digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Diz-me o que dizes aos amores

Diz-me o que dizes aos amores para que saiba se quero que mo digas.
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Dá-me beijos e não palavras, as mãos, a boca e a pele. Dá-me o abraço que se dá quando se quer abraçar. E o olhar de quem não sabe o que vê.
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Toma-me e descansa-me. Afaga-me a cabeça e adormece-me com conversas que não interessam. A sonhar escutar-te-ei poemando o amor que nunca se chega a fazer.
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Não prometo acordar a tempo de ainda ser dia. Nem noite. Não prometo pérolas nem uma vida sobre o mundo. Não prometo a miséria e o amor eterno e infinito. Juro que serei amante e que te prometerei tudo o que queiras, tudo o que se quiser e até mesmo o que prometi não te prometer.
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Uma guerra de almofadas, um sumo de laranja. A cama entornada de suores. A janela aberta e a porta fechada por engano. Podemos inalar a tarde, onde acordamos, o que acordamos fazer. Quando acordarmos.
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Inspirar e soltar um vendaval.
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Jogar o corpo um contra a pele. Teremos a pele viciada. A boca marcada na barriga, nos seios, nas costas, nas pernas, na boca.
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Quando me dou às cartas de amor por ti, quando sonho que te tenho, quando finjo ser correspondido, juro que te amo e sou amado. Não é ilusão. Amo-te e com todas as juras de amor. As juras duram o tempo duma loucura. Nada de falsidade, apenas o pulsar dum quasar.
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Declaro-me assim. Tenho as mãos trémulas e a voz indecisa na força e no tom. O coração bate angustiado e a cabeça pensa muita coisa só tendo uma coisa em mente:
- Diz-me o que dizes aos amores para que saiba se quero que mo digas.

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