de água. Quando estás em Marte estou num signo de água. Quando estamos na cama nós dois somos de água.
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No calor dos corpos, no enfado do Verão, na indiferença do Outono, na estupidez da Primavera ou na cama do Inverno sempre fogo. Comigo e contigo.
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No cansaço, nos dias felizes, nas noites de claridade, nos tempos de depois sempre vento, do que entra sem que queiramos nem vejamos por onde. No fim do prazer só o ar nos vive.
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O fim do mundo, a erupção dos vulcões, as contrações do chão de pele e calor e as promessas de verdade e de loucura as palavras profundas. No descanso da febre dormimos em paz na terra.

Tugas

Entre 1987 e 2009, mais coisa menos coisa, fomos europeus... em 2010 voltamos a ser portugueses.

segunda-feira, abril 23, 2012

Agá

– UFO quer dizer Umano Fora de Órbita?...
– Humano leva agá!
– Ah!... Esqueci-me do agá...
– Pois! Mas não podes.
– Porquê? No Brasil humidade não tem agá...
– Deve ter sido levado por um ovni.

sexta-feira, abril 20, 2012

Outro piropo

























Se fosse casado abandonava a mulher e os filhos e fugia contigo para a Serra da Estrela.
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Nota: Este foi segredado a dois ouvidos... fui apanhado no espaço duma semana... elas conheciam-se.

Piropo

























Quando te vejo o amor cega-me... posso conhecer-te em Braille?

quarta-feira, abril 18, 2012

Como os gatos

Porque às vezes não volto aqui, porque há dias com noites mais compridas do que os dias e noites mais densas do que o ânimo para ver o dia.
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As minhas gatas dizem-me com frequência:
– Por que te julgas gato, porque quase só dormes, e não bebes leitinho, derramado numa tigela, com língua?
– Porque não bebo leite.
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De resto, como gelados em caixas de litro e lamento-me por ter deixado de parte os enchidos. O doce levita o peso das horas e os chouriços carregam-me o colesterol.
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À tarde, por vezes, uma Sagres. Sem a batata frita, porque o colesterol manda. Uma Sagres e vontade de ver a bola; coisa a que quase não liogo.
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O tédio nos dias perfeitos é força bastante para que aqui não volte, ainda que quando volte não fique bem com mais nem com menos tédio.

quarta-feira, março 28, 2012

Horas assimétricas

Tenho dias maiores do que outros e as noites nunca me chegam. É ainda tarde para acordar. Quando for cedo adormeço, para que o sono não se gaste acordado.
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Sem janela e sem sombra. Tédio meu me dás hoje. Pai nosso de dúvida e de desesperança. Limbo acabado, Purgatório escondido, nem Inferno nem Céu. Dias de coisa nenhuma, sem apetite nenhum para coisa alguma, em momento concreto.
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Relógio de horas assimétricas, de minutos vagos, de instantes incertos. Dias de nostalgias, noites de sono insuficiente, dias de noites nostálgicas, dias de dia de sono, sono de todos os dias, sono todo o dia. Noite finita de sono infinito. Quendera partir.
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Quendera partir para onde o sono é vida. Toda a vida de todos os minutos. Seja escura ou clara a noite, sempre noite, a milímetro do abismo de todas as vidas, as novas e as repetidas. Em qualquer lugar do outro lugar.
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Não há segredos além do segredo de viver. Resume-se a vida aos minutos passados e aos que hão-de vir. Viver um presente é impossível, pelos momentos de infinita imprecisão e constante movimento, do futuro para o passado.
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Sim, sono. Todas as horas do dia, incluindo as da noite. Ainda que durma, é noite. A casa de Deus. Deus que duvido, na fé verdadeira de quem quer amar e não sabe.
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Dias de horas imprecisas. Sonos a milímetro dum abismo, como o que Orfeu perdeu Eurídice. Sem o talento, mas a sorte. Sem o amor cego, mas cego pelo amor- morto na desconfiança e na conjura. Esperança morta pela estupidez sem tempo. A tal vontade de cair no remoinho, de braços abertos à espera do fim da queda.
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O meu amor é vago, posso amar quem quiser. Amor que não vê Deus e nem a sua infinita invisibilidade. Prosto-me perante a derrota, capitulo. Descreio de Deus e dos homens e dos dias. Quero dormir para que acorde na terra que me espera.
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Tem muitas horas, o dia. Despeço-me dos dias quase todos os dias, quase a cada hora, acordado. Adormecido estou morto, nesse país sem tempo.
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Sem força, nem para partir, deixo escoar a areia pelo estreito da ampulheta imprecisa. Morto de tédio e morrendo a cada instante, em que o tédio é ainda mais entediante. É uma coisa estranha sem presente, o presente.
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Calço os sapatos e faço-me à vida. O caminho levar-me-á a outro lado. Que seja a esse sem tempo. Mais hora, menos hora. Incerta e imprecisa.

terça-feira, março 27, 2012

Não fazer falta

Levitando num charco profundo, com um peso nos pés, à beira do destino que o destino reservou. Mergulho de boca aberta, bêbado e imortal. Quendera não estar vivo. Nunca fazer perguntas para não saber respostas, nunca fazer afirmações sem questões. Fazer tudo como se fosse o primeiro, o dia e o beijo. Nunca desisto da queda, nem mesmo durante a queda. Ainda com a pouca sorte de cair onde o charco tem fundo e os pés não me afogam. Nem fantasma nem estátua. Ainda por cima levitando, nem voando nem morrendo.

sábado, março 24, 2012

Seis

O que faço aqui há seis anos? Desde, o mesmo amor, a mesma proibição, a mesma doença, a mesma impaciência, o mesmo tédio. As mesmas diferentes paixões. Quanto tempo terei e quanto já estive. Tenho um suicídio de letras, para que o corpo não sofra. Na verdade, na mentira e na ilusão, a desesperança. Mais seis? Nem sei se amanhã vou trabalhar.

quinta-feira, março 08, 2012

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

(...)

