digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

terça-feira, outubro 03, 2006

Tejo

Queria tudo azul. O mundo é inteiro em azul. É essa a cor do Tejo em Lisboa e são assim os seus dias. É também cobalta a madrugada no Mar da Palha e em tons prussianos a sua noite.
Não sei como se rasga a água, de que é feita a espuma salobra do Tejo. Não me deixei ser marinheiro. O Tejo não tem águas brandas e os ventos são aflitos. Queria um rio ainda mais largo para o alcançar com pontes mais vastas.
Não vi golfinhos nem fragatas nem varinos a encantarem as águas azuis do Tejo. Mas são tão azuis hoje como os encantos de então. Tenho saudades de Lisboa quando passo a noite fora. Não há frio que me amedronte quando perco os passos nos cais... E o rio vai para o Atlântico como quem faz um filho ao mar. Não me entedio de ver.

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