digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

sábado, agosto 31, 2013

sábado, agosto 24, 2013

Dever

Devia estar na praia. Devia ter férias. Devia ao Fisco.

Alembranças

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Quando te olho, tento não ver os momentos dos beijos, mais beijos que tive entre pernas e os recíprocos. E que tu, simples sacana, sorrias como me bebesses em água. E a... aquela coisa que tem tantos nomes, mas que nenhum diz a verdade ou ao certo... era tão húmido e quente, que se não fosse a vida e ainda hoje lá estaria. Os beijos melhores duma vida. Esses sorriso. O que ficou e é aquém do que és. Um prazer d’além de se conhecer. Só podes ser a mulher da vida duma homem. Mestra de tudo o que é ser mulher.

Xabregas

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Estava bêbado
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Não me lembro da música
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Passavam dos dez vodcas.
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Não sou Messias!...
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Não sou profeta!...
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Não sou Cristo!...
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Sou nulo!
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A tua boca. A tua boca tem.
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Uma pastilha-elástica que não existia.
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Era Xabregas, era sutiã, era beijo.
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Era sexo. Eras tu. Era ela. Era amiga.
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Foi?
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Faço artifício.
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Fiz de manequim.

Movimento, crido perfeito.
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Eco!
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Entre vodcas e os beijos. Os teus beijos. Os meus beijos.
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Na altura ouviam-se canções.
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Sem ser perfeito pra ti.
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Sem seres perfeita pra mim.
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Partilhámos táxis.
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E corpos para partilhar.
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Quem nunca fomos além dos nossos.
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Assim creio. Além creio.
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E assim, esse suor, colado ao meu.
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Por ti, pra mim... se fossemos.
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Por fim.
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Enfim.
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Sem esquecimento e nunca esquecendo,
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Ainda aquele dia, antes do antes da antes da minha,
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O beijo antes do antes do teu.
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Uma memória caduca.
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E esse futuro. Sem esquecimento.
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Ui! Xabregas! A Sofia, o tempo, o reencontro, o mundo e a vida.
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Xabregas. Só duas vezes.   Cinco, seis vezes, contigo talvez só duas.
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Nosostros com vidas. Só duas.
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As vezes...
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Esses beijos roubados.
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Dos intervalos das viagens dos meus pais.
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Eu de pijama e tu de mulher.
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Beijos.
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Não esqueço!
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A boca e o mais íntimo de eu.
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Vindo-me, em ti, na boca, na cona.
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Uma namorada quase tão breve.
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Como.
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Qualquer amor que se ama não querendo amar.
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E se ama.
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Amando, porque amar é a razão.
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De amar.
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Nota: ano e mais anos, depois ou talvez mais. Ainda assim, anos, na rua do Chiado, na Garrett, beijinho pra cá e lá, e estavas giras, eu solteiro, e mais um tempo, e encontro e beijos e não nos comemos. Mas depois... oh depois! Família e filha. Conhecemo-nos donde? Somos amigos. Porém. Seremos pra sempre amigos.

Era tarde ou outra hora

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Era de tarde, quase noite. Era de tarde, quase tarde, quase noite. Era de noite, quase tarde.
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Uma prostituta, um quadro.
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A luz amarela e o frio, que se intuía, ou era mesmo.
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Carlos Mendes, Natal, compras e isso.
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Três pessoas, três vidas. Três pessoas, duas vidas. Três pessoas, o desejo duma vida.
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Solidão, quando se passeava com a mãe, junto às montras... ainda que não.
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A música, a que tocava no rádio, a das ruas, a da vida.
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Amélia. Quem? A dos olhos doces, a quendera que fosses.
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Apenas mulher.
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Eu, miúdo, lembro-me da luz amarela do ateliê e do meu pai.
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Quadro e quadros fazendo-se, e a Amélia.
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A mãe que não chegava e a vida que ainda assim existia.
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E existia, sem perceber se era vida.
As meninas da rebâra do Sado é qué... sã comó asovelhas.
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Épa... Biaxo Alen

Por amor ou qualquer coisa

Já te disse tudo e, também e por isso, disse tudo.
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Que posso dizer? Só o que disse por escrito ou por outra pessoa.
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Se quiseres?
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Se quisesses?
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Não queres! Porque ninguém quer como eu.
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Nem tu, nem irmãs, nem primas...
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Porque eu, fidalgote caído...
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Sou morto.
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Morto de amor por ti...
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Morto, porém, contudo.
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Morto.
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Tesão, não é vida.
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Inda que não exista pra ti,
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Quero-te pra mim...
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Morras, por raiva ou rancor...
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Viverás sempre em eu.

