Deixem os trabalhadores dançar. Para chatices têm todos os outros dias. Profissionais do protesto, desportistas das marchas de palavras de ordem, membros do Grupo Recreativo Sempre em Festa e demais aborrecedores desamparem-me o bairro. Vão dançar.
digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
terça-feira, maio 01, 2012
sábado, abril 28, 2012
Nós por cá
Vou dormir, que amanhã o país volta a acordar deprimido ou estupidamente feliz e eu, que não tenho culpa nem paciência, vou ter de o aturar. E de me aturar.
Entre nós os elementos
Quando estou em Vénus estás num signo de água. Quando estás
em Marte estou num signo de água. Quando estamos na cama nós dois somos de água.
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No calor dos corpos, no enfado do Verão, na indiferença do Outono, na estupidez da Primavera ou na cama do Inverno sempre fogo. Comigo e contigo.
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No cansaço, nos dias felizes, nas noites de claridade, nos
tempos de depois sempre vento, do que entra sem que queiramos nem vejamos por
onde. No fim do prazer só o ar nos vive.
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O fim do mundo, a erupção dos vulcões, as contrações do chão
de pele e calor e as promessas de verdade e de loucura as palavras profundas. No
descanso da febre dormimos em paz na terra.
quarta-feira, abril 25, 2012
terça-feira, abril 24, 2012
segunda-feira, abril 23, 2012
Agá
– Humano leva agá!
– Ah!... Esqueci-me do agá...
– Pois! Mas não podes.
– Porquê? No Brasil humidade não tem agá...
– Deve ter sido levado por um ovni.
sexta-feira, abril 20, 2012
Outro piropo
Se fosse casado abandonava a mulher e os filhos e fugia contigo para a Serra da Estrela.
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Nota: Este foi segredado a dois ouvidos... fui apanhado no espaço duma semana... elas conheciam-se.
quarta-feira, abril 18, 2012
Como os gatos
Porque às vezes não volto aqui, porque há dias com noites
mais compridas do que os dias e noites mais densas do que o ânimo para ver o
dia.
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As minhas gatas dizem-me com frequência:
– Por que te julgas gato, porque quase só dormes, e não
bebes leitinho, derramado numa tigela, com língua?
– Porque não bebo leite.
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De resto, como gelados em caixas de litro e lamento-me por
ter deixado de parte os enchidos. O doce levita o peso das horas e os chouriços
carregam-me o colesterol.
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À tarde, por vezes, uma Sagres. Sem a batata frita, porque o
colesterol manda. Uma Sagres e vontade de ver a bola; coisa a que quase não
liogo.
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O tédio nos dias perfeitos é força bastante para que aqui
não volte, ainda que quando volte não fique bem com mais nem com menos tédio.
sexta-feira, março 30, 2012
quarta-feira, março 28, 2012
Horas assimétricas
Tenho dias maiores do que outros e as noites nunca me
chegam. É ainda tarde para acordar. Quando for cedo adormeço, para que o sono não
se gaste acordado.
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Sem janela e sem sombra. Tédio meu me dás hoje. Pai nosso de
dúvida e de desesperança. Limbo acabado, Purgatório escondido, nem Inferno nem
Céu. Dias de coisa nenhuma, sem apetite nenhum para coisa alguma, em momento
concreto.
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Relógio de horas assimétricas, de minutos vagos, de
instantes incertos. Dias de nostalgias, noites de sono insuficiente, dias de
noites nostálgicas, dias de dia de sono, sono de todos os dias, sono todo o
dia. Noite finita de sono infinito. Quendera partir.
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Quendera partir para onde o sono é vida. Toda a vida de
todos os minutos. Seja escura ou clara a noite, sempre noite, a milímetro do
abismo de todas as vidas, as novas e as repetidas. Em qualquer lugar do outro
lugar.
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Não há segredos além do segredo de viver. Resume-se a vida
aos minutos passados e aos que hão-de vir. Viver um presente é impossível,
pelos momentos de infinita imprecisão e constante movimento, do futuro para o
passado.
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Sim, sono. Todas as horas do dia, incluindo as da noite. Ainda
que durma, é noite. A casa de Deus. Deus que duvido, na fé verdadeira de quem
quer amar e não sabe.
