digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

terça-feira, maio 28, 2013

Um outro dia

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Um dia, o entardecer. Outro dia para outra coisa. Na tarde, um mergulho no tédio. À tarde, gin tónico e cerveja. À noite, um bitoque numa tasca de azulejos deprimentes e luzes perfurantes de melancolia e outras tristezas. Pela manhã, desperdício de tempo se acordar cedo. A manhã sem história. Ao almoço, qualquer coisa, porque nada importa. Se ficar sem comer, também não importa. Outro dia, o entardecer. Um outro dia para morrer.

Questionário 6

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Complete a frase:
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Um escrevo...
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a) Um poema piroso.
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b) Um poema merdoso.
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c) Um tédio.
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d) Um mergulho.

Questionário 5

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Complete a frase:
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Um dia terei ao pescoço...
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a) Um colarinho romano.
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b) Uma gravata pirosa.
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c) Os dentes dum vampiro.
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d) Um nó corrediço.

Questionário 4

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Complete a frase:
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Um dia terei...
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a) A cabeça vazia.
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b) A cabeça cheia de ideias.
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c) A cabeça vazia de palavras.
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d) A cabeça com as palavras ordenadas.

Questionário 3

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Complete a frase:
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Um dia serei...
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a) O teu amante.
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b) A tua mãe.
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c) A noite depois do dia.
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d) O dia depois da noite.

Questionário 2

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Complete a frase:
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Pela hora da morte...
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a) Está a sorte.
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b) Estão os dias.
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c) Está a morte.
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d) Está além da morte.

Questionário 1

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Complete a frase:
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Um dia destes...
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a) Finjo-me de morto.
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b) Deixo de chegar a horas.
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c) Dou um tiro na cabeça.
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d) Beijo até sufocar.

terça-feira, maio 21, 2013

Ópio-sonho

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Via-te novamente nua, com a novidade que a saudade confere. Fazia amor em arrepios, porque tomados por fantasmas os corpos não descansam dos medos adquiridos pelos dias.

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Faria amor como quem vomita o veneno que nos demos. Faria amor como a despedida que ficou por fazer.
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Há qualquer coisa de passado em todos os futuros. Há qualquer coisa que nasce quando alguém morre. Só o amor divino não tem doença nem defeito.
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Daria o que não tenho por um mergulho suicidário que me rejuvenescesse.  Daria a vida para voltar a viver. Daria esta vida por uma que valesse a pena. Daria tanto por um beijo num prado de solidão e melancolia.
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Beijaria a gruta mãe que todas as mulheres têm, fonte de generosidade. Como quero adormecer na tarde do silêncio e acordar numa manhã com aroma de maçãs.
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Quendera morrer no acto do amor, na ebulição do prazer e na dor tão boa. Numa ilusão de amor, numa verdade de carne, suor e beijos.
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Perder-me de sono e acordar noutro amanhã. Saciado de saudades, lavado de nudez. Pronto a renascer de amor imperfeito. 

quinta-feira, maio 02, 2013

Normótico

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Normose: finalmente tenho uma doença; comum como as pessoas banais, como eu. Logo, grave. Numa crise aguda torno-me português. Logo eu.

terça-feira, abril 30, 2013

Vício público

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O círculo é sempre vicioso, ao contrário da espiral.

Seguir a luz

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A janela do dia, porta de ânimo e sono, entreaberta pela dúvida de sempre: ser ou estar.
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Sem estar não serei. Porém inexisto-me em tanto lugar.
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Com o vinho transbordo-me fora do corpo.
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Sem água minguo-me.
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Palavras pequenas para grandes dias de conversa.
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Serei teu, enquanto estivermos.
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Luz do dia e vontade de dormir.

terça-feira, abril 16, 2013

Agonia

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Sofrendo deleitado, longas horas de comiséria. Fechar portas e janelas, fechar a luz, que é algo que não se fecha nem compreende.
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Respirar – que é tão bom – é doloroso. Com o peso da força da bala que entra devagarmente na cabeça, quebrando osso e liquefazendo o cérebro.
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A vida tem duas velocidades: parada e em movimento. A primeira é parada, e não existe, e a segunda é de vagar e rápida. Neste momento, toda a vida se resume às três ao mesmo tempo.
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Malcriadar duma só vez é uma ejaculação de desespero. Antes isso do que usar uma serra-eléctrica para cortar presunto ou melancia. Tudo para não rasgar gargantas nem desfazer as veias dum pulso.
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Não é explosão nem implosão. É explosão para dentro. Comer muita terra e escaldar a cabeça no Sol forte. Suar e ter a camisa colada pelo suor e poeira. Querer banho e não ter onde banhar-se. É tudo isso, agora.
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Não é raiva, é miséria.

