digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

domingo, fevereiro 10, 2013

A vida vive sempre

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Não te quero confrontado pelo medo, logo tu, herói de vida. Há sonhos e pomares de laranjeiras. Olhos que viram tanto, têm vidas para contar. Há alma e altura guardadas no repouso inquieto dos dias correntes; tudo ao mesmo tempo, passando diante das vistas. Não chegam os abraços e é tanta a generosidade, quanto as promessas e os sonhos em catadupa, as palavras desenfreadas, verdadeiras na essência. Há coisas que te não posso dar, mas posso dar-te um beijo na alma infantil e abraço ao teu abraço; enlace que tenta unir o céu. Se até hoje não envelheceste, não poderá ser o medo que agora te derrotará.
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Nota: Para o grande amigo Carlos Fagulha.

sábado, fevereiro 09, 2013

Banho da memória

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Vi e logo chegaram os dezanove anos, quando quase dormimos e te vi tomar banho. O campo debulhado, o calor e o corte de cabelo. A vida estava prestes a mudar, mas naquele Verão tudo era Primavera.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Sob a sombra

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Disseram que Zanskar é uma terra maravilhosa e distante. Disseram-me como se fosse uma terra de literatura, de literatura oral. Disseram-me que só foi descoberta, para além dos antepassados de quem lá está, em meados do século vinte.
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Disseram-me, é certo que sou crente. Tanto faz. Fica longe e é terra de mitos. Lá chegaram poucos, porque são poucos os que lá vão.
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Agradam-me as terras impossíveis, os territórios invisíveis nos mapas, os reinos de pouca gente. Sou sedentário e com os pés cansados. Não irei a Zanskar.
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Aqui tenho Sol e não me obrigam a andar. Basta-me uma imperial fresca e uns amendoins ou pevides de abóbora. Basta-me a chuva e um cálice de vinho, quente cá dentro.
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Basta-me o chão e os olhos bastam-se no pavimento. Sossegam-se na monotonia dum cão a passar e alegram-se fantasiando coisas obscenas quando passa uma bela rapariga.
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Olho e vejo árvores. A cerveja desfoca além da linha dos pés, quando as pernas estão esticadas. A sombra seduz-me, cruzada com a música inquietante de ébria. Os tremoços acabam por enfastiar, no Verão comem-se caracóis, mas gosto mais de amêijoas à Bulhão Pato, das verdadeiras.
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O dia roda e as sombras esticam-se, pardam-se, intensam-se. O que fica entre a sombra e o chão. Enigma de física, religião ou filosofia? Poesia de se esquecer. Vinho.
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Sob a sombra há um espaço ínfimo-infinito. Uma terra de anões microscópicos, que colhem floras específicas da penumbra. Esse mundo acaba quando o lusco-fusco se apaga e renasce sossegado no primeiro bocejo da manhã.
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Sob a sombra, um reino ínfimo-infinito. Zanskar, por que não?

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Azul como o limão

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Tirei o doce ao limão e bebi o amargor, sonhando com veneno e como se estivesse consciente.
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Dizem que o azul é triste. Não sei, não percebo. Triste seria a vida sem azul. E a luz sem azul.
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Triste será o verde, que dizem ser da vida.
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Enjoa-me mais o amarelo, do limão. Até lhe prefiro o amargor.
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O negro é luto? Seja, viuvez de luz. E toda a cor é a coisa nenhuma que o branco não é.
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Cru, despojamento. Sem luxo nem glória. Tecido tosco, humildade. Luto?
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Ah! Magnífico é o escarlate e o carmim é eminente. O azul é real.
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Real é o azul do céu, sítio sem alcance. Azul é triste? Triste é só beber limão com açúcar.

Nós aqui tão perto

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Essa luz que seguras nos olhos é sol e água e ar. A boca de maternidade, nem zangada se embruxa, mas de beicinho endiabra. Com as mãos seguras sem agarrar, o abraço é agasalho e o beijo é refresco de água em dia de sede. É tudo o que te quero dizer antes de te mentir.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Em nós

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Tens os olhos mais doces. Ainda que escondidos ao dormir, vêem-se doces do outro lado das pálpebras. À minha volta, tuas mãos despem-me e despimo-nos o desejo e beijamos as juras que sabemos. Dou-te a minha almofada e roubas-me o lençol, aqueces-te em mim. Só não tenho frio por causa dos teus olhos doces. Num beijo partilhas a cama toda, adormeço. 

A odalisca calada, pela calada

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Quando te vejo sonho em que nunca ninguém me quis tanto dizendo não querer com a boca e querendo com os olhos. Ainda que os lábios não digam palavras, o teu peito chama por mim. Vou onde me mandares e estarei enquanto não adormeceres.

Não faças isso

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Não durmas enquanto sonhas comigo.

