digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
segunda-feira, setembro 21, 2009
domingo, setembro 20, 2009
Dói

Que me dói ver-te nesse estado. Que me dói que me vejas neste. Sem nada para dizer um ao outro. Contudo, com uma vida junta feita da separação. Cada qual com as dores deixadas pelo outro. Hoje os silêncios são mais do que circunstanciais, são movimentos do jogo. Porém, à noite, ainda nos conhecemos na cama, nos sonhos um do outro.
Três horas da manhã

São quase três horas da manhã e o meu amor não chega. Será que vem? Será que ama? Será que ficou presa numa barco que, no Tejo, não consegue atracar? Será que uma tempestade o afundou? Ou um engatatão a convenceu? São estas horas e nada. Nem um sinal de desistência… nem uma notícia de catástrofe.
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São três horas da manhã e é já tarde na noite. Uma certeza no toque da campainha lá de baixo. Uma incerteza sobre quem nela tocou. Talvez seja ela. Talvez não seja. Quem sabe? Saberei quando chegar ao cimo das escadas… se chegar… se chegar a entrar no prédio. Tão tarde!
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Já passa das três horas da manhã e está ofegante. Ofegante de subir tantas escadas e de tantos atrasos. De tantas aventuras sem aventura. De contratempos sem carisma. São estas horas e sem uma desculpa forçada. Tão tarde e sem uma palavra esquisita além da normalidade entediante.
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São estas horas e tenho sono. É este atraso e não tenho sono algum. Acendo um cachimbo que não quero fumar. E sento-me na sala onde não sei se me quero só. Só escuro e talvez silêncio. Um dia qualquer que não hoje e a palavra e os passos que se ouvem ao longe.
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É tarde e vou dormir contrafeito, com a insegurança dos homens traídos, mas com o ressonar dos egoístas. Amanhã talvez fale ao pequeno-almoço. Talvez continue casado e não diga nada. Um dia destes.
sábado, setembro 19, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009
quarta-feira, setembro 16, 2009
Fome e sede
- Por que não comes um salgado?
- Porque não me tira a fome.
- Porque não me tira a fome.
- Mas dá-te sede... não perdes, ganhas.
terça-feira, setembro 15, 2009
A minha revista... a minha nova revista

- Então, rapaz, o que tens feito?
- Não tenho feito nada ou grande coisa…
- Então?
- Estou desempregado.
- Ainda? Não te apareceu nada?
- Nada.
- E não tens perspectivas?
- Tenho. Vou abrir uma revista minha?
- A sério? Que bom!
- Eh!
- É sobre quê?
- Tauromaquia…
- Tauromaquia?... E já tem nome?
- Sim! Playboi!
domingo, setembro 13, 2009
Não vou
- Já estás como hás-de ir!
- Não! No estado em que estou não vou a lado nenhum.
- Não! No estado em que estou não vou a lado nenhum.
- Quero dizer, não podes com uma gata pelo rabo...
- Por que haveria eu de querer levantar uma gata pelo rabo? Além de a assanhar, não dá jeito nenhum...
- Era uma forma de dizer...
- Mas o que digo não é uma forma de dizer, mas uma forma de não me mexer...
sexta-feira, setembro 11, 2009
Diz-se...
Para dizer a verdade, não tenho nada para dizer. Na maioria das outras vezes também não, mas apetece-me fazê-lo ou julgo-me em dia de interesse. Com estas luas e céus complicados, o assunto abunda, mas a inércia e falta de juízo favorável levam-me as palavras todas. Fiquem por aí, que não vou longe nem por muito tempo. Ando por aqui e venho cá todos os dias. quinta-feira, setembro 10, 2009
terça-feira, setembro 08, 2009
Verde
Pelo vidro fosco. Pelo vidro baço. Vidro escuro, de verde-garrafa. Verde-garrafa de verde-garrafa. Garrafa de verde-garrafa. Óculos de fundo de copo. Fundo do copo e fundo de vida. A vida toda adiada e já com pouco tempo para ser vida. Uma vida parada, enganada, encalhada, deserdada, mal-amada, indesejada e tudo o mais que define uma vida que nunca se quis. Tempo de adiamentos. Os dias são vinte e quatro horas de convivência íntima, absorvente, involuntária, imprescindível. Indefeso perante a vida. Indesejado perante a vida. A vida escura, de verde-escuro, de verde-garrafa. Verde-brisa para limpar tudo o que vai pela cabeça dum encalhado. Verde-brisa, para que o ar traga pensamentos da Irlanda ou doutra terra de além-mar mais a Norte, onde se sonha uma vida decente, mais fresca. Aqui é calor. O despontar das flores, das rosas. Rosas murchas de tanto desamar, que é um amor ao contrário e sem ser ódio. Aqui brotam as rosas, as que se vêem e passam e as rosa-espírito, que podem ter qualquer cor, desde que não sejam escuras, verde-garrafa.domingo, setembro 06, 2009
sábado, setembro 05, 2009
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