digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quinta-feira, abril 25, 2019

Nesse


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Sentei-me e a janela abriu uma chuva tardia mas antiga, que tenho memória sem nostalgia. Essa é caruncho de indeterminada ausência, em mim. Sem arrogância, com sorte ou inconsciência de a ter, não voltaria. Dizia da água na fonte do que venho falar.
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Se pudesse voltar era rio doutro curso e em leitos donde não dormiria – pouparia a pedidos de dor na garganta a quem não encontro.
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Dizia chuva porque no tédio nem sempre vive a morte. Não me lembro de saber da melancolia escondida e muda. Se sempre a tive como mãe-irmã-mulher estou onde não sou.
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Estranhado desconheço-me aqui e incompreendo. Nem assim palpito o pesar-memória-saudade.
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Sem ter o sofrer e só saber-me inostálgico.
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O que faço, então?

quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Gelo como no Verão


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Vivo uma premonição, como o gelo que às vezes o Entrudo.
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Repentinamente lembrei-me e aquela dor ficou onde estivera.
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Foi quando te soube nua. Como tu outra neste agora de antes há uns tempos.
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Agora a dor da nudez que não toco nem sei nem percebo nem consigo querer compreender.
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A pele só pele antes sem pecado e agora de antes há uns tempos na vergonha de sem-vergonha.
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Sim, qualquer coisa, uma sirene chegando e partindo depressa ou a chuva repentina como antigamente.
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Sei há muito tempo sofrer e não me habituei por mais habitual que seja.
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Hoje não sei nem se será como em todos os Verões neste agora de antes há uns tempos.
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Quando Julho ou Agosto ou Setembro uma nudez perdida e achada por alguém.
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Se a minha casa fosse outra e o eu for a do meu corpo.
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Se eu pudesse ser um outro, nem que fosse por desexistir. Mais tarde recriado sem vida antes de.
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Se eu não fosse e as premonições não viessem.
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Quantas tu tenho para contar dessa nudez que não vi noutros lugares.
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É uma premonição, um sono repetido e descubro. Como és bonita quando fazes amor.
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Sinceramente, muito banalmente digo que não sei onde moro nem sei se tenho sonhado que vivo.
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A escuridão voltou ao anoitecer como a manhã fôra de punhal e o dia de torcer de vagas.
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Sinceramente, muito adolescentemente digo que não sei quem sou nem se sou.
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Sinceramente, repito que não sei o que faço aqui nem se neste lugar tenho vivido nem se sonho um pesadelo de ausências, da minha aos tu da minha vida.
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É Julho, Agosto e Setembro no Entrudo quando tu nua me desapareces e surges despida noutro luar.

terça-feira, novembro 27, 2018

Água e estrela


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Sou-te e em ti sou-me. Em ti sou e em mim despejas-te como o rio da vida na direcção de ir ao local certo por nós sabido desde o teu primeiro ver-me e meu tremor.
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Tenho-te caída sobre o peito e igual em ti. Tens-me como sempre no amor incansável da água que transborda e da que falta.
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As noites afastadas não se juntam por dor ou passado. As noites de acolher são de tudo e sempre.
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Não duvides do teu amor nem do meu. Assim do prazer, além do mais em todo – completo a ti de quem não duvido amor, além do mais em todo – não duvides.
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Fogo impensável por ser rio, incansável pela vontade do muito-amar.
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Amar-te é amar-me – os dois de tudo – daí revela-se igual.
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Por tantas viagens é esta agora o destino. Isso diz a luz e a voz da certeza-certa-celestial. Aliás mais.
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A multidão dos abraços furacãoza quem-engano-erro-desamor-olhos-coração-mente sopra as maldades da inveja e da matéria. Como seja ferro, o rio fará ferrugem.
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Nunca desistirei do destino. Tu é igual – sei porque as dores se evaporaram e choveram como alegrias.
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O destino corrige as margens da água enganada no leito. O mar só é mar se rio lhe chegar.
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Ser o destino do outro é o nosso destino. Só precisamos seguir a estrela e a ela chegar.