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Dias de horas imprecisas. Sonos a milímetro dum abismo, como
o que Orfeu perdeu Eurídice. Sem o talento, mas a sorte. Sem o amor cego, mas
cego pelo amor- morto na desconfiança e na conjura. Esperança morta pela
estupidez sem tempo. A tal vontade de cair no remoinho, de braços abertos à
espera do fim da queda.
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O meu amor é vago, posso amar quem quiser. Amor que não vê
Deus e nem a sua infinita invisibilidade. Prosto-me perante a derrota, capitulo.
Descreio de Deus e dos homens e dos dias. Quero dormir para que acorde na terra
que me espera.
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Tem muitas horas, o dia. Despeço-me dos dias quase todos os
dias, quase a cada hora, acordado. Adormecido estou morto, nesse país sem
tempo.
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Sem força, nem para partir, deixo escoar a areia pelo
estreito da ampulheta imprecisa. Morto de tédio e morrendo a cada instante, em
que o tédio é ainda mais entediante. É uma coisa estranha sem presente, o
presente.
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Calço os sapatos e faço-me à vida. O caminho levar-me-á a
outro lado. Que seja a esse sem tempo. Mais hora, menos hora. Incerta e
imprecisa.
terça-feira, março 27, 2012
Não fazer falta
Levitando num charco profundo, com um peso nos pés, à beira
do destino que o destino reservou. Mergulho de boca aberta, bêbado e imortal. Quendera
não estar vivo. Nunca fazer perguntas para não saber respostas, nunca fazer
afirmações sem questões. Fazer tudo como se fosse o primeiro, o dia e o beijo. Nunca
desisto da queda, nem mesmo durante a queda. Ainda com a pouca sorte de cair
onde o charco tem fundo e os pés não me afogam. Nem fantasma nem estátua. Ainda
por cima levitando, nem voando nem morrendo.
sábado, março 24, 2012
Seis
O que faço aqui há seis anos? Desde, o mesmo amor, a mesma
proibição, a mesma doença, a mesma impaciência, o mesmo tédio. As mesmas
diferentes paixões. Quanto tempo terei e quanto já estive. Tenho um suicídio de
letras, para que o corpo não sofra. Na verdade, na mentira e na ilusão, a desesperança.
Mais seis? Nem sei se amanhã vou trabalhar.
quinta-feira, março 08, 2012
Dia da mulher
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Vivam as mulheres! Adoro
mulheres! Gosto tanto que até assumo que se não fosse homem seria mulher!
Até daqui a já
Ah! Se são estas horas e estás acordado é porque tens sono.
Doutra forma e estarias a dormir para daqui a nada acordares.
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
Perdas
Não sei como vou conseguir escrever; ando a perder sílabas e conjuntos de letras. Desde terça-feira perdi oito LA, dois CIP, quatro RISP e dois SERT. Passei duas vezes uma outra sílaba… Não por ter perdido a memória. Por falta, estou a perder a memória. Quais foram?
segunda-feira, fevereiro 20, 2012
(...)
Cabelos finos, castanhos, entre os dedos, a pele desagasalhada
entre os lençóis. Pacata de ombro à solta. Varrida pela borrasca de língua e
dedos. Rangendo os dentes como a madeira fustigada pela chuva, gritando como a
janela que se parte, batida pelo vento. A bonança depois dos gritos tem
molhadas todas as polegadas, o prazer de muitas léguas. Tudo desarrumado, no corpo
desguarnecido que, finalmente, se sente capaz de se tapar.
Por favor... não pares
Intimidade à flor dos olhos e eu mexendo onde as pernas se
fazem abertas. O meu beijo mais largo concentrado nesse ponto. Tu pedindo que
seja mais vasto e preciso. Eu dizendo-te que não, fazendo sim.
sábado, fevereiro 11, 2012
Filho da puta
Há expressões para todos os gostos, de todos os sentidos,
para todos os momentos, em todas as épocas. Cabrão no Norte de Portugal é tão
grave como filho da puta no Sul, mais coisa menos coisa.
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Onde quero chegar não é ao cabrão, mas ao dito da dita cuja.