Se fosses, se fosse eu

































Há uma mulher, que podia amar, que podia conhecer, que podia ser só amiga de amigos, que podia ser só morena, que podia ter cabelo comprido; ou mais curto.
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Há uma mulher que me levaria ao altar, se eu fosse levável ao altar se..
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Fosse casadoiro... se fosse o certo, além de correcto.
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Há uma mulher que me mandaria, ainda que eu fosse não mandável...
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Mulher tão mulher que só poderia ser mulher de amar, mas tão mulher, que fosse mulher de mandar.
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Eu, homem mandável mandado de amores, amoraria.
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E como é linda! E como é horrível dizer que uma mulher é linda, se for somente linda!... Mas que é belo se o for.
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O meu coração rebenta e muita coisa ,de resto, também.
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Segredo!
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E se souber, o que me dirá?
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Amor? Outra coisa.
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Porém, amor.
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No entanto, eu cobaia, querendo ser feliz e desejando...
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E ela serendo o que quiser ser.
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Eu, querendo, logo sonhando.
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Como é bela! Mas tão mulher... eu tão homem, tão pequenino.
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Nunca me querendo.
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Ainda assim, querendo-a.

quarta-feira, agosto 21, 2013

Nem Estaline

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Consegui viver sem conhecer essa beleza, que mesmo depois de conhecer não osculei e ainda antes de ver perdi de frente das minhas ideias.
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Porém, depois da verdade, pouca escuridão resta ao mistério e nenhuma vontade sobrevive à ignorância.
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Estaline mandou refazer fotografias. A verdade é um local estranho, em que estando todos nenhum está no lugar do outro.
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Nem mesmo Estaline conseguiu apagar quem não esteve nem colocar quem esteve. Brotaram e eclipsaram-se presentes. Tanto faz, nem a ausência nem a invisibilidade nem a surdez significam inexistência. E mesmo essa tem de pedir aos poetas pra existir.
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A vontade é um o preconceito; o medo, uma intimidade; o desejo pode ser uma mentira:  o problema e a ilusão, a solidão e o ombro, a tesão e a fome. Tudo de muita coisa e quase nada doutra tanta.
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Sim, a saudade é um amor. Como qualquer amor tem irracionalidades. Explica-se como qualquer amor e, ainda assim, pode inexplicar-se.
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A saudade do que não aconteceu é tão verdadeira quanto a da vida de betão. O desejo não morre, o que morre é o tempo em torno das pessoas.
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Por mim, se tivesse mais tempo, soprava sem fim os problemas, que nunca são de cimento, e deixava-os mergulhar num esquecimento que podia durar uma vida.
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A beleza é que não passa nem entristece. Como o desejo, o melindre é morte, como o orgulho.
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Há uma estupidez qualquer que cometeu a estupidez de não deixar uma felicidade acontecer, mesmo que não tivesse de acontecer. Ou que teve a intuição de deixar morrer o não-gerado.

Control + Alt + Delete

Não sei se os programadores informáticos são pessoas muito inteligentes ou se apenas pessoas que fazem coisas que tão estúpidas parecem inteligentes.
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Quase tipo gato, mas em estúpido.

Aviso

Acerca das verdades do Verão, dos amores, escaldões e nostalgias. Acerca da praia, do sal e da água vagamente fria ou vagamente quente. Acerca do tempo sem tempo. Acerca do ócio. Acerca do Sol. Acerca dos amores estivais. Acerca do marisco e dos vinhos leves. Acerca da ausência de tédio. Acerca dos telefones e telefonemas esquecidos. Acerca da vida que não acontece nos outros momentos da vida...
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Tenho a dizer:
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Cuidado com as alforrecas... algumas andam a voar...