sábado, novembro 10, 2018

Gente viva

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Há dias em que se morre um bocadinho.
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Esses bocadinhos de morte é que são morte. A outra não existe.
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Há que sobreviva ao amor? Ao perdão? Por aí, por aí.
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Quanto se morre quando se mata. Assim, sem perguntar a resposta, devolvendo questão.
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Das palavras ao ouvido-coração-cabeça e até no movimento do gesto, o jeito de matar e vontade ou fome ou jejum.
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Hoje morri um bocadinho e em mim caíram bocadinhos de mortes.
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Não morreu ninguém. Morremos e morrem-se. Nas-das doenças do cuidar, onde se é frágil e o colo até talvez baste. Ou bruto e o regaço até talvez chegue. Da fealdade do desencanto.
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Vejo mortos diariamente e julgo a certeza de terem vida. Esta e não a do após o corpo desfalecer.
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A morte de que falo des-é corpo e des-é tempo e des-é tudo.
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Os dias da sobrevivência, não pensei o que são, se do corpo se do fluído ou se do plasma ou se.
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Não se pensa para se sentir nem para isso existe o corpo.
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Quando digo morte falo da ausência que se descobre, da perda sem aviso.
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É disso, a morte.
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Porque, de resto, a morte não existe.
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Vemo-nos por aí, daquém e dalém.
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Havemos de ir para voltar e por lá de modo gémeo.
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Vivos, sempre.
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É fácil inconseguir aclarar a mediunidade, nem sei se maior ou menor revelar da morte.

sexta-feira, novembro 09, 2018

Cristal negro – oitenta anos

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De nove para dez de Novembro de 1938.
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Pensa em quem és hoje, ainda que te lembres da última vida.
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Se significar – porque significa – mais do que acomodar a culpa, plasma a consciência e faz, a coisa como conseguires, para o pensamento não manchar igual à memória.
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Se significar – porque significa – mais do que acomodar a dor, plasma a dor-mortal e faz, a coisa como conseguires, para o pensamento, não esquecendo, te apazigue a memória.
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Noite de Cristal é uma expressão poética, cheia de negrume. É antes negrum – aquela ausência da luz, desfazendo o «E».
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É expressão tenebrosa!
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O cinzento das fotografias não mostra o cinzento-verde nem o negro furioso do assalto furioso.
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Nem o amarelo da estrela.
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Pensa no que não queres.
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Que o tido de outrora seja uma arma para pedires perdão.
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Pensa em quem és hoje, ainda que a estrela te esteja pregada.
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Tenta lavrar o teu pedido, em paz, para o perdão.
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Tenta perdoar.
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Um dia serão capazes.
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Talvez ainda por mais uma vida, para.
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Neste momento, faz a paz. Talvez lembrando-te de quem foste.
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A memória inesquecendo – o inesquecível – para outrora não ser a qualquer hora ou mais uma vez.
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Não volte a acontecer.
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quarta-feira, outubro 31, 2018

Flores

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Pétala a pétala a pétala e a pétala. Pétalas-me a pétalas-me a pétalas-me e a pétalas-me.
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Já nus, olhando-nos, cantamos em conto as pequenas folhas de malmequer e bem-me-quer, sabendo da vida o prazer.
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Sabendo, sabor e sabedoria, vamos. Entende-se, onde fomos e iremos sempre que.
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Vendo-te, ui. Vendo-me, ui.
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A vida é assim vai-e-volta.
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Dessa maneira aiando, naquela dor do prazer, do que somos em todo, abraçamo-nos.
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Quando o calor interior arrefece na pele, o beijo-ponto-final. Ainda esperando saciados esperando, o beijo-reticências.
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Etecetera. Etecetera e tal.
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Pétalas-te a pétalas-te a pétalas-te e a pétalas-te. Pétalo-me a pétalo-me a pétalo-me e a pétalo-me.
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A vida vai e volta, daquele antigamente ao iremos até onde, assim também em vai-e-volta.
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Pétalar, cola de unir e consolar.

sexta-feira, outubro 05, 2018

Assim politeísta


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Adoro a Deus.
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Amo-a.
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Adoro batatas fritas.
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Tragam-me maionese e, devotamente, como-as.

