digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

sexta-feira, janeiro 18, 2013

O pinot noir de João Barbosa

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Ando para aqui com o blogue atrasado e cometo outra gafe… não foi o senhor Cunha que me veio pedir, sou mesmo eu quem laborou a coisa. Textos vínicos em bicha de espera e este entra logo. Pareço eu no Lux! À frente de toda a gente e sem pagar. Diga-se que aqui também ninguém paga nada.
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Entrevistei (profissionalmente) o meu homónimo dos vinhos Ninfa e Lapa dos Gaivões. Estava marcado nas estrelas que «João» e «Barbosa» quando se juntam dão pessoas fantásticas. Ele e eu (!!!) somos pessoas fantásticas… eu, principalmente sou belo e gracioso, apesar dos cento e alguns quilos. Além do mais, sou do Belenenses!
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Contei-lhe que um dia hei-de fazer um vinho: lote de baga, ramisco e touriga franca. Ainda lhe disse que ia ter um problema com ele, por causa da marca, mas João Barbosa continuou simpático. Bolas!
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Brincadeira à parte, o senhor é uma simpatia e atenciosidade (existe?) que cativam. Como escrevi e disse (é feio fazer autocitações, mas eu posso) muitas vezes, a paixão, trabalho e empenho traduzem-se no final. O amor que damos reverte. É a lei do retorno…  quem faz com pouco gosto nunca fará bem feito. É por isso que a comida das mães é sempre a melhor do mundo…
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Ora, seis vezes três: dezoito… vinho do Tejo? Pois, não é o que se pensa quando se fala em grandes vinhos, ainda que se saiba que a qualidade cresceu muito de há uns (poucos) anos a esta parte.
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Grandes vinhos? João Barbosa tem vinhos de qualidade inquestionável, mas tem um que é absolutamente fora de série… fora do sério. Vim do Alto da Serra (Rio Maior) excitadíssimo para escrever este texto. Há muito tempo que não me comovia assim e poucas foram as vezes em que me empolguei desta maneira.
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O vinho ainda não está engarrafado e só será descoberto daqui por uns meses. Entretanto, João Barbosa deu-mo a provar. Fantástico! Ou fazendo um trocadilho com as línguas portuguesa e inglesa: funtástico!
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Trata-se dum pinot noir como haverá poucos, quiçá nenhum, em Portugal. Tem cor de pinot noir e é elegante como um bom Borgonha. Suave e macio; não é veludo, é seda. Seda, mesmo. Uma acidez de ressuscitar. Um ataque de coração pelo melhor. Emoção, vida, personalidade e carácter. Um vinho único, que um enófilo tem de provar.
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A colheita é de 2011 e, como só acontece com os grandes vinhos, tem séculos pela frente. E irá em crescendo. Dez anos? Espero voltar a ele dentro de dez, vinte e trinta anos. Um colosso!
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Desculpem-me tantos elogios, mas estou nervoso de contente. Ganda pinta de vinho!
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Tenho, no livrinho do coração, alguns vinhos portugueses que me conquistam ano após ano, os meus Grand Cru, que não dispenso e que ponho as mãos no fogo pela sua qualidade. Quero bebê-los até morrer e a eles voltar na próxima encarnação: Quinta do Vale Meão, Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria e Cavalo Maluco, nos tintos, e Maritávora Grande Reserva Branco.
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O meu pensar do que quem faz por gosto, ou quem acarinha o que é seu, sangra amor e deleite é válido para Francisco Olazabal, conde de Foz de Arouce, José Mota Capitão e Manuel Gomes Mota… além dos respectivos enólogos (Francisco Olazabal, João Portugal Ramos, Paulo Laureano/Mota Capitão e Jorge Serôdio Borges), penso eu (de que, como terá dito aqueloutro senhor do Porto). Isso mesmo se pode dizer de João Barbosa e do alquimista júnior, que já não é nenhuma promessa, Pedro Pereira Gonçalves… o tal que, quando estava em Vale d’Algares, me prometeu uma prova cega de tintos…
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Bem, dessas minhas referências portuguesas de eleição nenhuma leva nota abaixo de nove… sendo que (já me cansa escrever isto tantas vezes) a classificação não é nem óbvia nem proporcional… o três é positivo e não é nem metade, nem um terço nem um quarto de quatro… é três. E o dez é uma nota aberta, que vai do dez até ao infinito antes de onze.
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Este pinot noir de 2011, que João Barbosa irá um dia mostrar ao mundo, terá, pelo menos, um nove. E tenho quase a certeza que assim será para sempre. Como o amor.