Veritas

































A verdade é um local estranho.
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Digo local, porque sendo sempre quem somos, nem sempre estamos.
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Podendo estar, nem se está, se noutro poiso tivermos o sentir.
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A verdade, de quem? E que honestidade?
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Seja de Deus ou da ciência ou da ciência de Deus ou do deus da ciência, nunca é exacta, sendo-o sempre.
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Chamemos-lhes erro de paralaxe, juízo em causa própria, egocentrismo, presunção.
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O que me melindra é não me verem a importância que julgo ter.
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O que me comove é ver a grandeza dos que não a sabem.
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O que me faz mosquito é reconhecer a grandeza dos que não dizem.
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Uma vida dura uma medida exacta, de minutos precisos em tempo variável.
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A verdade, numa crua bondade, não comove, faz-se esperar.
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Se amo, acredito. Se amo, duvido.

quarta-feira, agosto 14, 2013

Herdade da Bombeira 2009





















Dos dois milhões de critérios e conjugações de alíneas, momentos e contingências para escolher um vinho... escolhi este (não esta colheita) por causa dum serzinho de quatro anos, dos quais com 4.000 de ternura.
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Corria o ano de 2005 e namorava eu uma moça (a G) que tinha uma filha linda (linda mesmo) e muito doce (docíssima). A P era uma paixão de se cair para o lado. Para se ter uma melhor ideia da P... coisa dum ano depois, estava eu com uma nova namorada, a V, e cruzei-me com a G e sua filha. Encontro que não foi longo, mas que deu para V, muito habituada a lidar com crianças, entender e afirmar:

 – Como é possível alguém não se apaixonar por esta miúda?
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Tranquilos! Sossegados! Não houve sangue! Tudo bem! Tudo bem!
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Voltando a 2005... a P é a «mãe» da minha gata Paraquedas. Gata que já se chamava Paraquedas antes de ela a ver, e que foi tida na ninhada da gata do meu irmão – a par da Amiguinha, cuja narrativa é excessiva para aqui. A Paraquedas que é irmã, embora doutra ninhada, da Granita e da Lioz, 11 meses mais velhas. Por enredos dispensáveis ao tema, a Paraquedas acabou minha e, visto a forma como ficou, pode dizer-se que caiu de paraquedas em minha casa.
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Uma vez mais, voltando a 2005 e à P... a miúda dizia querer ser bombeira. Ok, por que não? Há os que querem ser astronautas... outros médicos... professores... eu queria ser calceteiro. Como também quis ser bombeiro, razão pela qual o meu pai foi cravar, e conseguiu, um capacete... achei absolutamente compreensível que a P também quisesse ser bombeira.
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Uma tarde, passeava eu sem rumo (mais ou menos), olhei para a montra duma loja em Campo de Ourique... ok, a Garrafeira Campo de Ourique, dos meus amigos... e estava uma garrafa de Herdade da Bombeira.
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Todos já comprámos coisas só porque combinam com qualquer coisa, independentemente de terem um sentido com sentido: uma gravata azul branca para oferecer a um fanático do Benfica, após perder o campeonato para o Porto; um porta-chaves do café «O Careca» ao amigo calvo; um busto de Lenine para um anti-comunista universitário; uma edição do jornal Avante do dia do nascimento daquele cromo que teima em ser fascista... um disco do David Bowie a alguém que nasceu no mesmo dia, ainda que não aprecie a sua música (eu – as duas coisas)...
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Pois! Herdade da Bombeira prestou-se mesmo para um jantar com a G e sua partenaire. Assim foi. Correu bem... e o vinho esteve mesmo bem... sem qualquer avaliação subjectiva. Tratou-se da edição de 2004, à qual atribuí a nota claramente positiva de 4,5.
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Para ser sincero, não me lembro do vinho. Lembro-me da miúda e da sua fantasia profissional. Lembro-me da mãe da catraia, que é pessoa de quem só posso dizer bem. Lembro-me do momento... do vinho, não.
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Por todas as notas atrás referidas, Herdade da Bombeira não mais me sairá da memória, a menos que uma doença degenerativa me corroa os miolos. Se todas as avaliações são subjectivas, e as expressas neste blogue são-no o «mais possível»; e nunca este vinho terá uma menção negativa.
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Ok, se fosse vinagre... e do mau, não o elogiaria. Não é o caso. Acresce que o vinho é bom, agora refiro-me à vindima em causa, embora tenha tido sempre ecos muito favoráveis doutras vintage. Mas bebidos por mim, só 2004 e 2009.
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Justificar uma nota? Para mim, tal é sempre subjectivo; tenha copos pretos, temperaturas ajustadas, sejam as garrafas escondidas. Tudo depende de muita coisa. Este blogue não é feito mais do que impressões pessoais, falíveis, com erros de paralaxe, de miopia, de hipermetropia... é sincero e honesto. E sinceramente, apesar de tudo o que adiantei, este é um belo vinho.
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Sendo tudo subjectivo e assumindo isso no ADN deste blogue, qualquer análise vai forçosamente errar na justiça, seja por excesso, seja por defeito, via complexo emocional tentado reparar...  já perceberam. Porém, não falha na verdade, na do seu autor. Represento-me a mim e só a mim. Tenho a presunção de ter alguma coisa a contar; e o que quero é «contar histórias, estórias», não definir padrões ou ditar sentenças.
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Faço, tento, o exercício da imparcialidade... não consigo. E neste vinho, não consigo mesmo. Tenho distanciamento para dizer que é um vinho de qualidade. Direi o que me vai na alma: muito bom!
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A história é esta! Quanto à adjectivação, cada um leia como quiser.
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Factual: a herdade fica no concelho de Mértola, na margem direita do Guadiana. As castas que compõem o lote são: trincadeira, cabernet sauvignon, syrah e alicante bouschet.
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Finalmente: se já o disse e escrevi bastas vezes, embora frequentemente ceda ao protocolo, os descritores não me interessam nada e, na verdade, não indicam nada, a menos que apontem defeitos. Tendo isto em consideração e mais ao que disse, não vou perfilar narizes nem paladares.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Bombeira do Guadiana
Nota: 6/10