Onde se deixa

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Alguma vez disse que não te amava.
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Quando não se, é porque.
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O coração é, vindo e daí.
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As pessoas levam a vida demasiado.
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Quem se aborrece por pouco, estará quando for.
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Os esquecimentos do costume.
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Desleixo de leviandade.
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Leviandade do desleixo.
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Tenho não dito.
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Faltando, o é – não sei.
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Talvez no final do mês.
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Um dia para.
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Alguma vez disse que te amava.


Estações

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A árvore do Inverno acolhe-me na ramagem, para o frio ser fora e anteparando-me da água.
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A árvore da Primavera alegra-me pelas cores das flores dizendo promessas e os animais falam.
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A árvore do Verão sacia-me com seus frutos e sob si há a sombra.
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A árvore do Outono concede-me descanso e visto-me como se fosse eu alguma das suas cores.
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As quatro são uma e a sua luz é a claridade dos dias passando e eu ficando junto sem querer ir.
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Sob a sua vida, sou a parte da terra.
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Sou a Terra a que se deseja segurar.
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A árvore é uma luz que chega do céu.
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Que me leva onde.
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O amor não precisa mais.

quinta-feira, outubro 04, 2018

Angústia


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Na noite de desassossego é noite. Vezes de muitas noites. O tempo não se move e hora a hora se vêem as horas e passou uma hora. Insegurança dita perfurantemente. A noite não acaba. Pela manhã, incomodidade, porque a noite.

terça-feira, setembro 25, 2018

Assim


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Quero escrever eternamente poemas de amor, dos pirosos aos pirosos. Pretendo levar a vida teclando textos com parágrafos de amor, dos pirosos aos pirosos.
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Quero ir do amor rodando os dias. Quero o amor indiferente aos movimentos de rotação e de translação.
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Quero o amor para lá das luzes, das estrelas do longe, das chegadas depoismente da sua morte, doutras quaisquer e do Sol.
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Quero mergulhar no mar todo e lá encontrar amor, do piroso ao piroso. Quero descer ao núcleo e de lá trazer amor, do piroso ao piroso.
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Quero tudo isso. Irei entregá-lo à luz da pirosada que sinto por ti, Flor de Luz.

sexta-feira, setembro 21, 2018

A água quando nasce tem o rio para ir ao mar


fhrei
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Da plataforma número um o trem até à gare da meta.
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Entre uma e outra estação pôde descarrilar, ficando no odor sobre o aço, o óleo, a madeira e a pedra.
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William M. Vander Weyde

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Por caminho de engano.
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Noutro horário saiu da linha número dois o trem destinando-se ao cais da sina.
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Entre uma e outra estação pôde descarrilar, ficando no odor sobre o aço, o óleo, a madeira e a pedra.
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Levy & fils
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Por caminho de engano.
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Noutro horário – cada no seu lugar-nenhum – saíram dos escombros até à plataforma do desacaso.
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Imediatamente os maquinistas-passageiros reconheceram a linha de ir até.
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kerko

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Dos desastres à celebração.
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Os comboios coincidentes chegam sempre à mesma estação.
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Roman Loranc