O suspiro da odalisca

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Sim, agora dormes. Não dorme o meu desejo. Em ti estou. Antes e depois de acordar.

Odalisca acordando

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Acorda. Estou há tempo demais a contemplar a beleza descuidada. Temo que sofras por me veres. Sei que é falso pudor, porque há muito despertaste. E despertando assim despertas-me a vontade de a teu lado dormir.

Vendo

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Faz de conta que não me vez, que farei de conta que não te vejo. Faz de conta que não me vez a vontade. Fazes-te a vontade do prazer de comigo judiares. Não te cubras, porque maior será a proibição e mais preste o apogeu, no medo que tudo perca de ver.

Episódica Odalisca

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Quero ser o teu califa. Por uma noite, episódica odalisca. Surges em sonhos e partes antes de chegares.

Odalisca recatada

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Disseste-me que não, não podia. Fizeste-me segredo, o teu peito de flores. Sou abelha e nele quero poisar e saborear o doce, depois o salgado, depois do amor.

Sonho com odalisca

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Nua atrás de cortinas de seda. Surges como um fantasma. Sem te ter evocado. Acordo sem saber se sonhei.

Água de odalisca

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Beijo-te mais íntimo. E tu onde me matas. Inalo-te e bebo. Água doce da vida.

Odalisca captora

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Bem que me olhas. Sou eu quem está prisioneiro e tu quem guarda. Fera contida, gata feliz, brincando com a presa. E quando assim me olhas, dou vida e desmaio.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Que não se lembre

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Não tenho como ver o que não quero ver. Sei que não sei se deva ter o que não sei se há. Por retórica olho para baixo para ver o céu e espero que Deus não me veja. Espero que Deus não se lembre. Julgo que Deus se esqueceu. Quer sair e que se me virem pensem que não os vi. Quero ser autista se não puder estar morto.

Atrás dos tempos vêm tempos e nada de bom há-de vir

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Nos locais deslumbre, as conversas importantes. As linhas impressas, as salas do fumo. O vinho e o uísque. Frente à secretária, ao telefone. Pensando que não partiria. Que se partisse não voltava. Uma bicicleta só de subir e o amor. Muito amor que era sexo e um amor que era cego. Tudo o que poderia ter sido.
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Já me ri de fumar. Já me arrependi. Já dei graças a Deus. Já me esqueci de dar. O que julgava saber e o que não sabia que não sabia. Depois de adivinhar o futuro nas mãos li a vida nas cartas. Nunca me cheguei a arrepender. Nem o medo. Tudo o que fui.
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Andei à chuva em dias de sol. Abriguei-me em solidão junto ao mar, e não fui. Sepultei-me e ressuscitei morto. Chorei de amor e chorei de mim. Desejei ser canalha. Quis uma vida banal. Renasci sonhos grandes. Bati com os dentes na realidade. Deitei-me atrasado. Dormi adiantado e eterno. Desejei apenas dormir. Tudo o que tenho sido.
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Se o amor não falta, sobra a dor rija. Não levo a vida para frente. Não volto atrás. Peço que a parede não me esmague devagar. Volto aos locais antigos. Como nunca soubesse que haveria de voltar. Ainda não sei se quero. Recordo as músicas e evoco as noites. Evoco caras. Choro as esperanças e angustio-me nas desilusões. Batem-me na memória frases dolorosas e coisas de que me envergonho. Tudo o que sou.
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Atrás dos tempos vêm tempos. Da tristeza à esperança. Da desesperança nada sobra para andar. De joelhos inconformado, impotente, quase morto. O que tenho de ser.

Beijo

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Beijo-te onde menos queres, porque é onde mais desejas.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

O Chuqui e elas

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O refilão cá de casa… o que se julga grande, mas só pesa sete quilos, que se atira a pastores-alemães… esse que ladra a todos, com o rabo a dar, para brincar… que adivinha quando vão tocar à campainha na porta da rua… o saco das pulgas… hoje olhava vivaço para a Lioz, mais alta dois palmos. Ela recolheu as orelhas, como um caça supersónico. Ele baixou-se das pernas, fez um ar infeliz e soltou um leve e envergonhado ganido, partindo-se dali. Ele manda em casa, mas já percebeu que um gato é um gato.

Bandeira de água

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O homem não é acrobata, ela é quem voa. Ele, a segurança, e ela a essência. Ela bela e ele músculo. Ela arte e ele engenharia. Ele cavalo e ela a flor. Ele pedra, ela água. Ele resiste, ela vence.

Abracadabra

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Abracadabra. Abre as pernas, minha cabra. Nada como dizer buceta, que todos acorrem à procura de ninfeta. E se escrever cona, não se espera que seja matrona. Certo é sabido que cona e buceta abrem mais portas que abracadabra.

