sábado, outubro 19, 2013

Sensível prazer

Vamos ao proibido. Com tenção dos ladrões roubar o que é nosso.
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Tremendo de nervos e desejo, despejando as roupas. Loucura demorada.
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Dentro de ti fazendo promessas inconcretizáveis.
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Fingindo acreditares-me na voz, o silêncio.
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O teu verdadeiro prazer. Junto com o meu.
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Parados, suados, confusos... arrependidos sem arrependimento e cobiçosos.
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Mais. Mais. Quanto mais, mais.
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Sem remorso nem mágoa, um copo de vinho e o teu cigarro.

Claros prazeres

Se deixasses, tirava-te o cigarro e dava-te a boca.
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Levava a mão à tua nudez. No teu peito prolongado.
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Desceria até encontrar-te onde a timidez se torna loucura.
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Tu, resignada ao prazer, dar-me-ias e até ao fim.
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Repousando, tirar-te-ia o cigarro e voltava a dar-te a boca.

sexta-feira, outubro 11, 2013

Assim o queira

























Não estou intratável! A vida é que é imprestável. Só falta o inadiável. Possibilidade realizável. Assim o queira o infotocopiável.

A minha vida é matemática non-sense...

Quando dois e dois não são quatro. Feliz na arte, poesia e vinho. Na vida mortal não tem graça nenhuma. Para que raio existe a lógica se não é obrigatória? Repenso: Para que possa haver lógica. A vida devia ser matemática e a matemática não deveria ter devaneios no estado do ânimo. Dois e dois deveriam ser sempre quatro. São quase sempre, mas as minhas contas somam sempre só três.

Chumbo

Amargura no cimo do estômago. Suor frio na testa. Chumbo nas veias. A sensação de tranquila cólera. Não estou doente, estou apenas derrubado. Respiro a terra, saboreio o sangue seco, enquanto se me encarquilham os dedos das mãos. Podia estar encharcado depois da batalha, mas estou acordado. Estou apenas derrubado.

Brutalismo


Apetece-me praticar o desconstrutivismo. Sempre é mais divertido do que o brutalismo. Bom mesmo era ser padeiro na Suécia.
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A luz tanto faz, Deus revela-se na escuridão.
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Há também tantos suicídios por cá, que matar-me lá não seria diferente.
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Padeiro porque são quentes os fornos e há sempre com que matar a fome.
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Partindo-me na brutalidade, seja a morte seja a arte.
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Seja a arte de morrer.
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A brutalidade do suicídio é teatro memorável. Por mais que aconteça, é sempre notícia em algum lugar e toca sempre alguém.
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O dinheiro é a droga do não ter. Na Suécia os hospitais são melhores, consta.
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Tanto faz, se o objectivo é ir daqui. N
a Suécia não há ninguém para me deter.

Gula





















Despes-te ou tens esse sorriso para sempre, de olhos densos e boca de beijo?
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Espreitei-te para o sobre-pele num primeiro olhar.
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O contorno da felicidade a puxar os meus olhos e a adoçar a boca.
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O mistério que se deduz pela luz de mera revelação. Sem um fotão a mais.
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Imediatamente as mãos contiveram-se para não te revelarem os dois segredos.
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Se a conversa desse, nesse momento de silencioso desejo...
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Levei o vinho à boca e logo te dei banho, partilhando a água e o vinho.
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Depois fizemos amor até ao acordar.

Afinal para que serve a poesia?

Para que porra serve a poesia se os outros a entendem e quem a escreve não percebe?

Fora de margens

Cair numa enxurrada, se morrer num afogamento justo, será merecido.
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Mereço a água, que tudo lava.
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Que a minha vida suja de tristeza fique lavada.
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Que de mim se guarde alguém que viveu a respirar e respirou desenhando, mas que mais não fez do que escrever.
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Se mereço morrer? Como todos! Tantos (todos) mais estúpidos e mais inteligentes, mais ingénuos e mais filhos-de-puta morreram... por que haveria eu de ser falhado ao ponto de ter de cá ficar?!

Sina

Triste como se me tivessem dado a beber vinagre por vintage. Triste como tendo nas veias um garfo. Triste e sem lágrimas.
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Durmo à Lua cheia. Quando me acordam, é Lua Nova. Diga o que disser, a vida deu-me Quarto Minguante.
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É sina. Não sou o primeiro falhado na família. As tradições são de manter.
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Ou matar. Se não por raiva, pelo menos por pena.
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Porque a honra se lava com sangue, a derrota veste-se com o nosso.
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O que fazer? É sina!...
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Movem-se montanhas, mas nunca a sina.

quarta-feira, outubro 02, 2013

Claridade

























Tenho a tensão ao pé da boca. Cordel de raiva que prende a dentadura e o berro.
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Morder em alguém ou praguejar...
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O que quero é ajoelhar-me antes de cair.
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Chorar como um menino órfão e pedir a Deus que me ponha noutro lugar.
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Há demasiado ar à minha volta e solidão diante.
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Não sei se tenho inimigos, o que é patético... não saber ou não ter.
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Que venha uma luta e que ganhe perdendo. Perdendo a vida e ganhando a morte.
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Que venha a paz e a distância e só com o colo da mãe.
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Quero ir antes de todos, para que os possa receber com saudades.
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Morre-se bem à chuva, quando não se pode num dia de Sol.