quinta-feira, setembro 06, 2018

Objecto-corpo desistido

A depressão pode chegar até onde alguém deixa de ter ar e esperança. Peço àqueles que, por uma situação aflitiva duma vontade desesperada, sentiram, de alguma forma, o epílogo da violência desesperada numa derradeira coragem.
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Não encontro imagem-ferramenta que explique. Até será melhor. Quem sabe é quem sabe.
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Não encontro outras palavras. Não li corrigindo nada. Este texto é o que é. De quem compreende o que é.
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Hoje vi-me num corpo-objecto parado.
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Um suicídio é sempre um suicídio, tenha o objecto-corpo terminado ou salvado.
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Não faz diferença, um suicídio é um suicídio. Não é outra coisa.
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É a morte – aquela que diz a maioria.
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Um suicídio não é outra coisa do que um suicídio.
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Resgatado pelas mãos chegadas em afogo-desesperado de quem tem esperança.
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Ainda, aquele objecto-corpo era assim morto.
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Morrendo mais quando for – da morgue-terra ou da morgue-de-perdurada do sol-não-sol.
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O suicídio é do espírito deslargado do corpo-objecto porque.
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Não se sobrevive ao suicídio. Qualquer coisa-tanto-faz.
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É a dor de escolher, na coragem inestimável da solidão.
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O corpo-objecto é não-vida e matar-nos é ser não-vida.
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Seja aquilo vindo ou aquilo ido.
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Recupere o corpo-objecto, na dor inestimável da solidão.
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A dor inestimável da solidão é incompreensível àqueles que não.
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Estar diante das desrespostas não faz sentido quando as desrespostas são a resposta.
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Tanto faz como se chega ao não-lugar.  O não-lugar é único aos olhos-alma.
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Não era o meu corpo-objecto. Eu estava ali morto.
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Fui sobrevivente-morto, tantos tempos. Egocêntrico, eu era aquele corpo-objecto derrubado na solidão que.
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Na calma-quieta do suicídio, eu estava ali à porta do não-lugar, que só se.
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Pela mão da coragem de não ter coragem. Pela mão de não ter coragem de ter coragem.
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Não importa como. O suicídio é sempre instante-prolongado-agoniante. Aloja-se dentro muito tempo e quem não, não pode.
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Só quem, compreende absolutamente.
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De tanto tempo. Por tanto tempo.
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Aquele corpo era o meu – é o meu.
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Não chorei aquela vida-corpo-objecto-suicidado.
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Pensei-tentei-orar e não consegui.
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No meu egocentrismo, aquele corpo-objecto era o meu. Por isso tanto faz.
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Não chorei tal.
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Não choro almas idas ou corpos-objectos derrubados, por vontade ou por contrato.
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Não choro e não me incomodo.
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Tantas vezes me chorei demasiado prendido ao corpo-objecto.
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Contudo, ali.
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Como sempre, não choro.
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Aquele corpo-objecto era o meu e não chorei, porque não o faço por ninguém.
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Diante dos olhos contemplei o meu corpo-objecto e eu que tantas vezes me chorei não me comovi pois aquilo a que a maioria chama morte não me comove.
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Não me senti. Não me sinto. Nunca me senti.
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Apenas quem compreende o que os outros não.
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Assim olhando o corpo-objecto desprendendo-se.
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É duro. Muito duro. Não sei escrever nem.

Coisas que se dizem e podem dizer porque se podem dizer


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Disse-me:
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– Não dizes nada?
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– O que queres que te diga?
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– Não notas nada?
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– …
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– Passei horas no cabeleireiro e não dizes nada?
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– O que queres que te diga?
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– Irritaste-me!
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Que estou linda!
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Deixa estar…
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– Por que te haveria de dizer isso?
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– …
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– Estás sempre linda!
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És linda!
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– Mas arranjei-me.
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Foram horas!...
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– Amor, é impossível seres mais bonita de que sempre és!
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– Então não valeu a pena arranjar-me…
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– Claro que valeu!
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– O quê?!
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Não entendo…
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– Temos um novo motivo de conversa.
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– Parvo!

quinta-feira, agosto 16, 2018

Lábios do mesmo beijo


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Vivo o sonho de ter sonho.
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Dá-me sonho e retribuo-te.
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Adormecendo em ti, deitado em ti.
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Caídos no ardor desejado, a luz. Onde pela luz és tu – só tu toda inteira.
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És-me antes, agora e depois, de tempo sem o ser.
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És em mim como se me desflorasses – eternidade.
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Vivo como num sonho de sermos abraçados-beijados.
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Estou nesse delírio da impávida felicidade de sermos.
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Pairo no devaneio da verdade, bebendo-nos numa febre macia de ternura.
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És do encantamento de. Em nova revelação.
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Seta de Cupido vindo-nos.
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Depois, regresso e volto no país da felicidade.
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No meu sonho, sonhas comigo.
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Não há muitas verdades como esta.
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Nem ninguém como tu.