quinta-feira, abril 04, 2013

Vagalume

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O vago sorriso das árvores e a sua sombra quieta, vislumbres do Paraíso. Ainda que passem carros e estrondem suas vozes, nada apaga a lembrança melancólica dos dias de Verão passados a sós.
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À noite, vagalumes imaginários confundem-se no céu da cidade. Suspiros da memória dos amores adolescentes... apenas dos descorrespondidos. Amores frágeis, sem confissões nem beijos. Horas de sexo imaginário.
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A noite torna-nos adultos, quando não nos deitamos. Meninos, quando embalados no sono, sorrindo como sorriem as mães.
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O silêncio das casas, os passos perdidos, a inquietude. Gatos-afectos. Gatos-esperança. Gatos-mata-angústia. O que acontece de noite.
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O sorriso dos velhos, linha quebradiça que separa a vida da morte. Sorriso tímidos, duma alegria baça, ternura por qualquer coisa que quem não é velho não sabe entender.
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Luz tímida e ar. Ar e não vento, porque o vento tem temperamento onde o outro tem alma. Tempo de passar, tédio alheado, enquanto cenas da vida se sucedem, para depressa se esquecerem. Passa a vida e resta a esperança de reencontrar quem se perdeu.
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O Verão está a chegar e com ele a opressiva luz da felicidade. A noite quebradiça da solidão é cruel no Verão. No Inverno aconchega-nos sofrida, comiserando-se com as feridas e embebedando a tristeza.
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Melancolia, a noite triste que é memória. A noite dos astronautas.
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Vaga luz, a esperança não tem rosto. Riscos de rasto, luz dispersa para contentar a noite.  Vagalumes.
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Nota: sim, sei que é vaga-lume.

Poesia

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Os poetas dizem umas coisas e os outros sentem-nas.

segunda-feira, abril 01, 2013

Agonia

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Caminho cruzado com a morte, berma de desejo. O problema moral do desejo e a consciência da solução. Sinto o arrepio do envolvimento e a agonia da vergonha. A tristeza de todos os dias tristes, num repente chegados. A boca amarga, desejando a doçura do limão. Chegados aqui... é voltar para a cama e esperar que os dias passem. Que a vida faça o que tem de fazer. Dormir para que a consciência e a vergonha não doam.

Memória das coisas

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A memória estúpida das coisas. Será que toda a memória é estúpida e bom é não lembrar... as coisas estúpidas têm memória longa. A dor prolonga-se em sabor. E as coisas que valem a pena? Passam depressa e são esquecidas. Para que se quer a memória? Rancor, amor e perdão... tudo isso. Mas o que queria mesmo era esquecer. Não ter vivido e talvez não ter nascido.

sábado, março 16, 2013

Madrugada

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Há uma madrugada no horizonte e cai-se na ressaca de música, julga-se. Está fresco, noutro dia seria frio. Se pudesse adiava o raiar e ficava imóvel, menos nos olhos, perante o mundo finito que a vista concede.
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Não é apocalipse é big bang. Mas não é nascimento, é uma sempre-morte.
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Sim, pode ser Lisboa. Lisboa e suas lágrimas, de noite e água chuvosa, de rio, de brilho lavado e de silêncio moribundo.
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Onde mais, perguntam-se afirmando: Onde mais?

sábado, março 02, 2013

Oz

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O som do tempo. A luz mágica das terras invisíveis. O vento.
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Todas as palavras que definem cidade e todas as que dizem casa. Todas as palavras que dizem mistério e todas as de luz.
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Nesse sítio de Oz emerge como uma santa, em brilho, paz e música, a musa do doce olhar. Traz a tranquilidade do dia perfeito e a luz do arco-iris. Toda feita de zen e açúcar.
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Vem com cânticos gravados na alma, rejubilando quem a ouve. Espera resposta à sua promessa e a recompensa de abraço.
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O som do tempo. Dois anos menos uns minutos, quase. O relógio nunca se atrasa, por vezes perde-se. Encontram-se as palavras nos olhares e as almas nos abraços.
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No sítio de Oz é sempre amanhecer e a água é doce, fresca de nascente. Passarinhos a piar? Pode ser. Pode ser o que se quiser desde que em paz.
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Trovoada, só na queda livre. Uma mão amparará sempre, porque Deus está em Oz. E Oz fica onde se está de olhos no amor e a boca na boca.
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As falas de jura e enlevo podem ser nuvens claras ou lençóis estendidos no amor. O som do tempo, cantata de anjos.
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Sonha-se com a terra que se vive, uma qualquer paisagem. Zen em Oz, sempre com o amor amado.