Vem cá, vem

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Quero-te a vida toda. Não disse: quero-te para a vida toda. Se for drácula, é o mesmo… ora, chega aqui o pescoço, se fazes favor.

A casa dos sete

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Três gatas carentes e um saco-de-pulgas que se julga cão. Depois ele. Depois tu e só depois eu.

Fogo-preso

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Tens aí um beijo preste a cair e não me pedes para o apanhar. Prestes a despenhar-se e eu sem o poder salvar.
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Tiro-te a roupa como quem dá um beijo. Mãos quentes em pele fria de corpo em brasa. O peito erguido, a colina do ventre, o vale das pernas e o cofre do tesouro, onde aromas férreos, de caramelo e sal, sobressaltam como uma fonte.
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Sim, as mãos. Que pegam e quase saciam. A boca que fica perto do clímax. As mãos que se dão nas mãos, o ventre com ventre. O homem dentro da mulher.
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Sonho com a tua almofada e com silêncios de palavras de arrependimento e fúria de cair novamente no abismo do prazer.
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Não partilho a cama, partilho o corpo. Quero-me em ti e que me dês a tua humidade. Dou-te calor e dás-me sussurros.
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Quero-te já. Com mãos, boca e revelação. Dentro de ti. Adormecer, ir e voltar.

domingo, janeiro 20, 2013

Tu, que estás lá no alto, divindade

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Deita-me o abraço, porque é escada para a tua altura. Beija-me, porque é foguetão para a tua alma. Vem-te, porque é luz no meu coração. Dou-te tudo, porque te dás. Deitas-te a meu lado e dizes boa noite. É até já, porque acordados ou longe, juntos ou dormindo, estamos e estando, estamos mais. E por tudo, beijos e promessas. Certezas.

Gostava

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Gostava de te ver nua. Que as minhas palavras escritas te despissem. Que os teus dedos te amassem. Que a tua boca me chamasse. Que as minhas palavras ditas te abrissem. Que a tua boca me amasse e a minha também beijasse.
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Gostava de te descobrir e a ti voltar e não me perder. Que te não perdesses, mas quisesses. Que desses de beber às minhas frases. Que as minhas mãos te lavrassem. Que a tua árvore me desse a maçã de Eva e Adão. Que o teu suor se juntasse ao meu.
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Gostava de me explodir em ti. E tu te iluminasses comigo.
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Gostava que fosse já. Gostava que fosse proibido para nos transgredirmos. Que uma noite fosse a primeira e outra a última. Que fosse sempre despedida. Que estivesses sempre despida. E eu amante capaz.
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Gostava de tremer as mãos. Que as tuas seguras me tremessem. Que as línguas conversassem pelos corpos. Que me acolhesses. Para explodir em ti e te dares comigo.

sábado, janeiro 19, 2013

Ascendente no décimo terceiro signo do zodíaco

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Quero agora. Porque agora o zodíaco está com alguma coisa no apogeu e um planeta em retrógrado. Agora, porque vejo no céu a mulher. Talvez a que sempre quis, nua e em mentira distraída.
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Agora que a luz abafa as estrelas. Nem assim o zodíaco diz outra coisa.
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Quendera ter a sorte q‘uma escada que me ascendesse. Que um ufo me subisse. Que ela lá estivesse e me esperasse. Que quisesse o meu desejo.
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Corpo concentrado. Essência de abraço e suor destilado. À frente de todos, escondidos nas nebulosas. Eu e a deusa da fantasia e do desejo.
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Depois, espreguiçados na Via Láctea, imprudentes deixando verter o lençol, sugerindo ao mundo o que se passou.
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Envergonhada, dissipada. Abandonado e sem transporte.
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Está escrito nas estrelas que um dia.

Como se fosse um filme

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Acordei com vontade que algo acontecesse. Que o vento trouxesse a mulher invisível que também transpusesse o vidro e, numa operação relâmpago, tomasse conta do meu corpo e abusasse da minha boca.
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Acordei. Finalmente e com uma saudade prenhe de qualquer coisa que não quero dizer com todas as letras. Suspiro profundo e quente.
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Por mim, o frio está bem. O que mais quero é a noite e a cama e não a manhã. O segredo de coisas importantes sem espessura.
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Conhecer a pele e a boca. Segredar coisas sem importância e não ficar até ser luz.
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Luz-penumbra que não revela toda a beleza. Brevidade de amor que, não sendo a amor, lhe toma a vez. Por minutos de intenso calor e loucura.
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Mais do que lençóis amarfanhados, uma noite incerta. Memorável pela incerteza dum regresso.
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Acordei e sonhei. Agora não consigo tirar da cabeça quem não entra no corpo. Saudade de qualquer coisa que não sei.