digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Memória

Tu morreste de repente, deixaste-me nu na cama, perdido e mergulhado nos lençóis, suado pelo calor pretérito, pelo Inferno dos sonhos. Ainda sei quem és, não sei onde estás.

Ignoro

Não tenho o mapa-mundo nas mãos, não conheço a maioria dos lugares do meu país, ignoro nomes e traçados de ruas de Lisboa e tampouco reconheço a planta de casa. Resto-me no meu quarto, à espera que um dia me resolva e concretize as coisas que tenho na cabeça. Para mim será como, para os outros, ter lápis de cor para pintar o arco-iris.

Nota: Não se trata duma pintura de Andy Warhol, mas por uma questão de arquivamento vai classificada desta forma.

Sexo em grupo

Pratico sexo em grupo. Em grupo de dois. Sexo individual é uma alegria menor.

O Cristiano Ronaldo e o prémio mundial

O talento é apenas talento. Para se ter sucesso é preciso talento, sorte e trabalho. Na vida há coisas que importam e outras apenas pueris. A medicina traz progresso à humanidade, as ciências exigem intelecto, as artes e as escritas enriquecem a existência, o perdão e a caridade progridem a alma... o futebol... o futebol é o quê? Mero entretenimento, sem exigência cultural ou intelectual, sem benefício para a humanidade ou para o espírito. O futebol vale por si, pelo jogo, pela festa, nada mais. Nunca percebi por que é manchete ou tema relevante, com largo trato nos espaços noticiosos. Hoje é dia de histeria, com a possibilidade de Cristiano Ronaldo ganhar um prémio do melhor jogador do mundo. E o que importa isso? Ficamos melhor, por acaso? A nossa vida progride? O galardão faz alguém querer visitar o país e contribuir para a melhoria da economia? Por isso, afirmo aqui e de forma sonora: Estou-me nas tintas para o Cristiano Ronaldo, sua sorte e prémio. Que seja feliz, porém.


Nota: Nem imaginam como foi complicado encontrar uma ilustração de futebol que valesse a pena. De facto, não é muito fácil casar arte com jogo. Talvez porque a exigência cultural e artística dos adpetos seja medíocre. Não é um problema português, é mundial.

Zodíaco

Que o meu signo seja Osga com ascendente em Caracol, assim ninguém terá opinião ou ideia acerca de mim.

Realidade

O mundo real é uma seca... temos de o regar... se não resultar, regamos novamente, nem que o tenhamos de afogar.



Nota: Este texto é dedicado à M&S.

domingo, janeiro 11, 2009

O gato escritor





















Escrever não é, propriamente, um acto fácil. Muito do que se é está no que se escreve, não sendo a vida do autor uma janela clara para dentro da sua vida. Escrever exige tantas vezes a solidão, forçada ou voluntária, para que a cabeça possa ordenar às mãos a sua vontade. Tudo isto é conhecido, o que nunca vi escrito ou dito em algum lugar, é como é difícil e complicado escrever com um gato ao colo a dar e pedir mimos. Tenho a sorte de ter três.


Nota: Não estou a justificar a falta de qualidade dos textos deste blogue.

sábado, janeiro 10, 2009

Os sonhos da puta

Sou uma espécie de prostituta. Sonho com algumas. Durmo com muitas. Nunca sonho com quem durmo, mas já dormi com quem sonhava.

Os nossos sonhos

Sou o amor dos teus pesadelos. És o meu pesadelo erótico.

Fim do mundo

- Por que se constrói e se cria, por que há arte, se um dia virá o fim do mundo?
- Antes fôssemos animais!...
- Ou plantas...
- Ou rochas, antes isso!

Fumar ou não fumar




















Neste início de ano convém reafirmar que neste blogue não é permitido fumar. Porém, quem quiser, pode fumar à vontade.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Pequenos saltos do dia-a-dia

Em toda a parte morrendo-me. Morrendo de mim.

As três gatas

Cada com suas sete vidas, todas elas já me deram mais do que as suas e do que a de minha mãe.

Morrendo

Mataste-me, mas, em mim, não vais morrendo, nem lentamente.

O casamento

Nunca gostei de fatias douradas, mas depois desta noite ainda menos. Casavas-te e com pompa e fui convidado. Do banquete só me lembro das rabanadas. Não foi por causa do doce que o sonho me caíu mal.

Orações

Não há oração que me valha ou sirva. Como sou grande, tenho muito azar.