Pecado

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Sem pecado não há Paraíso.

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Ai, ai...

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Viver o não-tempo é tão penoso quanto o tédio, tão penoso quanto o ter-que que não apetece. Há dias na vida que trocava por dias de vida. Estar morto não é problema, o problema é estar sem viver.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Estar vivo

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Hoje fumo um cigarro, para esquecer ontem. Hoje tomo os comprimidos que me porão como anteontem. Hoje beberei água e trabalharei. Hoje acordei para não me apetecer. Hoje fugirei daqui.
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Estás linda a meu lado, dormindo enquanto as minhas palpitações comprimem o coração, afogam o respirar e oprimem a alma. Se estivesse a morrer, acordarias…
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Deste dia não haverá memória. Ameaça de chuva, frio e tédio.
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Esmagado, encastrado num sofá, vejo que não acabei o uísque. Sem ressaca, o odor da ressaca está no copo. Agora está tudo quente, ou pior, morninho.
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Na inquietude do sono, a humidade da vida. Se é Inverno, devia ter frio.
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São dias destes que confrontam: para que serve viver?

domingo, fevereiro 10, 2013

Três rosês com banda sonora

Olá, como se viu no texto anterior (no blogue do lado), não gostei muito da Essência do Vinho. Entre alguns  encontrões, ainda poucos porque eram 15h00 e picos, deu para provar três vinhos, todos rosados.
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Rosado, um critério como outro qualquer. Não tinha muito tempo, era impossível ir a todas as bancas… enfim, fui colher rosas e não me piquei. Três propostas para tragar com muito prazer. Três produtores que têm lugar habitual aqui no blogue: Adega de Borba, Casa de Cello e Sogrape.
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Estes vinhos não são comparáveis, podem facilmente completar-se num dia bem passado, quando o calor dilata os corpos e encolhe as roupas. Vinhos para convívio marcado para o fim de tarde e final nocturno… dançar na praia, com gente amiga… o mar a bater, os olhos a seduzirem… quero ter outra vez 17 anos.
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Encontro a partir das 18h30 em casa da Inês e do Paulo, com piscina e praia perto. Duche tomado depois da praia e uma vontade louca por água fresca e uma sensação palpitante na pele (devia ter posto mais protector solar). Saciada a sede e acolchoada a barriga, para que a naite (night) não seja aos tombos, momento para o primeiro vinho.
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Mateus Sparkling. Espumagem suave e elegante. Que coisa boa! Refrescante, sensual, com muita maçã (verde e golden smith) e pêra Williams. Que bem que vai com uns salgadinhos, um queijo de cabra para comer à guloso.
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Vegia Rosé 2011. A Casa de Cello não bota pra fora os vinhos logo a seguir ao seu (suposto) término. O vinho aguenta mais um ano. Ai aguenta, aguenta. Ai aguenta, aguenta. Este tem um absolutamente salivante aroma a framboesa, uma doçura de cair para o lado. Porém, na boca é seco. Muito seco. Dizem os amigos do Cello que vai bem com peixes gordos. Azar! Não como peixe… tenho a certeza que as febras na brasa até se lambem ao saberem que vão juntar-se na mesma refeição. Este é dos rosados que mais prazer me deu alguma vez beber.
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Adega de Borba 2012. Sensacional aroma a pastilha elástica de morango. Os miúdos, todos menores de idade, vão adorar… depois caem, mas hão-de se levantar. E os seus pais e amigos adultos? Vão passar a noite de copo na mão, a gulosarem-se com gelado e sorvetes, de melão, morango, groselha, limão...
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Já se sabe que a dada altura um arma-se em urso e vai beber cerveja. Mas como Deus castiga, não com paus nem com pedras, mas com sua divina sabedoria… o malandro terá ressaca no dia seguinte.
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Há sempre dois que acabam com Água das Pedras e os outros divertem-se com rosé até ser dia, sem sombra de ressaca.
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Depois há que acordar tarde, ir para a praia e… a festa repete-se.
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Mateus Sparkling
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Origem: X
Produtor: Sogrape
Nota: 5/10
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Vegia Rosé 2011
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Origem: Dão
Produtor: Casa de Cello
Nota: 7/10
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Adega de Borba Rosé 2012
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Origem: Alentejo
Produtor: Adega de Borba
Nota: 6,5/10

