digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

segunda-feira, setembro 08, 2014

O Céu, a mãe

.
O abraço da mãe tem o calor da vida. O rosto da mãe encostado ao meu. A saudade diária da mãe. O reencontro com a mãe. Jantar com a mãe, adormecer com a mãe, acordar pela mãe, o copo de leite com chocolate e duas torradas ou dois ovos estrelados.
.
O sorriso da mãe. Os olhos tristes da mãe. A tristeza da mãe. O sobretudo quentinho que a mãe me vestia. Os sacrifícios da mãe. A ternura da mãe. O sofrimento da mãe.
.
Tantas vezes com razão e eu era uma criança.
.
Não sei se entendia. Já com saudades e ainda comigo. Sei que a perceberei depois e lhe sentirei toda a falta.
.
O olhar triste da mãe fazem tristes os meus olhos. Os meus olhos tristes fazem-na sofrer.
.
Os dias da minha dor que não entende. Os dias das suas dores que não quero, quero fugir.
.
Quero fugir e ser menino, estragar os ténis e rasgar as calças. Ter braços pequeninos e abraçá-la como se fosse para toda a vida.
.
.
.
Nota: O poema dito no início do filme é da autoria de Peter Handke.
.
.
Transcrição do poema «Lied Vom Kindsein»
.
Als das Kind Kind war,

ging es mit hängenden Armen,
wollte der Bach sei ein Fluß,
der Fluß sei ein Strom,
und diese Pfütze das Meer.

Als das Kind Kind war,
wußte es nicht, daß es Kind war,

alles war ihm beseelt,
und alle Seelen waren eins.

Als das Kind Kind war,
hatte es von nichts eine Meinung,

hatte keine Gewohnheit,
saß oft im Schneidersitz,
lief aus dem Stand,
hatte einen Wirbel im Haar
und machte kein Gesicht beim fotografieren.

Als das Kind Kind war,
war es die Zeit der folgenden Fragen:

Warum bin ich ich und warum nicht du?
Warum bin ich hier und warum nicht dort?
Wann begann die Zeit und wo endet der Raum?
Ist das Leben unter der Sonne nicht bloß ein Traum?
Ist was ich sehe und höre und rieche
nicht bloß der Schein einer Welt vor der Welt?
Gibt es tatsächlich das Böse und Leute,
die wirklich die Bösen sind?
Wie kann es sein, daß ich, der ich bin,
bevor ich wurde, nicht war,
und daß einmal ich, der ich bin,
nicht mehr der ich bin, sein werde?
Als das Kind Kind war,
würgte es am Spinat, an den Erbsen, am Milchreis,
und am gedünsteten Blumenkohl.
und ißt jetzt das alles und nicht nur zur Not.
Als das Kind Kind war,
erwachte es einmal in einem fremden Bett
und jetzt immer wieder,
erschienen ihm viele Menschen schön
und jetzt nur noch im Glücksfall,
stellte es sich klar ein Paradies vor
und kann es jetzt höchstens ahnen,
konnte es sich Nichts nicht denken
und schaudert heute davor.
Als das Kind Kind war,
spielte es mit Begeisterung
und jetzt, so ganz bei der Sache wie damals, nur noch,
wenn diese Sache seine Arbeit ist.
Als das Kind Kind war,
genügten ihm als Nahrung Apfel, Brot,
und so ist es immer noch.
Als das Kind Kind war,
fielen ihm die Beeren wie nur Beeren in die Hand
und jetzt immer noch,
machten ihm die frischen Walnüsse eine rauhe Zunge
und jetzt immer noch,
hatte es auf jedem Berg
die Sehnsucht nach dem immer höheren Berg,
und in jeden Stadt
die Sehnsucht nach der noch größeren Stadt,
und das ist immer noch so,
griff im Wipfel eines Baums nach dem Kirschen in einem Hochgefühl
wie auch heute noch,
eine Scheu vor jedem Fremden
und hat sie immer noch,
wartete es auf den ersten Schnee,
und wartet so immer noch.
Als das Kind Kind war,
warf es einen Stock als Lanze gegen den Baum,
und sie zittert da heute noch.
.
.
.
Tradução do poema para português, retirada do blogue «de tudo um pouco».
.
«Canção de ser criança»
.
Quando a criança era criança,
andava balançando os braços,

queria que o riacho fosse um rio,
que o rio fosse uma torrente
e que essa poça fosse o mar.