terça-feira, janeiro 15, 2013

Da janela

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O cinzento-lilás do céu e o verde-clorofila da placa luminosa do hotel. A janela sobre a rua de carros e o frio que nela embate.
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Sim, o coração salta e o tédio anseia o que não quer para amanhã; acordar cedo para trabalhar. Pudesse o tédio ser ócio e a vida só abundância.
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Habituado a uma rua de bairro, vivo junto ao movimento constante acelerado, numa rua quase suburbana e no centro. O que gostava mais na outra casa era o bairro. Neste bairro gosto mais da casa.
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Neste Inverno: Madeira doce. Tão desejável que não me imagino a beber outra coisa no Verão. Figo seco, amêndoa, noz, caramelizado, finíssima canela e um fio quase invisível de pimenta preta. Digo: Há algo mais maravilhoso do que um Madeira doce?
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As gatas, feridas no mimo, e o cão, que às vezes se julga gato, tem ciúmes das irmãs felinas. Já lhes ladra menos, mas elas sopram-lhe. Hão de se dar bem. Que assim seja! Que Deus o queira! E que haja sempre Madeira doce.
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Por baixo do quarto há um vizinho que ressona fragante. O que diriam os de cima se dormissem sobre o meu quarto. Esses, doutores em palermice, acordam e deitam-se e nada mais fazem do que existir, entre a imbecilidade, a mediocridade e a imbecilidade.
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Quero ver o céu no Verão. Se ainda aqui estiver e com o coração apertado de afecto e descoberta. Se não estiver, que tenha o peito como agora.
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Por agora contemplo o céu cinzento-lilás e acalmo-me e contenho-me, para que tome um outro cálice de Madeira doce.

Sim, sim, siiiiimmm...

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Tenho cócegas nos teus pés.

terça-feira, janeiro 01, 2013

Mao


(suspiro)

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Partilho-te o sonho e durmo-te. Ainda hoje acordo ensonhado para te ver ao lado, para acreditar. Ainda mais: o abraço e o beijo. Tu, delicada, com turquês, tenaz e ferro em brasa arrancas-me a dor de burro do coração, cauterizas e deixas viver.
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Quando me afogo, são os teus beijos que me acordam. A pele das tuas mãos que me sacia a carne. A fina película da boca que me injecta luz.
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Não te posso falhar. 

Promessa

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Não posso falhar. No primeiro dia da vida. Ainda que só a queda me alegre o pensamento e me dê alma à alma.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Frio ou sopas

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Não gosto de artistas e não tenho paciência para poetas. Os distraídos irritam-me e enfurecem-me opiniões divergentes. Gosto do sossego do-que-nada-muda. Gosto da arrumação e da autoridade.
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Posso tolerar tudo e abdicar que quase tudo. Mas não perdoo a atrasados.
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Quanto ao resto… tenho pouca paciência para mim.