segunda-feira, agosto 12, 2013

Mãe-galinha





















Quem se deita com meninos, acorda molhado. Quem adormece meninos, acorda adormecido.

Mantra – Manifesto de protesto contra Portugal, o mundo e a espécie humana, em verso branco banal e indignado

Om. Om. Om.Oooooooom.
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Acho que este não é o mantra.
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Hokus pokus, abracadabra!
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Esta não é a magia.
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Viva o comunismo!
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Não é a ideologia.
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Com a verdade não vi.
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Na poeira, na cinza e no escuro também não.
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Nem as águas do Ganges nem as do Jordão.
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Em Cristo encontro a lógica, falta-me a fé.
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De que serve a luz aos olhos fechados.
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Dias felizes houve alguns.
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Afectos, amigos, amores.
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Apaixonei-me e sofri sem contas.
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Já perdi amores e chorei cem rosários.
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Acredito na vida eterna e quero a morte.
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O vinho não acalma e droga não apeteceu.
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Não gosto de ler, gosto de livros.
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Quase não oiço música e não vou ao cinema.
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A comida, porque tem de ser. Ter de ser também cansa.
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Deixo o que tenho para fazer, como se abandonasse a vida.
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Não quero saber nem pensar no que vão pensar por pensar assim.
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Pela manhã penso na vida.
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À tarde desisto de pensar.
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Penso à noite que não quero voltar a pensar na vida.
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Durmo numa loucura mal dormida, quando o pensamento se chama sonho e o sonho é um pesadelo.
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É de manhã quando penso na vida.
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Porque de manhã há uma ideia vaga de esperança.
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Um dia e outro e outro e outro e sempre outro e outro.
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Daqui a nada é Natal e ainda não fui à praia.
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No ano passado não fui à praia.
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No ano anterior também não.
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Gosto tanto de praia, mais do que teatro.
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Não vou nem a uma nem ao outro.
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Não tenho dinheiro e sem dinheiro custa-me sair de casa.
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O que vão pensar se virem o meu extracto bancário?
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Em que devo gastar os cinco euros que me restam.
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Quase não nada para vestir e bem me fazia comprar qualquer coisa, mas não gosto de fazer compras.
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Não tenho dinheiro.
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Andar a pé faz bem.
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Não me apetece.
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Faz bem.
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Não quero ir a nenhum lado.
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Faz bem.
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Mas não quero.
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Exercício físico.
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Não posso comer isso. Não posso beber tanto. Pago a renda. Pago o IVA. Pago a Segurança Social. Pago os remédios e pago ao médico.
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Os papás dão dinheiro.
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Não chega.
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Sou menino dos papás.
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As primas emprestam.
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Não sei como nem quando pagar.
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Vou a casa dos pais, não quero.
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Tenho merdices para resolver.
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Deixo pra depois.
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Não quero.
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Dizem-me: Não deixes tudo para o fim...
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Não quero saber.
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Trabalho.
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Pagam pouco.
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Um pirolito no Tejo?
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Está despoluído, não serve.
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Tomar comprimidos, não porque são remédio.
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Pistola não tenho.