Cabelos finos, castanhos, entre os dedos, a pele desagasalhada entre os lençóis. Pacata de ombro à solta. Varrida pela borrasca de língua e dedos. Rangendo os dentes como a madeira fustigada pela chuva, gritando como a janela que se parte, batida pelo vento. A bonança depois dos gritos tem molhadas todas as polegadas, o prazer de muitas léguas. Tudo desarrumado, no corpo desguarnecido que, finalmente, se sente capaz de se tapar.

Por favor... não pares

Intimidade à flor dos olhos e eu mexendo onde as pernas se fazem abertas. O meu beijo mais largo concentrado nesse ponto. Tu pedindo que seja mais vasto e preciso. Eu dizendo-te que não, fazendo sim.

Tenho de vos apresentar





















A minha mãe vai gostar de te conhecer. Ela adora mulheres que me irritam.

sábado, fevereiro 11, 2012

Filho da puta

Há expressões para todos os gostos, de todos os sentidos, para todos os momentos, em todas as épocas. Cabrão no Norte de Portugal é tão grave como filho da puta no Sul, mais coisa menos coisa.
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Onde quero chegar não é ao cabrão, mas ao dito da dita cuja.
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O correcto seria dizer que Fulano é um filho de puta!
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Que cena intelectual! Filho de puta! Até parece que a senhora é nobre.
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Filho da puta é que é!
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Mas de qual? Há tantas!... Da Albertina ou da Casimira?... Da Francelina ou da Adelaidinha?… Ou do Zeca, o lingrinhas, que deu em paneleiro?... Ou do gorducho do Carlitos que antes de dar o cu a todos já tinha dado a mão e a boca, antes que soubesse o que quer dizer pachacha e para que serve?...
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A verdade é que ninguém diz:
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- Olhe, vá para o caralho!...
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A verdade é que filho de puta é mais correcto do que filho da puta.
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Filho de puta diz a marquesa aborrecida com o cozinheiro, que voltou a abusar do limão nas ostras.
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Na verdade, filho da puta tem uma força que nenhum filho de puta consegue derrotar. Depois de disparado, o corno pode ir-lhe aos cornos, que, contudo, o «filho da puta» lhe fica agarrado enquanto houver memória.
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Filho da puta é chato! Apega-se à auto-estima e massacra o orgulho.
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A puta é a grande cortesã; uma odalisca! Um monstro gordo e sensual, que consome homens, que tanto a criticam como a desejam ser.
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Todo o homem gostava de ser puta. Contudo, nenhum homem quer ser mulher nem quer uma mulher como puta, ainda que lhe mantenha os vícios.
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O homem gosta na puta o poder de foder com toda a gente: Mas sem ter de abdicar da intimidade das reentrâncias. Mãos pias,  boca sagrada e cu imaculado.
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O gajo é uma puta velha. Sabe-a toda! Conhece as filhadaputices todas, que é como quem diz que come meninos ao pequeno-almoço, como dizem que fazem os comunistas.
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A verdade é que às vezes as putas-velhas são comidas, por um filho da puta mais puta do que elas.
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A esperança de nós, vítimas dessas putas e filhos de putas, é que um dia venha um filho da puta e as foda a todas.
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O filho da puta que nos fode será castigado pelo filho da puta que o foder. Porque a puta que fodemos, será a puta que na consciência nos irá foder, ou mandar foder.
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Nota: O Alberto Pimenta fê-lo melhor e antes. Mas este texto é meu e é menos intelectual… é tipo para iniciantes.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Onde sou

Estou numa conspiração de estúpidos e sou o mais estúpido, porque, tendo noção da estupidez, fico intrigando.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Paz ao meu corpo

Parece um vestido de morta, o tronco da minha cruz.

Porto de Gaia


Nunca estive no Porto tempo suficiente para conhecer os cais da Ribeira e de Gaia. Falta-me uma namorada no Porto ou uma namorada do Porto. Embora sem a luz sublime de Lisboa, no Douro há o encanto dos rios grandes que não querem ser mar. O vento e o cheiro do Porto, quatro razões para ir, às duas margens duma cidade que é duas.
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Nota: O autor das fotos localizou-me e posso por aqui dar-lhe os parabéns pela qualidade estética. A referência à autoria já está nas etiquetas.

Ninguém me tira esta ânsia

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Acredito em ti e no teu corpo verdadeiro. A pele quase translúcida, leitosa e rosácea. Os lábios de vermelho desmaiado e os outros de rosa muito puro. A pele lisa, sem pelo, caminho directo ao leito, onde, em tesão, se humedece e se entrega. Olhos verdadeiros, sem mácula, só pureza, só puro pecado. As mãos hábeis e os lábios todos…
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Se pudesse mergulhava contigo. Nascemos para ser ricos, com Champanhe, pérolas e bebedeiras… e ver-te, bêbeda… que sempre te vi sensualmente atinada, falsa pudica de tesão completo… ah! Como gostava de te ver bêbeda… e sentir os teus lábios onde sou mais homem.
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E nós que não nascemos ricos, mas príncipes. As noites frescas de Verão, uma piscina aquecida, para dois, no Inverno e música quase alta… o chapinhar, sorrisos e juras falsas… como seríamos felizes!...
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Não nascemos ricos, o que é pena! Mas temos tudo e agora… dava tudo por todos os teus lábios.