sábado, setembro 28, 2013

Uma onda leve que leve o peso

Das margens fora. Sem horizonte nem tempo no fim da luz. Cairá a noite e a Primavera que se segue à meia-noite será de melancólico Inverno. O negro nas cidades é quase azul-prussiano e na madrugada o céu fica roxo e depois lilás. Como o Senhor dos Passos, um solene caminhar com solidão e tanto faz a cidade ou a vereda. O luto vestido empalidece no esquecimento e escuridão, até que o corpo seja ar e o pano esteja por fim morto. Ficará na terra ou no mármore algumas letras gravadas e nada mais. A alma talvez tenha regressado, o novo corpo não depositará flores na tumba daquele que o antecedeu. É triste a morte não existir nem o mundo acabar a tempo d’eu morrer.

Uma tristeza fora das margens


Entristece-me saber que a morte não existe.

Gordo sentado em tédio


Não sou gordo. Tenho é o arquivo do que bebo e como.

Gladíolos são da cor da carne, mas os limões também são doces

Devo-te o fazer amor. Se não entendeste o amor, é porque não o merecia. No entanto, não me faltaste. Não dando tudo, foi o suficiente.
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Por ti não fui no fio da navalha. Saltaste até cima e roubaste-me o vazio desarrumado.
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Lamento ter-te perdido. Se eras tu que juro me amavas e eu quem desejava.
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Levei-te flores e cruzei a cidade. Detestei aquelas flores e acariciei-as porque tuas.
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A surpresa da menina e o sorriso pelas flores. Eu vestia um fato e estávamos numa avenida.
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Sim, estou triste e a nossa história foi triste, por mim. Tudo o que tem de alegre é a tua pureza. Alegre não é feliz.
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Não te me deste. Seja por que razão for. Se foi triste o final, foi patético, foi porque tomei o amor com mãos impuras.
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Perdi tudo. O que mais perdi foi ter ganhado uma tristeza.
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A tristeza é uma chatice!

Não lamento não te ter tido, porque o tempo que te tive diante de mim saciou-me. Hoje sei-o.
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Deves-me o fazer amor. Sinceramente, acho que sim.
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Se foste infantil? Foste e não percebeste. Menina adulta não é de todo madura.
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Se o mereci? Não.
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Não o mereci por não me dares, mas por eu não merecer merecer.
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Escrevo-te num dia triste, quando há felicidade.
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Confidencio-te o que talvez saibas, que te tenha já derramado. E o que te disse em sonhos.
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O limão também é doce.
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Detestei aquelas flores e gostei tanto de tas dar que mais de dez anos depois ainda me lembro delas.
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Nota: Dedicado à DN... com um abraço ao Zeca.
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Nota: Nunca tinha pensado em escrever este poema. Por alguma razão, hoje tive de o escrever. Foi de rajada, repentista, quase sem pensar. Tinha-o de fazer e tinha de ser hoje, com urgência. Ao escrevê-lo percebi que andei mais de dez anos a escrevê-lo.

segunda-feira, setembro 16, 2013

Dois




Luz Negrum
amor amor
beijo beijo
coração suspiro
vida vida
água sangramento
ânimo doença
morte morte
paixão desfalecimento
queda ascenção
trompa órgão
picasso Van Gogh
Rubens Rembrandt
Lully Mozart
cravo rosa
sorriso gargalhada
seiva sangue
fim princípio
amor amor

Querido diário

Hoje voltei a querer morrer. Acontece-me sempre que morro um bocadinho. Quando morro sem querer fico com um túnel, onde a saída é para trás e a vontade de olhar em frente. Se cair, mais um passo. O destino de cair é a vontade de chegar.

O uso da estupidez

Estúpido não é o desdotado de inteligência, mas aquele que tem preguiça de a usar.

sexta-feira, setembro 06, 2013

Cemitério de prazeres

Quem não cometeu excessos na juventude? Noites, farras, vigílias, directas, vinhos e namoradas. Aprendi com a idade. Hoje sou um homem diferente e evito dores de cabeça... As mulheres dão ressaca... ao contrário do vinho!
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Nota: Não tenho ressacas de álcool!

quarta-feira, setembro 04, 2013

Ups! Vida not found

Poetiso por causa das desgraças que me fazem viver, e quando poetiso estou em morte, sem corpo enterrado, mas não morto, porque tenho de sofrer para poesar. Não passo sem as letras das mãos, sina cravada em linhas das mãos. Sofro porque é a razão do meu viver. Sofro porque me alegra, o sonho de morrer.

Error 404 – Esse sentimento não existe

Já disseram. Já ouvi. Ouvi muitas vezes. Percebi.
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Que diferença entre saber e fazer.
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Li, ouvi e disse:
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– Errar é humano.
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Compreendi, repeti e aconselhei.
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Li, ouvi e concordei:
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– É bom aprender com os próprios erros.
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Compreendi, repeti e aconselhei.
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Li, concordei e sorri com Bismarck:
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– Prefiro aprender com os erros dos outros.
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Li, ouvi e disse:
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– Insistir no erro é burrice.
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Compreendi. Repeti o erro.
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Há oito anos, julgo que a treze de Fevereiro, conheci.
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Repeti, amei.
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Amei e pensei que amando a mãe podia amar a filha.
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Pensei que amando a filha podia ajudar a mãe.
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Pensei e agi e errei, perdi a filha e a mãe.
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Hoje é quatro de Setembro e essa mãe faz anos e essa mãe é mãe de alguém que não se lembra de mim.
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E é neste quatro de Setembro que me lembro, por causa de hoje, deste ano, que me lembro que errei. Amei e perdi.
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Repeti e voltei a amar.
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Errei? Se amar o filho como amo a mãe.
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Como repetir um erro.
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Repetindo a vontade eterna e infinita de amar quem não é.
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Se não existe, se não pode, se não deve, se vive em Marte não se ama.
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Porquê amar.
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Sabendo a resposta, concordo, porque sei.
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Repito o erro acreditando que acerto.
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Se a alma fosse de osso, tê-la-ia engessada.
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Se fosse, e sendo fosse, intangível...
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Algo como ctrl + alt + del...
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Melhor! Quem me dera format C:
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Nada disso existe. Esse tempo passou e ainda o repito, como se alguém se lembrasse e os novos soubessem.
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Não escapo à vida, nem à sina.
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Nem ao erro.
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É sina da minha vida.
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É burrice, pois.
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É humano, o erro.
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Sou demasiado humano, sou burro!