Dias que são noites

A minha fé é egoísta e a minha dúvida não se acalma com uma igreja. A alma espera a luz, mas o ânimo cede ao peso do granito do templo, o corpo confunde-se indeciso. Nos dias tristes, a luz não passa nos vitrais e Deus está ocupado. Não há acalmação da melancolia, pasta pegajosa de indolência, lentidão e desânimo.
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Há dias em que se é cigarro que a vida fuma; pior: cinza que a chuva leva. Dias de natureza morta e quartos de sombra. Dias de passado. Dias de lonjura.
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Não quero ser peixe, mas também não quero isto. Deus não quer saber das minhas birras e eu perdi a confiança. Nem canário. As gaiolas são tristes, tiram luz aos olhos.
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Há um sufoco que entontece e derruba. O sangue aquece-se na frieza da vida e transborda das veias, em fúria. O corpo cede ao seu peso e a alma perde-se nos escombros.
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O azul não paga portagem e o negrume é luz que não se apaga. A sombra não tem burburinho, esse está no lusco-fusco. Mas as auroras e os entardeceres estão encostados à noite, onde o silêncio assassina. Os dias… se tivessem luz, eu acreditaria em Deus.

É tão verdade


Tristeza e melancolia

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A que te deita e a que te não importa.

Rua

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A rua é onde as intimidades se ocultam e as personalidades se misturam. A rua é castanha e tem barulho. Até na calada há eco de passos e se nada se passa, então a rua não existe. A rua não é uma praça, onde as vozes se unem e se fazem multidões. As praças são os olhos das cidades, mas as ruas são as mãos. Há ruas tristes, dos bairros sossegados. Há ruas luminosas, que têm vistas. Há ruas feias, de gente feia. Há ruas lindas, de lojas lindas. Há ruas falsas, de gente perigosa. Há ruas de e para tudo. E gente de toda a espécie em todas as ruas, como nas praças. Agora que deixo a minha fica-me um amargor por amar e a incerteza dos amores novos. Como em pequenino, tenho medo do escuro.

Calor

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O Sol que chapeia a minha fachada só me aquece o corpo. Sou um burburinho de cascalho rolante, rio sem água.
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Quem olha a monotonia do chão não vê a transcendência do manto e desconhece que o fresco do enterramento dá, mais abaixo, lugar a um calor de suor.
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A memória da água é mais longínqua que a boa vontade da minha imaginação. Onde distraidamente se passa em diante houve um rio, antes um glaciar e antes princípios de mundo.
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O Sol seca e a chuva ilumina dos seixos. Pedras que apedrejam por dentro quando o Sol apenas bate sem pensar.
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Sei que se me deitar e me esquecer só a terra me saberá. Um dia, uns palmos frescos, dormirá o corpo. A alma vagueará à procura de calor.

quinta-feira, outubro 18, 2012

Apocalipse

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Não falta muito para o Apocalipse e falta-me descobrir quem são as cavaleiras das tragédias. Conto três, a que traz a Balança, a vestida de Lacrau e a Centaura… quem mais? A ausência dá-me a fé de o mundo não acabar a 21 de Dezembro. Mas o mistério intranquiliza-me. Não paro de pensar nisso.

O fim do mundo está quase

Faltam dois meses e três dias para o fim do mundo e ainda não pensei no que vou servir no jantar desse dia.

Árvore

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No jardim de degredo, a árvore do silêncio, única companhia de homem de palavras. Juntos escrevem. Ele em voz alta e ela emprestando seiva e concedendo sombra.
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Sem muros. Só a parede da distância e a solidão, concedida pela desvontade de andar. Ficar, na preguiça de mudar a vida num nanossegundo. Nem uma brisa que despenteie.
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Sol ou chuva, tanto faz; a vida lenta, entre a indolência e o tédio. Relva de se deitar e vontade de fumar.
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À sombra da grande árvore, de tronco quente e cúmplice, deixar dormir e sonhar, sem que o sonho fuja do jardim de solidão, por medo de perder a casa da alma.
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Não há amores, só a pasmaceira da deslembrança das paixões. Pálpebras pesadas, de desistência, e nenhuma coragem nas mãos.
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Um dia haverá silêncio sem palavras, só a sombra viúva da árvore.