Para lá do prado


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É da luz vindo e do encadeamento da sua melodia silenciosa, sou. Sendo, sou diluído na humana-sobrenatural-beleza-corpo-mente-alma.
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A luz-conforto-amor ainda irrevelada e já era – promessa e obscura presença – benfazeja.
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Além das cores, luz de sagrada querença.
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No prado universal do amor.

segunda-feira, agosto 13, 2018

Tentaram-nos o ânimo

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Bebes-me o sangue e alimento-me de ti. Como as letras formando o livro, o temperamento fez-nos completos em permanente construção, da vertical vontade de subir a todas as montanhas donde se beija em ânimo e libertação.
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Assaltas-me na noite e fazemos amor e roubo-te as manhãs e caímos na frenética paixão. Trocamos a circunstância das horas.
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Fazemos amor amamo-nos, na cama sem amanhã nem ontem.
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Saro-te a ferida por mim cortada. Curas-me da mágoa de lamento.
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Nenhuma paisagem força o vento, antes ou depois de ido.
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Por nós em nós, vamos.
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A recordação dos males é na casa assombrada que deixámos para nem mesmo esquecer. Indizemos nomes e rostos.
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Fazemos amor, por nós em nós. O teu odor colado a mim e o meu cheiro apegado a ti.
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Sensuais como os vampiros, bebemo-nos e damo-nos em troca.
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A minha carne e o meu sangue são-te, tal a minha alma.
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A tua carne e o teu sangue são-me, tal a tua alma.
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Nenhuma ofensa nos ofende. Quem corta, desta-feita-sempre, um rumor biliático, não é faca ou quilha. É a garantia do nosso amor.
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Só na sensualidade dos lábios querendo-se em união – leveza e pedra de amantes – se pode imaginar benévolos vampiros.
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Nem claridade nem breu, vampiros de nós em nós, sensuais e felizes.

Sentei-me para


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Sentei-me para te escrever. Sinto que tudo te relatei, por isso – uma certeza é sempre falha – pus-me a pensar no indito e, numa palavra por inventar, imbeijado. Olhei, comecei indeciso. Enumerei-te virtudes para tas dizer.
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Quis despertar, construindo um país sem terra, feito da pureza da verdade, para nos amarmos esquecidos de datas. Nessa nação, isenta de carência, bem-querer eternamente. Qual o primeiro mérito assomando-se-me.
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Qual escolher primeiro? O primeiro a socorrer-me a memória ou o que mais o tenho por valor? É tão complicado assumir uma virtude. Não existe um universal, é inegável essa impossibilidade. Os seus pesos variam no dia, na hora, em qualquer instante.
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Nessa dificuldade, reconheço a fraqueza, decidi contar das mais madrugadoras neste exercício. Quando acabar a escritura, irei lembrar-me de muitas mais alegrias. O texto terá de parar para que to possa oferecer. Em mim, sei do prolongamento dos elogios.
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Ignorante em mim e tolerante por o ser, escolhi a ordem de chegada ao meu coração-cabeça-espírito. Se falhar, chamar-me-ei de fraqueza… talvez mentira, por ainda involuntária.
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Foi deste modo que aconteceu, em prosa, como texto das regras obedecido e seguindo de cima no valor até… ou como queiramos eleger.
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Cândida, bondosa, generosa, benevolente, paciente, esperançosa, amorosa, amorante, doce, tolerante, compreensiva, mansa, meiga, tépida, clara-no-dizer-amor, grata.
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Por aí ao sem-fim.
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Se deixei longe a sensualidade foi porque isso é doutra maneira noutro universo.