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As pontes não servem, tinha de ir de carro e o carro está sem ar condicionado e já bebi uma cerveja, pelo que se a polícia me apanha ainda me tira a carta e tenho de pagar uma multa ou dormir na esquadra para amanhã ser levado a um juiz.
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Cortar os pulsos ia sujar o chão e alguém teria de limpar. Não quero dar trabalho.
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Morrer é uma fatalidade. Morrer é um aborrecimento.
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Morrer deixa saudades. Morrer leva saudades.
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Morrer é uma banalidade.
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Mesmo quando escolhemos morrer somos banais.
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Tanta gente se matou e o fez de tantas formas.
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O suicídio é uma banalidade.
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Morrer é a banalidade seguinte à vida, que seguiu a banalidade de nascer.
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Reencarnar é outra banalidade.
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A banalidade é um tédio.
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É impressionante constatar na quantidade de gente que se sente especial. Já pra não falar dos que se julgam fenomenal ou fantástico ou simpática ou divinal ou com bom gosto.
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O Inferno deve ser um sítio bestial. Uma surpresa, ainda que banal, para a multidão de gente banal que se pensa especial.
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Ao pé de mim há uma casa que vende frangos para fora. São uma porcaria.
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Será que alguém já o disse aos donos da frangaria?
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Sei é que as pessoas lá vão.
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Isto é abaixo de medíocre.
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Outro exemplo: na minha rua há uma tasca pestilenta. Nem vinte barrelas tirariam o cheiro nauseabundo a pescada frita daquele antro. Esse e outros cheiros. Estão todos misturados.
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Está sempre cheia, a casa.
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É alarmante para quem ainda possa ter alguma consideração pela espécie humana.
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Ah! É popular. É para gente pobre, dirão alguns, entre a bonomia e o snobismo.
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Então, os pobres e os encalhados têm de comer mal e malcheiroso, com falta de higiene?
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A inspecção não vê? Pra quê?
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Tem clientela, a imundice.
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Nada pior do que gostar do mau. Até isso é banal.
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Nasci pra ser rico. Os outros também.
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Querer ser-se rico é tão banal que até os ricos o querem ser.
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Chateia-me a minha existência banal.
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Tendo em vista a situação económica, diria que sobreviver nestas condições é extraordinário.
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Não é. É banal. O país e o mundo estão cheios de pobres, miseráveis e inimputáveis que vivem com bastante menos do que eu.
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A culpa é dos políticos. Só lá estão pra se encherem.
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Encherem de quê? De insultos. Pobres as senhoras, suas mães.
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Ganham muito? Não ganham.
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Fazem pouco e mesmo assim ganham pouco.
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Estão lá é pra fazer pela vidinha deles.
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Pois estão. Como todos fazemos pelas nossas.
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Não digo que todos fizéssemos como alguns fazem aquilo que muitos acusam de fazerem.
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Todos fazemos pela vida. E quantos chulos, oportunistas, corruptos, corruptores anónimos andam por aí? Quantos filhos-da-puta há fora da política? Já não contando com os que querem entrar e nos que já saíram.
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Não sei se o país merece o povo que tem ou se o povo tem o país que merece.
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Temos o país que temos. Temos o povo que temos. Temos os políticos que merecemos.
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Os políticos são todos iguais!
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Não são. Há os do tacho que mal disfarçam e os do tacho com olhos meiguinhos. Há os que querem o tacho e de vez em quando se afiambram a um cargo. Há os democratas de ideologia que não o é nem pode ser. Há os bem-pensantes preocupados com o povo, mas que mal disfarçam a impressão que lhes faz quem não sabe comer de faca e garfo, não tem cultura nem provou trufas, caviar e Champanhe Cristal.
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Há os fascistas, os nostálgicos, os tacanhos, os matarruanos e mais uns tantos, que se dividem em filhos-da-puta e pobres de espírito.
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É o que temos. Há que encolher os braços e aceitar as coisas com a normalidade que a democracia exige.
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Há que aceitar com normalidade a banalidade.