segunda-feira, setembro 24, 2012

A Terra Prometida

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Diz-me que és e estarás. Diz-me com essa boca de beijo que me amas e jamais me abandonarás. Diz-me com uma mão no meu cabelo que estarás a meu lado quando acordar. Diz-me que terás os braços ao meu redor quando acordar. Diz-me com os olhos excitados para te despir e meter na cama. Diz-me de manhã com os olhos ensonados que te dê o abraço que falta para o banho. Diz-me com os dentes muito brancos para te levar o pequeno-almoço à cama. Diz-me que não gostas de rosas para que te possa oferecer malmequeres. Diz-me que queres todos os meus instantes e que me dás os teus. Diz-me que os meus beijos só se parecem com os meus beijos. Diz-me…
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Não haverá cigarros na contemplação do tecto depois do amor. Nuvem de palavras com certeza, silêncios e sonhos. As vozes vão interromper-se e haverá preguiça de ter preguiça, para que tudo se componha até a preguiça poder voltar.
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Sei que haverá pés descalços na madeira do soalho e cheiro a detergente na cozinha. Haverá frango assado e batatas fritas de pacote, Coca Cola e cervejas, guardanapos de papel, nódoas de qualquer coisa e pingos de tinta.
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Haverá noites de angústia na esperança, uma sensação de salto e temor de queda. Haverá dias de Sol e água na vidraça. Morrer e reencarnar. Viver e tentar não voltar a roer as unhas. Cigarros? Antes uma Sagres fresquinha.
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Diz-me que é tudo verdade.

sábado, setembro 22, 2012

quarta-feira, setembro 19, 2012

Fé verdadeira na fé verdadeira

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Sim, vi a luz. Tocou-me, mas não fui capaz de a agarrar. Tenho muito, mas foge-me. Um dia serei um cristão exemplar e com fé.

quinta-feira, setembro 13, 2012

terça-feira, setembro 11, 2012

Da cozinha

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Como homem, vibro com bugigangas... e perco-me com objectos de cozinha. Devo desconfiar da minha masculinidade?...

sábado, setembro 08, 2012

Ainda és? E já não estando...


Sentado num plano com o pôr-do-sol à frente e a noite compacta de estrelas atrás. Deus num lado e a facilidade do outro. Com o olhar não meço horizontes e a incerteza dos passos não me move os pés. Por vezes enterro os pés neste tédio de incertezas. Outras nado na felicidade de tudo.
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Costumavas estar aqui, mas foste. Conversas levaram-te. Ou afinal nunca aqui estiveste. Sei que estiveste. Disseram-me, explicaram-me e julgo ter percebido. Foi o teu corpo, ficaste tu. Só cheguei agora. Invisível? Invisíveis.
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Dizem que me culpabilizo. Não me perdoei, reconheço. Mas não tem nada a ver, não é por isso que te perdoo. Não tem mesmo. O teu engano não magoa. Se magoasse? Perdoar-te-ia como me perdoaste. Sem remorso e sem comércio.
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Talvez, se passar na rua, só te conheça o retracto. Além dos sonhos sei da tua bondade. Nos dias que passam mudaste. Desvias-te dos compromissos com Deus, talvez por amor a um homem.
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Essa é a tua vida. Se estás num cruzamento? Estou num plano de infinitos e aqui não passam estradas. Se estás em qualquer outro sítio? Não saio daqui. Se queres o que não dizes? Não te oiço e não te vejo.
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Explicaram-me e acreditei. Tenho todo o mundo para ir, mas nele não te encontrarei. Estou e só te sei depois do pôr-do-sol.
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Lavo os olhos no presente, colho flores e fico. Tenho todas as incertezas, menos uma: não estás aqui.
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Tudo à volta. Agora volto-me para dentro e regresso ao dia normal.

