Era morena, bonita e não muito alta, bem
feitinha. Simpática e aparentemente inteligente
e sensível. Não sei onde nem como a conheci.
.
Depois, pouco depois, foi assim:
.
- (não me lembro)
.
- (não me lembro)
- (não me lembro)
.
- (não me lembro)
.
- (não me lembro)
.
- (não me lembro)
- (não me lembro)
.
- (não me lembro)
.
- (não me lembro)
- (não me lembro)
.
- (não me lembro)
.
- (não me lembro)
- (não me lembro)
.
Isto foi assim, mais coisa menos coisa. Uma voltinha de carro e estávamo-nos a beijar... ou talvez já estivessemos antes.
.
Ela deve-me ter dito o nome e o que fazia. Não me lembro. Devia ser artista ou afins, tenho uma certa tendência e reincidência. Sei que me disse que não tinha namorado, que o deixara há uns dias. Mais beijinho menos beijinho. Mais beijinho menos beijinho disse-me que ia voltar para a Madeira. Sim, podia ligar-lhe.
.
Toca. Toca. Toca. Toca.
- Estou?
- Sim. Gostaria de falar...
- Ela está no banho...
- Bom, peço desculpa. Pode dizer-lhe que liguei? Que sou o João.
- Sim , tudo bem. Direi.
.
Uns minutos ou horas.
.
- Olá. Estás bom?
.
- Sim. E tu?
.
- Também. Ligaste-me?
.
- Sim, liguei. Atendeu-me um...
.
- Era o meu namorado...
.
- Era para saber de ti, se querias combinar alguma coisa.
.
- Hoje não vai dar. Já combinei com o meu namorado e amanhã vou para a Madeira.
.
- Afinal tens namorado. Não tinhas acabado?
.
- Eh... sim...
.
- Foi ontem.
.
- Pois foi. Agora tenho de desligar, ele vem aí.
.
- Ok. Ainda nos vemos?
.
- Acho que não.
.
- Beijos.
.
- Beijos.
.
Anos mais tarde... dois ou três ou quatro. Quatro da manhã ou qualquer outra hora da manhã. Maxime, algum álcool e pouca luz.
.
- Olá!
.
- Olá! (quem será esta?).
.
- Lembras-te de mim?
.
- Sim, claro. (quem será esta?).
.
- Lembras-te mesmo?
.
- Lembro-me! (mentira).
.
- Então, como me chamo?
.
- Marta! (lotaria)
.
- Pois é! Lembras-te mesmo! (grande sorriso).
.
- Claro! (mentira).
.
- O que tens feito?
.
- O mesmo.
.
- E tu?
.
- Voltei da Madeira.
.
- Que bom! (voltou da Madeira? acho que já sei quem é).
.
- (silêncio).
.
- Então até um dia destes.
.
- Adeus (infelicidade).
.
- João, quem era?
.
- Não sei.
.
Já não me lembrava dela. Nunca mais a esqueci. Não sei quem é. Nunca mais a vi.
.
.
.
.
Nota: Dedico este texto a todas as desconhecidas que conheci... especialmente à Marta.
Nota: Dedico este texto a todas as desconhecidas que conheci... especialmente à Marta.
2 comentários:
Bela história. As martas desta vida não são, afinal, todas iguais. Nem os Joões ou Manéis. Bjo querido.
D
Brilhante... :)
Enviar um comentário