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Este país, que todos os portugueses dizem ser fantástico numa série de coisas, que não devem passar de cinco, aplaude a alarvidade dum pseudo-humorista que só diz caralhadas e bate palmas a qualquer merdice que lhe ponham à frente, num palco, numa televisão ou numa rádio, desde que seja de graça. Porém, às vezes também paga para ser encornado.
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Este país, coisa que mais ou menos sempre fez, aplaude medíocres e deixou morrer à fome o Camões, o Pessoa ou o Pacheco.
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Este país não lê nem jornais nem livros. Eu também não. Sou tão medíocre e banal como qualquer um, o que me chateia.
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Não se pensa, mas diz-se o que se pensa. Pensa-se mal. Diz-se mal. Fala-se mal. Escreve-se mal.
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A culpa é dos professores. Se a culpa fosse dos professores eles não escreveriam mal nem diriam mal nem pensariam mal.
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A mediocridade, a merda do banal, é transversal.
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Interviram. A gente fazemos. Melhor não é mais bem. O conjunto dos portugueses não pensam. Porque é o mesmo que por que.
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Merda! Merda mais aos rodapés das notícias da televisão!
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Os professores não sabem ensinar. Os jornalistas e tradutores não sabem escrever. Os paizinhos querem é boas notas. Os governos gostam de números bonitos nas estatísticas.
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E o dicionário da academia que se esqueceu de palavras camonianas... e um jogo de língua portuguesa, editado por reputada editora especializada, que tem erros de português. Tão medíocre como quem ouvê os acordeões na têvê.
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Tão banal como se ser assaltado na Zona J de Chelas, por mitras de boné de beisebol voltados para trás e calças a caírem pelo cu e a mostrarem o rego.
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Essas, a da língua portuguesa e a dos meliantes, não fazem a vida.
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Explicam-na. Entre a elite bronca e a populaça bimba só pode haver um intermédio medíocre. Banal.
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E a vida? Pá, que se lixe. É tudo normal!
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Há as excepções, aqueles que protestam na rua, em manifestos, na internet, em blogues, no Facebook... que se ornamentam com ilustrações dum assassino, que se hoje descesse à Terra se iria arrepiar com o culto da personalidade que lhe prestam e com o uso comercial do seu nome e imagem; que usam ténis de marcas que exploram os trabalhadores; que se vestem com roupas fabricadas por operários mal pagos; que usam ferramentas da modernidade desenvolvidas pelo capitalismo; que se deslocam de avião, porque hoje é barato, porque alguns capitalistas perceberam que podiam ganhar muito dinheiro a transportar pessoas a custos reduzidos, às custas duma série de gente, directa ou indirectamente. Esses que protestam, alguns de forma quase profissional – que tantas vezes usam uma (banal) máscara sinistra de sorriso sinistro dum branco sinistro realçado pelo preto sinistro, produzidas num modo sinistramente capitalista num país sinistramente comunista – são solução para alguma coisa?
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Querer que tudo mude é crer que nada ficará igual. Querer que tudo mude acaba ficando tudo igual.
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Os portugueses não lêem jornais. Porque dá trabalho e sai caro. Não pagam para ler na internet, porque há-de haver sempre um meio de saber as coisas de borla, mesmo que não seja bem assim.
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Eu também. Tão medíocre e banal como o gajo da tasca que cheira mal.
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Os portugueses só sabem o que ouvêem na televisão. Os portugueses só prestam atenção à televisão.
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A televisão mostra-lhes o que querem ver.
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Devia ser diferente? Educar o povo? Com que direito?
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Bardamerda mais aos purismos bacocos de virgens impolutas (até a expressão é banal). Porque o importante é ter audiências, fazer subir o investimento publicitário e dar maior rendimento ao accionista. Melhores salários nem despedindo os inevitáveis, o que sempre garante mais uns cobres; e cinco podem fazer a vez de vinte, e se lhes amarrarem uma vassoura à cintura ainda varrem as instalações quando se deslocam ou abanam na cadeira.
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Querer ganhar dinheiro é banal. Ganhar dinheiro até é banal. Ganhar muito dinheiro é que não é banal. Vender a alma por meia dúzia de trocos é banal. Negá-lo é estupidez.
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Perguntarão: tens inveja dos que têm emprego?
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Tenho pena de não ter emprego. Querer ter um emprego é banal. Desenrascar-se sozinho é banal.
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Dirão: mas tu não tinhas um texto para escrever, daqueles que dão a vida a ganhar?
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Primeiro: só tenho vida para perder.
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Segundo: como não tenho patrão, só assim posso fazer greve.
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Terceiro: Não me apetece.
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E quarto: Já experimentei outros mantras, mas nenhum resultou.