Quando a criança era criança,

não sabia que era criança,
tudo lhe parecia ter alma,
e todas as almas eram uma.

Quando a criança era criança,

não tinha opinião a respeito de nada,
não tinha nenhum costume,
sentava-se sempre de pernas cruzadas,
saía correndo,
tinha um redemoinho no cabelo
e não fazia poses na hora da fotografia.

Quando a criança era uma criança
era a época destas perguntas:

Por que eu sou eu e não você?
Por que estou aqui, e por que não lá?
Quando foi que o tempo
começou, e onde é que o espaço termina?
Um lugar na vida sob o sol não é apenas um sonho?
Aquilo que eu vejo e ouço e cheiro
não é só a aparência de um mundo diante de um mundo?
Existe de fato o Mal e as pessoas
que são realmente más?
Como pode ser que eu, que sou eu,
antes de ser eu mesmo não era eu,
e que algum dia, eu, que sou eu,
não serei mais quem eu sou?
Quando uma criança era uma criança,
Mastigava espinafre, ervilhas, bolinhos de arroz, e couve-flor cozida,
e comia tudo isto não somente porque precisava comer.
Quando uma criança era uma criança,
Uma vez acordou numa cama estranha,
e agora faz isso de novo e de novo.
Muitas pessoas, então, pareciam lindas
e agora só algumas parecem, com alguma sorte.
Visualizava uma clara imagem do Paraíso,
e agora no máximo consegue só imaginá-lo,
não podia conceber o vazio absoluto,
que hoje estremece no seu pensamento.
Quando uma criança era uma criança,
brincava com entusiasmo,
e agora tem tanta excitação como tinha,
porém só quando pensa em trabalho.
Quando uma criança era uma criança,
Era suficiente comer uma maçã, uma laranja, pão,
E agora é a mesma coisa.
Quando uma criança era criança,
amoras enchiam sua mão como somente as amoras conseguem,
e também fazem agora,
Avelãs frescas machucavam sua língua,
parecido com o que fazem agora,
tinha, em cada cume de montanha,
a busca por uma montanha ainda mais alta,e em cada cidade,
a busca por uma cidade ainda maior,
e ainda é assim,
alcançava cerejas nos galhos mais altos das árvores
como, com algum orgulho, ainda consegue fazer hoje,
tinha uma timidez na frente de estranhos,
como ainda tem.
Esperava a primeira neve,
Como ainda espera até agora.
Quando a criança era criança,
Arremessou um bastão como se fosse uma lança contra uma árvore,
E ela ainda está lá, chacoalhando, até hoje.