A posta de ontem - 8 de Janeiro - o Capricónio - Lamber as feridas

Por que não acredito em signos? Explico:
- O ano de 1999 foi complicado, com decisões de grande importância logo no primeiro trimestre e forte sobressalto na cabeça lá mais para a frente. O de 2000 foi bem até meio, depois começou um pesadelo. Em 2001 apareceu o segundo sobressalto na cabeça, nascido do pesadelo do ano anterior, com muita confusão em muita coisa e com muitas pessoas. De 2002 só me recordo da continuação do sobressalto, mas salvou-se uma viagem à Escócia. O ano de 2003 prometeu muito, a reviravolta há muito esperada, com belo repasto de 63 pessoas e mais uns tantos no café... lá consegui acabar o romance que nunca publiquei, mas mativeram-se as dores e novas confusões e, por pouco, o ano não terminou em tragédia da grossa. Os anos de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 passaram lentamente a voar, com dias curtos de longas horas, mas sempre com a mesma dor na alma e desacerto na vida e cabeça. Nestes anos perderam-se o amor duma vida e dois novos amores, mais umas mãos de experiências que não medraram, houve a vil traição de quem julgava ser um dos maiores amigos, foram-se dois tios pela lei natural da vida, compreensível e aceitável, mas também o Bruno num acidente, além dos suicídios do Miguel e do Eduardo. Anos doloridos.
Escreveu o astrólogo Paulo Cardoso, em 1999, que os Capricónios, que cumprissem a terceira década de vida nos primeiros dez anos do século, teriam tempos prolongados de ouro. Logo eu, que sou Capricórnio com ascendente em Capricónio, com Sol e Lua em Capricórnio, teria dos melhores períodos da vida, esperava-se, era lógico. Como se comprovou pelo parágrafo anterior a este, o bruxo não acertou.


Nota: Parabéns porquê?

quarta-feira, janeiro 07, 2009

terça-feira, janeiro 06, 2009

Penar até ser bom

Falta-me piedade para ser caridoso. Falta-me caridade para ser cristão. Muito mais me falta para ser santo. Por fazer, uma eternidade de provas e sofrimento.

Bom dia Deus

Não estou zangado com Deus, apenas aborrecido com a vida e cansado de brincar ao amor.

domingo, janeiro 04, 2009

Dasse

Rústico e triste: Dobrada enlatada e Cabriz Colheita Seleccionada. Uma tristeza. O playboy está, um dia destes, na Sopa do Pobres ou no Albergue da Mitra. Os guardanapos, comprados no Minipreço, não valem nada. Na gaveta estão toalhas de linho e outras tão brancas e bordadas. Quase toda a gente já foi para casa, cansada de ouvir falar de dívidas, de tristezas, de incríveis certezas inconcretizáveis, de fantásticas oportunidades que não interessam a ninguém e de tantas outras coisas aborrecidas e deprimentes.
Dentro dos móveis há fantasmas da namorada que se findou e que agora vive algures, também nos objectos e alfaias. Pouco espaço e muito tempo para o suicida indeciso. Se alguém telefonasse ainda se distraía o tempo. Mas daria seca a quem ligasse.
Enfim, pouco vale a pena, agora. Ainda o melhorzinho é a dobrada enlatada e o Cabriz. Antes isso do que um Ferrari amarelo.

Nota: Devia haver um neo-realismo acerca dos novos pobres!

Rumo



















Devo ir. Com ou sem vontade. As decisões só o são quando se concretizam, quando chegam ao seu destino. Só peço um suicídio limpo. E sem escândalos.

Bem foi


Escreve-se tanta coisa e no desespero já se bebe vinho manhoso. Não sei que horas são, mas vai valendo a pena este desespero. Na quase adolescência e na maturidade há uma música que podia falar disto. Lembro pessoas de que não devia lembrar e outras, tão queridas, que já deviam estar esquecidas. Os afectos que foram são afectos que estão. Não se deixa de amar quem se amou, ainda que novos amores tenham vindo a florir e a agonizar. Quando se está perdido percorrem-se mares que se prometera não cruzar. Um dia há-de vir a solução, nem que a solução seja aquela indesejada.

A mesa do café

Um dia a mesa do café em que me sento ficará vazia. Terá as memórias que o tempo dos homens apagará.

Um dia destes





















Não tarda muito e volto a ser pequenino. Não é aniversário, é reencarnação.

