digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
quarta-feira, dezembro 24, 2008
A minha (h)istória de Natal
terça-feira, dezembro 23, 2008
Socorro, estou inquieto
domingo, dezembro 21, 2008
80
Amizade
Tempo
A lista: Frank Müller, Patek Philippe, Schaffhausen, Vacheron Constantin, Piaget, Zenith, Baume & Mercier, Longines, Breitling, Mont Blanc, Daniel Jean Richard, Chopard, Jaeger Lecoultre, Breguet, Glashute, Hublot, A. Lange & Söhne, Audemars Piguet, Cuervo y Sobriños, Maurice Lacroix, Tag Heuer, Tissot, Montinari... and so on.
Segunda nota: esta ilustração deve-se apenas ao facto do pintor se chamar Relógio... achei que ficava bem aqui.
O outro amor da minha vida
Gosto em ti a gravidade que se sente e puxa para o desconhecido. Este desejo suicida causa delírio. Quero contrariar a tua essência, não para que fiques menos perigosa, mas mais indiferenciada. A tua pessoa cria energia mecânica com os meus sentimentos. Isto há-de levar a alguma coisa, entre de perdição de ir e a de ficar.Beleza
Vida 2

- A vida não é como nós queremos.
- Não! Mas temos de tentar.
- Sim, tentativa e erro.
- Corrigir as coisas.
- Tentar construir sobre o desconstruído, o refeito, o passado.
- Sim, a vida é feita por camadas...
- Vai-se construindo.
- Mas há um problema.
- Qual?
- Quando tu olhas, não há beleza ou preocupação estética.
- A estética esta na vida, na patina, na construção.
- Só se fôr isso, assim... mas não lhe acho graça nenhuma.
- Só não vês porque não morreste.
- Só achas porque não morreste.
Diálogos de fumo
Vida
sábado, dezembro 20, 2008
Dores
Dor de cidade. Olhar em suspensão. Antes e agora. Talvez em Sete Rios, sob o viaduto, numa noite fria e deserta. Uma memória de rulote de comida já fechada. Os néons impassíveis e o piso molhado. Quem me dera viesse um carro para ter, nem que fosse, a ilusão de ser um táxi livre para me levar. Se me levasse de vez e para sempre... a derradeira esperança.quinta-feira, dezembro 18, 2008
Vida
Infinita como a minha vida. Mas muito mais complexa. Sou simples: redondo e médio. Ninguém mais é diferente. Simples: unilateral e apaixonado. Simples.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Luz de Inverno
Penso que tenho mais memórias de infância do Inverno do que das outras estações. Não só dos cheiros, mas da luz e do tempo das horas. A luz amarela e frágil do quarto da minha avó na manhã de Natal. A luz amarela e quente, entristecida pelas canções da rádio, do ateliê do meu pai. A luz de sonho da sala na manhã de Natal. A luz duma manhã pelo Carnaval. Olho como tudo tivesse sido um sonho. É por isso também que estou triste.
Nota: Depois é Lisboa, ameaça chover e vêem-se gaivotas a voar. É Inverno. Gosto. Gosto da melancolia. Só não gosto dela quando não estou melancólico.
Memória de porto
Não fui e tenho saudades do mar. Deve ser da nostalgia das ondas e das cantorias das gaivotas. O cais, o horizonte e a solidão. Por aqui há promessa de tempestade. Tenho no vento um confessor e nas agulhas de chuva a alegria dos passos sós. Devo estar vivo. Daqui à eternidade e do infinito ao momento. Horas seguidas de enlevo e melancolia. Uma vida dentro da vida. A minha.Psicanálise
Sonhei. Assistia interessado e nada surpreendido. Duas esculturas, ambas de Miguel Ângelo, faziam psicanálise. Uma deitada e outra sentada ao lado, atrás. Que confissões tem a pedra para fazer? O drama da escultura e o sentimento da expressão. Depois há a morte. Depois da morte. O rosto e o corpo perduram imóveis além da memória. Só vivem depois da memória. Antes disso são lembrança de finados.domingo, dezembro 14, 2008
De segunda a segunda
quinta-feira, dezembro 11, 2008
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Aos amores findos

Vou tirar as chaves da porta para que possas entrar. Finjo não ficar de vigília, para que quando chegares - se chegares - possa surpreender-me com os passos ou até, se tiver sorte, sobressaltar-me com um beijo.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
domingo, dezembro 07, 2008
Nós dois
O fio de fumo junto de ti, mulher nevoeiro. Confundimo-nos com as nossas diferenças. O teu mistério e o meu excesso. Ao longe, são saudades de qualquer coisa que se não viveu. Ao perto é um pedido de amor. Que este momento de imprecisão não acabe, que nos valha sempre o equívoco. Lá fora, a realidade não tem graça nenhuma.sábado, dezembro 06, 2008
Lobotomia
Quendera(1) me abrissem a cabeça e de lá tirassem todos os amores. Já venceram, já caducaram. E lá metessem algum juízo e coisas que valessem a pena. Porque de minha boca só sai o que de minha cabeça emana e dela só saem aleivosias que nem mesmo eu tolero. Há todo um débito de disparate que só se assemelha ao débito de água de Cabora Bassa(2). Enfim, pouco se aproveita e de mim pouco tem fim. Sou uma linha de fumo.Notas: (1) Quem me dera
(2) Sou português, digo Cabora Bassa e não Cahora Bassa.