O cheiro do frasco verde de perfume

.
Havia um perfume num frasco verde que imitava uma pinha. Não sei bem como definir o aroma, mas se me chegasse às cegas diria. Havia tapetes grossos e almofadas de fronha áspera e o soalho de tábuas madeira crua. Havia cartazes de concertos e nas paredes algumas palavras escritas a negro por marcador de bico grosso, desabafos adolescentes em inglês e versos de canções simbólicas. Um cachimbo de água e o gira-discos a tocar os mesmos discos. Havia penumbra. Havia um mundo qualquer lá fora. Havia absinto com sumo artificial de laranja e gelo. Havia haxixe e um sentimento de amor e a namorada do outro lado do quarto e alguns amigos. Havia uma coisa maluca a passear-se entre o escalpe e o cérebro. Havia uma viola com falta de cordas. Diziam-se profundidades que faziam rir. Faziam-se silêncios que se quebravam no riso. Havia certezas.
.
Tanto sonhei, nesse momento agora recriado, mistura de momentos, em que era poderoso e sensível. Queria ser como os da Renascença, fazia tanta coisa e acreditava que chegaria o meu dia de luz.
.
Abriram-se estores e portadas, afastaram-se cortinas. A luz apagou o quarto – esvaziou-se. A luz banal da vida dos comuns.
.
Ainda sonhei com uma centelha e os anos escureceram os dias e diluíram-me. Não sei onde falhei nem como regressar ao quarto do fumo para nele procurar indício para cumprir nem que fosse um só desejo.
.
Não há caminho de volta e para a frente não o é, mas o único que me deixam, obrigam. Se pudesse ficava e fumava haxixe e beberia absinto com sumo de laranja artificial, esperando magia.
.
Vivo num corredor estreito e opressivo, iluminado pela triste e feia luz das lâmpadas fluorescentes de tom esverdeado... num relâmpago mental evoco a descoberta da fotografia e da brincadeira com os filmes ORWO. A frustração, fraquejo e quase tombo de joelhos.
.
Uma parede avança atrás de mim, sem empurrar fecha-me a retirada. Como é feio este corredor de tédio e desalento. Ladrilhado pelas vontades que me foram caindo e que piso avançando para onde não quero ir. As paredes apenas úteis e sem folgas.
.
Andando como um equino preso à carroça e a passos tantos.
.
E cheguei a um lugar onde passei a noite, porque a luz se sossegara. Tomei uma das pedras daquele lugar e a pus como meu travesseiro e deitei-me naquele lugar. E sonhei: e eis uma escada posta na Terra, cujo topo tocava nos Céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela.
.
Acordei sentado e assim fiquei por tempo indeterminado, pensando na escada e no caminho do tédio.
.
No final desse tempo, que passei sem dormir, voltei a andar e quando me deitei sonhei que subira a escada para Deus e me sentara a pensar, consolado pelos anjos. Levantei-me e desci os degraus para caminhar no tédio, desejando desexistir...
.
Caí-me consciente e hiperventilei-me, arrefeci no chão e nele bati várias vezes com a cabeça, com força também. Embriaguei-me na dor que me lembrei e repousei exausto, ao acordar arrastei-me e desmaiei.
.
Não quero seguir o meu caminho nem o de Deus nem outro qualquer.
.
Vivo num lugar que não quero.
.
Quero desexistir. Deus não deixa e o Diabo não existe. O Inferno é um estado da alma.
.
A minha sobre de tédio.
.
.
.
Nota: Parte inspirada no Livro do Génesis (28 – 11:12):
.
E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.
.
E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;


Cartas

.
Escrevi demasiadas cartas. Se as juntasse todas teria uma só carta e muitas palavras repetidas. Lanceto e limpo. Nelas falo de amor e das saudades que levo e deixo. Confissões repetidas e um rol de coisas para fazer. Linhas de deve e de haver onde escrevo o que me fez chorar. Linhas do pouco bem que fiz e em que peço perdão pelos erros. O coração é uma esponja que se ensopa de lágrimas. Apertando-o não escorrem as dores.  Peço que a última dor que deixo seja o meu beijo para a felicidade. Rezo para ir depressa e coragem para fazer a mala e abrir a porta e sair, fechando a vida à chave e atirando-a para um inalcançável esconderijo. Não peço para morrer, rezo para que desexista e nunca torne a nascer.
.

Nada a dizer

.
Tudo bem, não há problema.
.
Com certeza que percebo.
.
Não precisa de se justificar, que está tudo bem.
.
A sério!...
.
Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer!
.
Tudo bem! Por mim, está tudo bem!... Tudo bem.
.
A sério, fico bem.
.
(BUUUUMMMMMM!!!...)
.
Ai, desejo.
.
Se caio, se caí, se não me levanto, se de mim gozam, se apenas iludem...
.
Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer! Nada a dizer!
.
(BUUUUMMMMMM!!!...)
.
Tudo a fazer!