sexta-feira, setembro 07, 2012

quinta-feira, setembro 06, 2012

Meu Deus, o que fazer com estes vinhos? - ou Anima L8 e Cavalo Maluco 2009





















Arte e vinho são duas palavras que se casam. Tantas vezes se dizem que a verdade se esconde, tingindo a banalidade. Existe, e quando é salta aos sentidos e deixa na alma o inconfundível toque de Deus.
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Deus criou o homem, que criou o vinho. Deus tornou o vinho sagrado. Já o era, antes de Deus ser só um e se nomear apenas com o artigo definido no singular. O vinho celebra e evoca, atenua a dor e aviva a vitória, aquece a esperança, espelha a alma, a essência e o carácter.
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Perfeito é Deus, tudo o mais é procura e conquista. Estes dois vinhos são perfeitos; na dimensão do homem, dos seus momentos e suas contingências. São momentaneamente perfeitos, porque o vinho é uma arte do efémero. Como qualquer criação, são eternas as suas memórias escrita e falada.
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Gosto da tradição e da transgressão. Gosto que o sempre exista para sempre e que haja sempre quem queira inventar além do sempre, para sempre. Gosto dos artistas e dos oficiantes, gosto dos sábios e dos puros. Gosto dos académicos e dos iconoclastas. De todos, mas só dos verdadeiros.
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José Mota Capitão, enquanto produtor, pode ser isso e o seu oposto. Não privo, mas sei da verdade que transmite pelo olhar e palavras quando fala de vinho e dos seus vinhos. Como um criador, das artes ortodoxas, o vinho, a sua arte, é feito para si e não para o público. Percebe-se que faz os vinhos que quer e quer o que gosta.
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Repito e acrescento: Gosto dos académicos e dos iconoclastas. Mas só dos verdadeiros. A verdade dos vinhos de José Mota Capitão é o seu maior elogio e trunfo. A honestidade é um tesouro, mérito na vida e na arte.
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Mota Capitão não faz petit verdot porque está na moda, porque dá sainete, porque vende bem… pode isso tudo, mas faz petit verdot porque gosta de petit verdot. Cabernet sauvignon é outro gosto deste vigneron.
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Há umas semanas, a propósito duma reportagem para a revista Vida Rural sobre o cultivo de arroz, que também produz, provei as novas edições das suas mais procuradas criações: Anima e Cavalo Maluco, o L8 (2008) e o 2009, respectivamente. Face a colheitas anteriores, em alta, os dois vinhos.
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Dizia-me Mota Capitão que está a aproximar-se dos italianos, a deslindar cada vez mais tarde os seus sangiovese. O mais novo tem quatro anos e o vigneron já fala na hipótese de cinco anos para uma colheita próxima.
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A tesouraria empurra muitos vinhos para a rua ainda em criança, em vez de debutarem na mocidade. Ao ver as vinhas a evoluir com os anos, fica maior a vontade de fazer bem. Pois que os enófilos aguardem a revelação para a maioridade dum vinho.
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O Anima L8 está de se babar. Qualquer momento serve, é perfeito. O Cavalo Maluco é «um vinho muito bêbado», como definiu um amigo de Mota Capitão.
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O Anima L8 revela-se no nariz com café, especiarias (cravinho suave, pimenta branca ligeira), notas herbáceas, palha, terra, fumo ténue. Na boca é denso, tem uns taninos rugosos que enchem a boca, mas não a brutalizam, vê-se que será um senhor à mesa de quem o souber e conseguir guardar, tem potência e frescura, e um final levado da breca.
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É mais do que sabido que Mota Capitão queria ser índio quando era miúdo e brincava ao velho Oeste. Queria ser fora do todo, para ser diferente no todo e ser feliz, podendo livremente escolher o que queria e quem queria. Cavalo Maluco, o chefe sioux do povo Lacota… ilustre e magnífico. Que nome melhor para se transmitir numa obra?
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O Cavalo Maluco 2009… este é, esta edição, mais um que me deixa doido. O seu lote é composto por 60% de touriga franca, 30% de touriga nacional e 10% de petit verdot e é maravilhoso. Num primeiro embate um apetitoso e rústico azeite suave… deixado restabelecer-se do despejo no copo, o vinho assinala chocolate preto e fumo ligeiro. Adiante vêm aromas de amoras maduras, alguns tons herbáceos. O correr dos minutos confere-lhe anis, caramelo e azeitona. E já no fim, chocolate de leite e finura de café. Na boca tem potência e acidez, uns taninos de seda, e se tal se diz tantas vezes que, para se distinguir das outras, digo que esta veio pela Rota desde a China meridional. O final é longuíssimo.
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Nunca fiz sexo tântrico, mas consta que concede orgasmos longuíssimos. Este dá.
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Anima L8
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Origem: Vinho de Mesa
Produtor: Herdade do Portocarro
Nota: 9/10
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Cavalo Maluco 2009
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Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Herdade do Portocarro
Nota: 9,5/10
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Vinho, mesa, touriga-franca, arte, uma amiga, Vale Meão e Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria… interesses partilhados já descobertos. Um abraço JMC.