sábado, janeiro 03, 2009

O que eles/elas andam aqui à procura

Aqui no blogue acontecem algumas coisas estranhas. É a vida. Acontece. Acontece aqui como certamente acontecerá noutros blogues e na vida tridimensional, real. Já vieram pessoas bater à porta (e entraram) através das mais mirambulantes pesquisas no Google.
Uma vez foi: «Marinheira apanhada fudendo no cais»... assim mesmo, com U... um brinquinho de português! Mas será que alguém acha que há textos ou fotos da paródia sexual duma marinheira? Bem, há de tudo...
Uma outra vez foi: «Remédio de ervas para matar formigas». Mas quem é que quer matar formigas com ervas? Ter trabalho? Queimar horas? É para ser ecológico? Então não mate as formigas, que são vida e têm direito a viver, têm habitat e ecossistemas e essas coisas...
A procura de vídeos de empalamentos é diária... Ui, ui!... Mas alguém quererá mesmo ver cenas de horror medieval, de tortura mortal? Será que acreditam que Vlad Tepes ainda vive na Transilvânia e continua a empalar desgraçados?
Uma vez, ou duas, não sei, escrevi aqui um texto em que referia o porco bísaro, raça outrora comum em Portugal, em propriedades acima do rio Tejo. Pois a simples palavra bísaro dá pretexto a muito boa gente vir procurar, com grande regularidade, por vídeos, fotos e textos de «sexo bísaro» ou «bisaro», a grafia varia. Contudo, o que procuram é «sexo bizarro», mas como não sabem escrever português...
Há coisas muito procuradas e sem problemas ou desconfianças ou motivos de preocupações. uma é a pesquisa de desenhos de mapa mundi, outra é a de papoulas ou papoilas, embora a segunda versão seja maioritária... nunca pensei que tanta gente andasse à cata de papoilas.
Hoje dei conta doutra pérola: «Joana Vasconcelos nua». Tudo bem! Penso que tem o direito de querer ver a Joana Vasconcelos nua, em pelota, desnudada, despudorada... até no coisital. Mas, acham que a encontraria assim através do Google? E já agora, quem? A Artista plástica? Certamente terá os seus momentos de nudez, mas julgo que é conhecida pelo seu trabalho. Que eu saiba não praticou qualquer modalidade artística ou obra em que se despisse... Ou será outra? Qual outra? A prima de Vinhais? A amiga da Sónia de Tavira? A ex-namorada de alguém lá da escola? A secretária do Dr. Correia?
Como se dizia naquele anúncio parolo da TV Cabo: «Há coisas incríveis, não há»?
Bem, «prontes»! Tinha de desabafar. Hoje tinha de ser. Fartei-me de rir. E por falar em Joana Vasconcelos, ilustro o texto com uma obra da artista, que bem merece ser vista e que, felizmente, é reconhecida... confesso que, para ilustrar, procurei imagens da dita marinheira flagrada, era mais picante, sei lá, mas não encontrei...

Conhecimento não transcendental

- Os cientistas são uns chatos! É natural, a ciência é uma coisa chata!
- Mas a ciência ajuda a compreender a vida.
- Não! Para isso serve a filosofia!
- Mas a filosofia não serve para nada.
- Sem filosofia não há ciência nem conhecimento.
- Portanto, se a ciência é chata, a culpa é dos filósofos...


Nota: A imagem não tem... bem, não tem muito a ver com o texto... mas, se pensarem como o meu pensamento é retorcido... estão a ver a cena?

Coisas diferentes e a mesma coisa

- Foder, copular, praticar sexo, fazer amor... Bah! Não é tudo a mesma coisa?
- Não!
- Então?
- Basicamente é, o jogo é o mesmo, mas tem regras diferentes e diferentes objectivos.
- Como assim?
- Copular é uma obrigação, é quase trabalho de casa da disciplina de ciências, coisa mecânica, aborrecida.
- Ai sim?!
- Sim! Foder poder ter alguma «violência», mas há força e tesão, desejo, se quiseres suavizar as coisas.
- Pois sim...
- Fazer sexo é para desconhecidos que sentem uma incrível vontade de se entregarem ao desejo e à lascívia.
- E fazer amor?
- Ah! Isso é arte! Tem sentimento, profundidade, intensidade de afectos. O acto com quem se até pode não ser o mais esplenderoso provado, mas é, certamente, o mais prazenteiro, porque trata-se de fazer o bem com o corpo. Percebeste?
- Não!


Nota: Digam lá se a menina do quadro não está mesmo a pedir umas nalgadas? Tau! Tau! (taoísmo)... Paz! Paz! (pacifismo)

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Inquérito de 2008

Durante um ano, ou quase, decorreu aqui um inquérito com a seguinte pergunta: Pensa que deve chover hoje? As respostas somaram-se (e três, pelo menos, subtrairam-se, pois desapareceram misteriosamente) e eis que o resultado é o que é sem surpresas nem certezas. Houve, como é óbvio, gente que entrou no espírito desconcertante do inquérito, quem tenha respondido por preferências e quem tenha ido pela previsão real, prova disso foi a evolução das duas primeiras opções ao longo do ano, acompanhando as estações (mesmo havendo muitos leitores brasileiros e alguns doutras nacionalidades, o grosso é português, daí supor que a maioria das resposta vem de Portugal). Em termos objectivos:

Pensa que deve chover hoje?

1) Não, não vai - 25 votos (30%)

2) Claramente sim - 23 votos (28%)

3) Não deve a ninguém - 17 votos (20%)

4) Devia mas já pagou - 16 votos (19%)