Rapto extraterrestre

.
Promessas dum amanhã com sol. Mesmo à frente, sem ver que não. Promessas levianas. Mesmo à frente, sem saber que não. Uma secretária, uma cadeira, um telefone e um computador. Mesmo à frente, promessa sem chegar. Uma bandeira agitada diante. Mesmo à frente, rendo-me. Que me vá. Cansado de tanto cansaço e das ilusões. Que me vá.

Ai

.
Quem tem o coração ao pé da boca deve ser tratado por um cardiologista ou por um otorrinolaringologista?

A arte e a ciência

.
Artistas fazem obras de génio, urologistas fazem toque retal.

Uma casa

.
Havia um génio tão poderoso que vivia numa lamparina de setenta e duas assoalhadas.

terça-feira, setembro 02, 2014

Nunca mais é dia 18 – Curta resenha das ligações entre territórios da Grã-Bretanha e Irlanda

.
Armas do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. À esquerda está a composição usada quase globalmente e à direita com uso na Escócia.
.
.
Rei Jaime VI da Escócia (Jaime I de Inglaterra) foi o último monarca a nascer em terra escocesa, no Castelo de Edimburgo, em 19 de Junho de 1566, vindo a morrer a 27 de Março de 1625, em Hertfordshire.
.
.
Jaime VI da Escócia, retrato atribuído a John de Critz, o Velho.
.
.
Jaime VI fez a união das coroas dos Reinos da Escócia e da Inglaterra, mas manteve os dois países como independentes um do outro e governados por ele mesmo, respeitando Parlamentos, justiça, leis e finanças. Foi casado com Ana da Dinamarca (12 de Dezembro de 1574 – 2 de Março de 1619).
.
A união aconteceu durante o Reinado de Ana (dinastia Orange-Nassau, enquadrada na dinastia Stuart), nascida em 1665 no Palácio de Saint James, em Londres, e falecido a 1 de Agosto de 1714, no Palácio de Kensington, na capital inglesa.
.
.
Ana da Escócia, retratado por Michael Dahl.
.
.
A proposta de contrato de junção dos Estados foi assinada a 22 de Julho de 1706. O acto de união realizou-se através de duas votações nos parlamentos de Londres e de Edimburgo. O Tratado de União com a Escócia foi aprovado pelo parlamento inglês em 1706 e o Tratado de União com a Inglaterra foi validado pelo parlamento escocês em 1707. A entrada em vigor deu-se a 1 de Maio de 1707.
.
A Rainha Ana, filha de Guilherme de Orange – Guilherme II da Escócia, III de Inglaterra e III do principado de Orange, Rei consorte de Maria II da Escócia e também II de Inglaterra – reinou até 1714.
.
Assim, a Rainha Ana foi a última da Escócia e de Inglaterra e a primeira da Grã-Bretanha. A Irlanda continuou com um estatuto de território pessoal, um Estado à parte e governado em separado.
.
A Irlanda começou a estar na esfera dos monarcas de Inglaterra em 1198, quando Henrique II a invadiu, aproveitando a fraqueza e indefinição política. A ilha foi constituída como Senhorio. O seu filho, João I de Inglaterra (João Sem Terra) sucedeu-lhe e tornou o país como feudo pessoal.
.
.
João de Inglaterra, conhecido por João Sem Terra, retrato de pintor anónimo.
.
.
A Irlanda ascendeu a Reino em 1542, por decreto de Henrique VIII de Inglaterra, que foi o nono com o mesmo nome a governar a ilha. A sua união ao Reino da Grã-Bretanha aconteceu a 1 de Janeiro de 1801, após os Tratados de União terem sido aprovados, em 1800, pelo Parlamento da Grã-Bretanha e pelo Parlamento da Irlanda.
.
.
Henrique VIII de Inglaterra, retratado por Hans Holbein, o Novo.
.
.
Ana Stuart da Grã-Bretanha subiu ao trono do Reino da Inglaterra, Escócia e Irlanda em 1702. A partir de 1707 assumiu-se como Rainha da Grã-Bretanha e Irlanda.
.
.
Ana da Grã-Bretanha, reatado por Charles Jervas
.
.
Jorge III (4 de Junho de 1738 – 29 de Janeiro de 1820) foi o último monarca da Grã-Bretanha e da Irlanda (em que foi também terceiro do nome), acrescentando o título real de Hanôver.
.
.
Jorge III da Grã-Bretanha e da Irlanda, retratado por Allan Ramsay.
.
.
Já a união com Gales é mais antiga e complexa. O território compreende basicamente ao antigo Reino de Mécia (anglo-saxão). O Principado de Gales foi criado em 1216 e extinguiu-se em 1542 (algumas vezes surge como 1536) e ocupava cerca de dois terços do actual País de Gales. A parte restante encontrava-se dividida por diferentes terratenentes.
.
Em 1282 foi conquistado por Eduardo I de Inglaterra. O seu filho e sucessor, Eduardo II iniciou a tradição, em 1301, de conceder o título de Príncipe de Gales ao seu filho mais velho e herdeiro da coroa, ainda que o território não tivesse sido ainda unificado a Inglaterra.
.


