Até ali há uma sebe bem aparada. Depois começa o verde natural e ao fundo de tudo o lago, a poça grande, há quem prefira dizer assim. O jardim tem o jeito negligente e chique, despenteado a modo que se entenda o charme.
.
Desalinhados são os passos pensativos. De vez em quando, os olhos atiram-se para o chão e vão seguindo o caminho de areia escassa e raras pedrinhas.
.
Não se deve olhar o chão. Ver onde se põem os pés. O velho, o rapaz e o burro. Pensa-se melhor com os olhos confortáveis, estejam fixos, fechados ou em voo, rasante ou celestial. Quando se pensa quase nem se repara no horizonte da vista.
.
Sobre as sebes, sob as árvores, sobre tudo, as aves fazem tangentes e secantes, mas nunca intersecções. Parece que o odor tem ruído e o som tem aroma. Distraídas passam as mãos pela sebe, mais do que os olhos.
.
Distraídas passam as mãos pela sebe. Mais concretos são os passos. Os passos não têm objectivo. Há uma música muda. Há uma música só na memória. E há a música do envolvimento.Depois do que fica depois do verde natural e do lago há um muro, depois da barreira de árvores grandes. Talvez plátanos. Talvez tílias. Depois do que fica depois, depois das últimas árvores e do muro, fica o que não interessa.
.
Sem comentários:
Enviar um comentário