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Nota 1: Não é rebuscada nem surreal, é apenas para quem percebe. Sim, porque apesar de não ser um confessionário ou espelho da minha vida, o blogue também tem inconfidências. É para quem pode.
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Nota 2: Este texto é dedicado à IC.
digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

Um aborto nunca é uma decisão fácil, seja ele qual for, seja a que seja a justificação. Acredito que nenhuma mulher aborte sem dor. Já me assumi muitas vezes contra a liberalização do aborto, porque uma vida é uma vida e ninguém tem o direito de a tirar. Exceptuo, apenas, as vezes em que uma gravidez põe em risco a vida da própria mãe.
Tenho o ânimo a rasgar-se entre o amor e o ódio. Quando ainda se está no estado de odiar, o negro faz mossas. Ainda. A treva transfigura-se de alvura, mas o amor vence sempre. Enquanto não ascendo deixo-me ir, infantilmente, pela corrente da dor e da raiva. Ai, se a morte matasse, terminasse e redimisse!... Talvez já não estivesse aqui.Por não me sentir belo, desprezei a beleza e ela afastatou-se de mim. O mesmo fiz e recebi da inteligência, cultura, amor, dinheiro e carreira. Agora, o que tenho? O que hei-de fazer de mim?