.
Eduardo I de Inglaterra, retrato de pintor anónimo.
.
.
Relativamente a Gales, houve dois actos de união, um em 1535 e outro, definitivo, em 1542, realizados durante o Reinado de Henrique VIII de Inglaterra.
.
As Ilhas Anglo-Normandas mantém-se fora do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, sendo possessões do monarca inglês, herdeiro dos Duques da Normandia. O mesmo acontece com a Ilha de Man.
.
.
Senhorio de Man.
.
.
Na Irlanda, a contestação começou cerca de oitenta anos após a união, com os irlandeses a exigir autonomia legislativa. Em 1916 eclodiu a Revolta da Páscoa (24 de Abril a 30 de Abril), violentamente combatida pelas tropas reais.
.
.
O brasão real da Irlanda mantém-se como representação da república irlandesa e consta ainda nas armas do Reino Unido.
.
.
Em 1918, após as eleições gerais, a maioria dos eleitos pela Irlanda recusou sentar-se na Câmara dos Comuns e criou um Parlamento próprio. Entre 21 de Janeiro de 1919 e 11 de Julho de 1921 realizaram-se acções de guerrilha, por parte do Exército da Irlanda (conhecido por «Velho IRA»), conflito que ficou registado como Guerra da Independência da Irlanda.
.
Os representantes do ainda ilegal Estado Livre Irlandês assinaram, a 6 de Dezembro de 1921, o Tratado Anglo-Irlandês, em que 26 condados a Sul passaram a integrar o novo regime e os seis mais a Norte (que representam a quase totalidade do território histórico do Ulster) permaneceram ligadas à coroa, pelo Acto do Governo da Irlanda de 1920 (documento ratificado a 8 de Dezembro de 1921). A 7 de Janeiro de 1922, o Parlamento da Irlanda ratificou o documento.
.
.
Connaught.
.
.
.
Leinster.
.
.
.
Munster.
.
.
.
Ulster.
.
.
Todavia, o Tratado Anglo-Irlandês manteve a ligação ao Rei, que nomeava um governador-geral, embora houvesse autonomia política e legislativa. Este status quo não agradou a todos os que combateram pelo país.
.
.
Jorge V, Rei do Reino Unido da Grã-Bretanha, dos Domínios Britânicos e Imperador da Índia, retratado por Luke Fildes.
.
.
Em 1932, o partido Fianna Fáil (Partido Republicano) chegou ao poder e iniciou um processo político de separação face à monarquia, que culminou com a Constituição de 1937, aprovada a 29 de Dezembro, e nomeou o Estado como Eire ou Irlanda.
.
.
A representação da Irlanda do Norte é notoriamente inspirada na do Ulster, cujo território histórico está dividido entre a Irlanda e o Reino Unido.
.
.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Irlanda afirmou-se neutral. Ainda que teoricamente fosse uma República, a Irlanda só como Acto de 1948 se constituiu como tal, com início a 18 de Abril de 1949.
.
.
Jorge VI retratado por Gerald Kelly.
.
.
.
Douglas Hyde, presidente da Irlanda de 1938 a 1945, retrato de fotógrafo anónimo.
.
.
.
Seán T. O'Kelly, presidente da Irlanda de 1945 a 1959, retrato de fotógrafo anónimo.