domingo, agosto 11, 2013

Os psicólogos também erram

A minha psicóloga disse-me que eu não sabia cuidar de mim... Discordo! Então não sei? Estou a refastelar-me com uma lata de salsicha Frankfurt comprada no Lidl, pão de forma fatiado do Minipreço, a trincar batata frita de pacote de sabor a presunto e a beber uma jola... Não sei o quê?
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Nota 1: a fotografia retrata o divã de Freud.
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Nota 2: Doutora, desculpe-me... sabe que estou a brincar, não sabe?

Os dias

A banalidade é uma grande aventura.

sexta-feira, agosto 09, 2013

Quinta do Monte Xisto 2011

























Há projectos vínicos para todos os gostos: os que se herdam, os grandes, os megalómanos, os pirosos, os pretensiosos, os modestos, os poéticos ou românticos, os nostálgicos, os filosóficos, os d’hoje-prá-amanhã, os vai-se-fazendo... haverá mais, mas basta.
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O Quinta do Monte Xisto está na categoria dos vai-se-fazendo, com uma parte de romântico, com toques de poético e filosófico, estes dois que se interligam e não se sabe bem onde está um e o outro.
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Justifico: poético, porque há todo um despojamento de brilho e adorno que remete para a felicidade. Filosófico, porque tudo tem um sentido e uma lógica, resultante de pensamento, diálogo e ponderação. Romântico, porque se faz no afecto duma família (pai, mãe e três filhos), que transmite (sabe-se pela conversa) esse amor à viticultura e ao campo. A componente vai-se-fazendo é porque passaram-se 20 anos (vinte) até que saísse o primeiro vinho. Tudo comprado com dinheiro da algibeira, sem empréstimos nem alavancagens.
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A espera valeu. É um GANDA vinho! A colheita de 2011, ano dourado no Douro, foi posta ao léu em Julho, e arrebata. Não acredito (completamente) que outras, experiências e protótipos, não tivessem qualidade para os enófilos. Dou o meu cavalo, espada e feudo para provar esses números-zero, usando a linguagem dos jornais,
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Antes que me esqueça; a equipa é formada pelo casal João Nicolau de Almeida e Graça Eça de Queiroz Cabral, e pelos filhos Mateus, João e Mafalda. Já se percebeu pelo apelido que não são paraquedistas que saltaram de algures e caíram no Douro. São gerações e trabalho e reconhecimento.
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Tudo começou num passeio (ou algo vagamente parecido) de João Nicolau de Aldeia (pai) numa zona do concelho de Vila Nova de Foz Côa. Alguém o chamou para ver uma parcela de terreno que estava a venda. Viu, gostou, negociou, comprou, patati-patata, quis mais, patati-patata , andou anos atrás de quem quisesse vender e de quem ainda teria de assinar... o calvário do costume quando se quer comprar terra em Portugal; tudo micro, tudo dividido por 20 gerações sem partilhas assentes, herdeiros que não se entendem, muita conversa para convencer a vender... Calvário, já disse. É ainda mais complicado, mas basta.
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A «quinta» não tinha nome, porque não existia. Chamaram-lhe do Monte Xisto, porque é isso que a forma. Fica em Vale de Cobrões, mas o nome não dava jeito e lembrava vale de cabrões... quiçá não terá sido esse o topónimo original. O cerro situa-se entre os 250 e os 320 metros de altitude, tem vertentes voltadas a Norte e a Sul. Mais complexidade?
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Foram 12 anos para conseguir juntar 40 hectares dum cerro de xisto sem grande uso. Um calhau com algumas oliveiras muito velhas e pouco mais (espero que se lembre de fazer azeite). Em 2003, a família Nicolau de Almeida plantou dez hectares de vinha, quase toda tinta. A uva branca que lá há, da casta rabigato, talvez possa um dia dar à luz umas garrafas.
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Os dez hectares de vinha são compostos (a grosso modo) por touriga nacional (5,5 hectares), touriga franca (2), sousão (1), rabigato (0,5), tinta francisca (0,5) e tinto cão (0,5). Há ainda umas pequenas parcelas de tinta roriz, touriga brasileira, tinta barroca, tinta da barca e alicante bouschet.
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Fizeram-se várias experiências com castas, todas do Douro. Porém, a natureza não é toda igual, mesmo numa mesma sub-região. Algumas uvas não se deram bem. De toda esta paleta de uvas, aproveitaram-se para este vinho as de touriga nacional, touriga franca e sousão.
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Vinha cultivada em modo de produção biológico. O rótulo não mostra, porque não é ideia vender «bio». Não é um projecto de filosofia «bio» (que só por si não é nem bom nem mau), mas de aproveitamento do que a natureza dá. As condições naturais do Monte Xisto permitem que seja bio, sem remorosos nem dúvidas. E João Nicolau de Almeida sabe ao que cheiram e sabem umas «mesmas» uvas tratadas com produtos de síntese doutras que ficam apenas empoeiradas.
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Os Nicolau de Almeida quiseram ter o Douro dentro da garrafa... mais do que a região, quiseram o local. O monte de xisto, que foi trucidado por três vezes até que desse solo arável, entregou a sua mineralidade. As uvas foram pisadas a pé em lagares de granito e o vinho estagiou 18 meses em pipas de carvalhos francês e austríaco.
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Este vinho é um encanto. Arrebatador, mas não tirano. Sedutor, mas não possessivo. Profundo, mas não sombrio. Na difícil tarefa de escolher uma só palavra para o definir, exercício estúpido e masoquista a que me submeto voluntariamente, direi: majestade.
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É um mundo num copo. Vinho de enorme complexidade, em que aromas dançam sem se substituírem, que evoluem com o tempo no copo sem se despedirem do provador. Vão e regressam. Brincam às escondidas e à apanhada. Que aromas!
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No folguedo olfactivo dançaram rosas, violetas, pétalas de laranjeira (!), uma pitada de casca de laranja, cerejas, ameixas, romãs, um toque de noz-moscada e de cravinho... e xisto. Os seus perigosos 14 graus de álcool são mansinhos. Diria que sonsos, pois a frescura deste vinho camufla-os e quando nos levantamos é que percebemos... O corpo tem uma dimensão... talvez uma quinta dimensão. É um Bentley (desde que visitei a fábrica que ando com a ideia fixa de ter um) em aceleração. Pesado? Não! Colossal. Desliza elegante, avança suave, com densidade. Profundo, seco, longo, com garra. Um final bombástico.
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A estreia não poderia ter sido melhor!
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Origem: Douro
Produtor: João Nicolau de Almeida & Filhos
Nota: 9/10