sábado, agosto 11, 2018

De luz-verdade


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Se disse, da tua alma, luz.
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A verdade dos sonâmbulos é de verdade.
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A boca-coração diz da alma, ainda que a cabeça não pense nem a mande calar.
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As flores não têm luz, por isso vivem as suas cores.
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A luz pode ter qualquer cor e só por sua vontade se deixa colher.
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Ser-se luz de alguém é uma promessa oferecida.
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Ser-se tido por luz é um privilégio.
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É inacreditável.
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O destino, se existisse, afirmaria esta verdade.
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Podendo mudar-se o destino, a última palavra, emocionalmente útil, são duas:
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– Amar-o-outro-e-ser-se-pelo-outro-amado.
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– A outra é segredo nosso, sem tampouco o sabermos todo.

Esperar ser seu

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Esperar ser seu, da carne à emoção, é um ardor razoável.
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Se o seu desejado quiser ser seu, será seu.
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Se o seu-desejado não cumprir tal ensejo, teimar será cobiça.
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A cobiça é inveja adulta, qualquer inveja discursa a derrota.
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O postigo não é porta nem o buraco faz de túnel.
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Parar é inteligência, insistir é arrombo.
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Enraizando-se numa birra – do melindre e do ciúme – a porta é só de saída e o orifício estreita-se do desalentar ao ferir.
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Implorando crescentemente, como nova-chegada, resta-se como súplica de soluçar.
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Escangalhado-cego-e-surdo, o amor-próprio é um nado-morto e a sua lágrima do desgosto afoga-se patética.
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Não havendo ânsia das outras alma e corpo, talqualmente tudo, quando não é, não é.
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As indevidas querenças, de eternidade e luxúria, são peçonha incessante e maníaca – uma doença crónica voluntária.
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Porque já chega, diga-se:
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Um envenena e outro empesta.
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Se existisse, que escolhesse – o Diabo.
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Por cá, escolhemos e certezantes amamo-nos.

sexta-feira, agosto 10, 2018

Dívidas

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Que dívida terei de pagar por te ter.
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Que valor terei para me teres?
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Seguraste-me na mão e deste-te. Absorvi-te como a areia salgada e o mar.
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Desapareci, numa infelicidade sem tempo de visão do seu fim.
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Fizemos amor. Sem o termos feito. Fizemo-lo no amor nunca negado e no afecto incrível.
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Sempre adiantado, atrasei-me muitos anos.
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Sempre atrasada, aguardaste-me.
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Saciaste a sede por me ter morrido.
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Esperaste-me como uma viúva do mar.
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Esperaste-me com a paciência dos anjos e a certeza dos crédulos.
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Esperaste-me com a esperança dos vencedores e a certeza dos gloriosos.
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Estiveste na chegada, que desejaste e pediste.
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Estiveste no sonho, pedindo-me.
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Estiveste no silêncio dos mudos.
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De olhos abertos, desconhecendo que lavravas a completa minha absoluta salvação.
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Livre nas vagas do sono, cativa em burburinho de tristeza, quiseste-me e pronunciaste, em bondade e fé.
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Que palavra te disse?
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Primeira, amor.
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Segunda, raiva. Por uma agonia injusta.
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Pela dor do sal, das lágrimas da distância e da aflição dos anos do longo naufrágio.
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Então cortei-te, queimando-te.
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Perdoaste-me, chorando.
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Novamente me chamaste com a esperança e a bondade de quem ama e ama de certeza.
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Não tenho muitas palavras para te beijar, chorando de alegria e arrependimento.
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Desculpa é todo e tudo, por não existir mais grande e pleno.
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Obrigado é todo e tudo, por não existir mais grande e pleno.
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Dizes-me que me amas.
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Lacrimejando ou desértico, digo que te amo.
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O que mais dizer?