.
.
Regressando para cá no tempo, o Governo de Gales passou a poder apresentar Propostas de Lei a partir de 2007, colocando documentos directamente à aprovação da Rainha Isabel II. A 31 de Março, foi aprovado, em referendo, o alargamento dos poderes do Parlamento sedeado em Cardiff, desvinculando-se da aprovação da Câmara dos Comuns do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte.
.
.
A representação heráldica do País de Gales é recente. Adoptada em 2024, é inspirada nas do Príncipe Llywelyn ab Iorwerth, que viveu no século XIII.
.
.
Já a Escócia tem uma tradição autonomista maior, tendo o primeiro parlamentar nacionalista sido eleito para o Parlamento de Londres nas eleições de 1945. A pressão autonomista aumentou durante a década de 70 do século XX e a contestação ao Governo central ganhou volume com a introdução da Poll Tax (um imposto municipal) na Escócia um ano antes do resto do país – governo do Partido Conservador, liderado por Margaret Tatcher.
.
.
Escócia.
.
.
Com as vozes separatistas a engrossarem, o primeiro-ministro britânico Tony Blair (escocês), do Partido Trabalhista, avançou com reformas, em 1997, para «agarrar» os escoceses ao Reino, tarefa continuada pelo seu sucessor, Gordon Brown, também escocês e do mesmo partido.
.
A partir do referendo de 11 de Setembro de 1997 – dia simbólico por se assinalarem 700 anos da Batalha de Stirling Bridge, cuja vitória foi decisiva para a independência escocesa – reinstaurou-se o Parlamento da Escócia.
.
O Partido Nacionalista Escocês prometeu referendar a independência, dando início ao processo após a vitória absoluta nas legislativas conseguida em 2011. A 21 de Março de 2013, o Governo da Escócia e o Governo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte concordaram com a realização do referendo, que foi ratificada pelo Parlamento Escocês, a 14 de Novembro desse mesmo ano, e aprovada pela Rainha Isabel II, a 17 de Dezembro do mesmo ano.
.
O número de eleitores é de 4.027.187, sendo que 680.235 votaram já, por correspondência, a 15 de Agosto. A data decisiva é 18 de Setembro, e poderá celebrar simbolicamente os 700 anos da vitória da Escócia sobre a Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, que ocorreu a 24 de Junho de 1314.
.
.
Inglaterra.
.
.
No outro lado do mundo, na Austrália começa a falar-se do país de tornar numa República após a morte de Isabel II.
.
.
Austrália.
.
.
.
Canadá.
.
.
.
Nova Zelândia.

Palhaço

.
– O que se deve fazer quando se está triste, profundamente triste?
.
– Faz palhaçadas, para disfarçar e enganar a dor.
.
– O problema é que a minha dor é por ter feito papel de palhaço.
.
.
.
Nota: É a primeira pintura dum palhaço que não me dá volta ao estômago e/ou à alma.

Alguém tem de fazer esta pergunta

.
Pode morrer-se só por umas horas?