Tem ânimo

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Não esmoreças, haverá sempre alguém para dizer mal de ti.

Juro que era isso!

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– Se um mago te concedesse um desejo, que lhe pedirias?
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– Uma casa nova.
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– Um palácio, não?...
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– Não.
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– Deixa ver, uma vivenda num local idílico.
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– Não necessariamente…
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– Hummm… com espaço para uma boa garrafeira?!
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– Não, bastava que lá coubesse uma máquina de lavar loiça… é que odeio ter de a lavar.

sábado, setembro 01, 2012

Da Dinamarca

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Princesa da Dinamarca? Nem esturro! Os olhos que me encantam parecem-se com os de Ana, que não sei como se escreve, nem nome nem apelido.
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Princesa? Sim, loira e doce. Ah! Sábia e picante.
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Nos casamentos o rei é bobo e o amante desgraçado.
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Aquela dinamarquesa, a de Lisboa, da Baixa e do sexo… tantos anos depois e ainda é pombo no Rossio, ainda que cá não volte.
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Princesa por dias e não estará na história e a minha princesa era loira de pentelheira, garanto.. e mamava como uma princesa.
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Nota: Contei-lhe e ela, como se nada fosse, perguntou-me onde íamos. A dinamarquesa foi outra.

Cristina nua, vestida diante de meus olhos

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Hoje, esta noite, estive quase a ser feliz. Basbaque, quando reconhece na rua a cara que vê na tê-vê.
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Linda como imaginou. Mais linda e viva. Olhos mais vivos e sorriso sem preço, nem incerto e, muito menos, certo.
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Ali, frente dos olhos; mais baixa do que imaginada, mas mais doce também, com sorriso de além. Olhos cor de olhos de paixão… e a boca fina. Mais baixa e muito mais magra, muito mais baixa.
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Mas o peito… ah! O peito… grande e fixo, maior do que visto, nas intimidades consentidas. Linda!
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Eu a derreter-me e ela desfazendo-se em charme, colada a homem de pouco jeito, fixava-se no amigo, mais novo uns quilos, que a desconhecia…
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E eu, basbaque e sedento, via-a e pensava nas fotografias, antes que o meu olhar a despisse mais do que a roupa deixava.
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O sorriso, mais leve e suave do que aquele que o dinheiro comprava num concurso oleoso.
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Tudo! Via-a, existe, além da televisão e mais bela do que nua na internet. Mas não olhou para mim.
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Nota: Confesso a minha paixão por Cristina Martins… nunca mais vi o Preço Certo.

Minha querida Dominika, escrevo-te...

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A divina da internet é mesmo fixe!... Só é pena não estar a comer as gajas que nela vejo…
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Nota: Quem me dera os lábios de Dominika A.