digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quarta-feira, janeiro 21, 2026

Basalto polido

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Disse:

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– É isto. Só isto e nada passa para além.

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Conversava na cabeça, querendo agradar ao amigo com quem passo horas à conversa quando ninguém vê.

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Isto significa a chuva. Há dias que é Inverno e todos estranham, esquecidos.

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Há horas em que o mundo é um só lugar, a eternidade um momento e apenas uma alma tem corpo sólido.

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Poucos conhecem a melancolia, eu sei. Por vezes surpreende-me, quando sabe à solidão de água num dia quente. A apatia como ioga e a morte como nirvana.

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A água que vejo não sai dos meus olhos nem molha a cara. Porque não quero.

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A chuva abraça-me como uma camisola de lã, como fazem as mães.

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Não é chuva. É o momento em que o importante não-importa e o não-importa importa.

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Não é chuva nem frio nem tampouco Inverno, é o local de soltar as coisas todas que.

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Disse:

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– Que nos passos até casa não me assaltem e levem o vazio onde tudo é meu.

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