A vida vive sempre

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Não te quero confrontado pelo medo, logo tu, herói de vida. Há sonhos e pomares de laranjeiras. Olhos que viram tanto, têm vidas para contar. Há alma e altura guardadas no repouso inquieto dos dias correntes; tudo ao mesmo tempo, passando diante das vistas. Não chegam os abraços e é tanta a generosidade, quanto as promessas e os sonhos em catadupa, as palavras desenfreadas, verdadeiras na essência. Há coisas que te não posso dar, mas posso dar-te um beijo na alma infantil e abraço ao teu abraço; enlace que tenta unir o céu. Se até hoje não envelheceste, não poderá ser o medo que agora te derrotará.
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Nota: Para o grande amigo Carlos Fagulha.

sábado, fevereiro 09, 2013

Banho da memória

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Vi e logo chegaram os dezanove anos, quando quase dormimos e te vi tomar banho. O campo debulhado, o calor e o corte de cabelo. A vida estava prestes a mudar, mas naquele Verão tudo era Primavera.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Sob a sombra

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Disseram que Zanskar é uma terra maravilhosa e distante. Disseram-me como se fosse uma terra de literatura, de literatura oral. Disseram-me que só foi descoberta, para além dos antepassados de quem lá está, em meados do século vinte.
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Disseram-me, é certo que sou crente. Tanto faz. Fica longe e é terra de mitos. Lá chegaram poucos, porque são poucos os que lá vão.
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Agradam-me as terras impossíveis, os territórios invisíveis nos mapas, os reinos de pouca gente. Sou sedentário e com os pés cansados. Não irei a Zanskar.
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Aqui tenho Sol e não me obrigam a andar. Basta-me uma imperial fresca e uns amendoins ou pevides de abóbora. Basta-me a chuva e um cálice de vinho, quente cá dentro.
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Basta-me o chão e os olhos bastam-se no pavimento. Sossegam-se na monotonia dum cão a passar e alegram-se fantasiando coisas obscenas quando passa uma bela rapariga.
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Olho e vejo árvores. A cerveja desfoca além da linha dos pés, quando as pernas estão esticadas. A sombra seduz-me, cruzada com a música inquietante de ébria. Os tremoços acabam por enfastiar, no Verão comem-se caracóis, mas gosto mais de amêijoas à Bulhão Pato, das verdadeiras.
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O dia roda e as sombras esticam-se, pardam-se, intensam-se. O que fica entre a sombra e o chão. Enigma de física, religião ou filosofia? Poesia de se esquecer. Vinho.
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Sob a sombra há um espaço ínfimo-infinito. Uma terra de anões microscópicos, que colhem floras específicas da penumbra. Esse mundo acaba quando o lusco-fusco se apaga e renasce sossegado no primeiro bocejo da manhã.
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Sob a sombra, um reino ínfimo-infinito. Zanskar, por que não?

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Azul como o limão

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Tirei o doce ao limão e bebi o amargor, sonhando com veneno e como se estivesse consciente.
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Dizem que o azul é triste. Não sei, não percebo. Triste seria a vida sem azul. E a luz sem azul.
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Triste será o verde, que dizem ser da vida.
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Enjoa-me mais o amarelo, do limão. Até lhe prefiro o amargor.
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O negro é luto? Seja, viuvez de luz. E toda a cor é a coisa nenhuma que o branco não é.
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Cru, despojamento. Sem luxo nem glória. Tecido tosco, humildade. Luto?
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Ah! Magnífico é o escarlate e o carmim é eminente. O azul é real.
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Real é o azul do céu, sítio sem alcance. Azul é triste? Triste é só beber limão com açúcar.

Nós aqui tão perto

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Essa luz que seguras nos olhos é sol e água e ar. A boca de maternidade, nem zangada se embruxa, mas de beicinho endiabra. Com as mãos seguras sem agarrar, o abraço é agasalho e o beijo é refresco de água em dia de sede. É tudo o que te quero dizer antes de te mentir.