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O correcto seria dizer que Fulano é um filho de puta!
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Que cena intelectual! Filho de puta! Até parece que a
senhora é nobre.
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Filho da puta é que é!
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Mas de qual? Há tantas!... Da Albertina ou da Casimira?... Da
Francelina ou da Adelaidinha?… Ou do Zeca, o lingrinhas, que deu em paneleiro?...
Ou do gorducho do Carlitos que antes de dar o cu a todos já tinha dado a mão e
a boca, antes que soubesse o que quer dizer pachacha e para que serve?...
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A verdade é que ninguém diz:
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- Olhe, vá para o caralho!...
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A verdade é que filho de puta é mais correcto do que filho
da puta.
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Filho de puta diz a marquesa aborrecida com o cozinheiro,
que voltou a abusar do limão nas ostras.
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Na verdade, filho da puta tem uma força que nenhum filho de
puta consegue derrotar. Depois de disparado, o corno pode ir-lhe aos cornos,
que, contudo, o «filho da puta» lhe fica agarrado enquanto houver memória.
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Filho da puta é chato! Apega-se à auto-estima e massacra o
orgulho.
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A puta é a grande cortesã; uma odalisca! Um monstro gordo e
sensual, que consome homens, que tanto a criticam como a desejam ser.
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Todo o homem gostava de ser puta. Contudo, nenhum homem quer
ser mulher nem quer uma mulher como puta, ainda que lhe mantenha os vícios.
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O homem gosta na puta o poder de foder com toda a gente: Mas
sem ter de abdicar da intimidade das reentrâncias. Mãos pias, boca sagrada e cu imaculado.
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O gajo é uma puta velha. Sabe-a toda! Conhece as
filhadaputices todas, que é como quem diz que come meninos ao pequeno-almoço,
como dizem que fazem os comunistas.
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A verdade é que às vezes as putas-velhas são comidas, por um
filho da puta mais puta do que elas.
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A esperança de nós, vítimas dessas putas e filhos de putas,
é que um dia venha um filho da puta e as foda a todas.
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O filho da puta que nos fode será castigado pelo filho da
puta que o foder. Porque a puta que fodemos, será a puta que na consciência nos
irá foder, ou mandar foder.
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Nota: O Alberto Pimenta fê-lo melhor e antes. Mas este texto é meu e é menos intelectual… é tipo para iniciantes.
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
Onde sou
Estou numa conspiração de estúpidos e sou o mais estúpido,
porque, tendo noção da estupidez, fico intrigando.
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
Porto de Gaia
Nunca estive no Porto tempo suficiente para conhecer os cais
da Ribeira e de Gaia. Falta-me uma namorada no Porto ou uma namorada do Porto. Embora
sem a luz sublime de Lisboa, no Douro há o encanto dos rios grandes que não
querem ser mar. O vento e o cheiro do Porto, quatro razões para ir, às duas
margens duma cidade que é duas.
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Nota: O autor das fotos localizou-me e posso por aqui dar-lhe os parabéns pela qualidade estética. A referência à autoria já está nas etiquetas.
Ninguém me tira esta ânsia
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Acredito em ti e no teu corpo verdadeiro. A pele quase
translúcida, leitosa e rosácea. Os lábios de vermelho desmaiado e os outros de
rosa muito puro. A pele lisa, sem pelo, caminho directo ao leito, onde, em
tesão, se humedece e se entrega. Olhos verdadeiros, sem mácula, só pureza, só
puro pecado. As mãos hábeis e os lábios todos…
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Se pudesse mergulhava contigo. Nascemos para ser ricos, com
Champanhe, pérolas e bebedeiras… e ver-te, bêbeda… que sempre te vi
sensualmente atinada, falsa pudica de tesão completo… ah! Como gostava de te
ver bêbeda… e sentir os teus lábios onde sou mais homem.
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E nós que não nascemos ricos, mas príncipes. As noites
frescas de Verão, uma piscina aquecida, para dois, no Inverno e música quase
alta… o chapinhar, sorrisos e juras falsas… como seríamos felizes!...
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Não nascemos ricos, o que é pena! Mas temos tudo e agora…
dava tudo por todos os teus lábios.
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