sexta-feira, agosto 03, 2018

Telhado-tecto


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Sob a clarabóia, melancolia da chuva num dia silencioso.
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Imaginava-a cinzenta e intemporal ou então um refúgio de passado.
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Afinal, qualquer.
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Quando se olha, do retrato à sombra, a luz diverge por causa da clarabóia.
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Não como um manto profano. É o odor das máquinas paradas.
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No vazio de horas de movimento, termo-nos deixa-nos não-sós.
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Ser-se sob uma clarabóia é esquecimento.
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É-se o que se é, ninguém precisa de saber e sem segredo ou consentimento ou compreensão.
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Não desgosto da melancolia da chuva caindo na vidraça do telhado-tecto. Como se essa prostração precisasse do consolo da minha melancolia.
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Uma satisfação-ânimo da enfermagem e da desmemória.
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Pode pensar-se uma solidão e ser-se qualquer coisa.

Se ressuscita


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O domingo é sempre porque tem de ser.
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A Terra roda e passa sempre por domingo.
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O domingo é castanho.
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(O azul não é cor, tal o castanho).
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O domingo agarra o estômago e sufoca-o.
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O domingo diz repetidamente que é domingo.
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O domingo anuncia tudo antes do recomeçar.
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Aquela chuva triste…? Devia ser só ao domingo.
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Aquele calor de tortura…? Devia ser só ao domingo.
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As doenças e os padecimentos são domingos.
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O mal-de-amor é domingo.
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A saudade é sempre domingo.
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O domingo tem de ser domingo.
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Se ressuscita é porque morre. Felizmente, o domingo morre.

Poente a Nascente


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Estas saudades só passam se te tiver desde ontem, se pudesse ao momento em que foste.
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Os tantos dias têm sido das memórias de azul. Sorris e fazemos amor… como dizer, assim…
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Cada dia completo pela quarta-feira.
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Uma lembrança-boa-triste cada vez que, sem ti, fiz amor contigo. Todos os dias nos amámos.
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À noite falámos e diluí-me na tua voz. Depois morrendo enlevado, sonhei caindo-te-me, pelas horas nocturnas.
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Sinto uma maré: a saudade leva-te e vens mais próxima na onda da certeza-do-tempo.
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Não é necessário este Verão para nos derretermos abraçados.
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Perdi a ânsia de fulminar o espaço-tempo. Sinto-te no sítio-lugar.
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Ainda não percorrida a viagem e o tempo jaz. Não merece clemência, pela dor. Sim um festejar pela sua chegada.
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O raciocínio nega ao passado ser futuro. Por isso, a minha saudade só morrerá quando te abraçar no beijo mais azul.

quinta-feira, agosto 02, 2018

Berlindes

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Hoje, quando me lembrei de ti pela primeira vez, tive uma percepção-imagem de vigília-sonho-premonição. Tão simples quanto brincar com berlindes.
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Berlindes? Coloridos, transmitindo-me leveza-de-espírito, alívio, liberdade e amor.
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Um amor nunca tido. Inalcançável, como uma estrada para onde o olhar não chegará.
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Amor de andar de mão-dada e de riso, do abraço à cama. O caminho pela mente-espírito.
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Tal raciocínio – nem que fosse por estares nele – não me deixa fatigado. Opostamente, a visão dos berlindes aconchega-me.
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Falando-me de ti, os berlindes serão o Sol, a Terra, a Lua e todos os planetas do sistema solar? Estes astros falham em quantidade.
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Do sentir, pensar e dizer, assombradamente, aconteceu-me uma revelação.
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Cuida-me transcendência – como melodia de rumor indiscreto – oiço, no para-lá, uma estrela inédita.
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Excelente, esta estrela, só ao longe não é redonda. É a que divido contigo, meu amor.
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Se os berlindes são mais, em soma, do que uma só estela é porque.
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Comecei por escrever uma percepção-imagem de vigília-sonho-premonição.
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Meu amor não tardes e sempre és comigo.
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