Salta a pulga





















Tão egoístas como as pessoas, se os gatos nunca passaram uma pulga foi porque gostam delas. Os cães dão o que têm, ainda que não queiramos o que têm pra nos dar. Mas é tanta a bondade e a vontade de dar, que não consigo gostar menos do que gosto daqueles que não me querem dar o que não quero receber.

Eu

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Se me lembrasse de tudo o que escrevi, lembrar-me ia do que sou.
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Se escrevesse quem sou, não diria quem sou.
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Escrevo e não me lembro, mais me lembrasse mais esqueceria.
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Por que sendo o que fui e sou, não quero o quem tenho sido.
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Nota 1: Não diria como a música. Diria como mistério e se o mistério não tem fim, o mistério é lindo. E eu, não o sendo, sou tão denso como qualquer alguém.
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Nota 2: Sim, esta música e este vídeo já cá cantavam.

O mesmo vinho

Serás cão e gato.
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Serei cão e tu gato.
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Serás cão e eu gato.
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Mãe e namorada.
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Confidente e amante.
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Vens. Vou.
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Venho. Vais.
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Vemo-nos. Vimo-nos. Vinho-mos.
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Porque quando sou gato, és cão.
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Quando és cão, sou gato.
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Sozinhos trincamos a comida e bebemos o mesmo vinho.

Mãe cão, amigo gato

O cão vem.
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O gato vem se.
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O cão faz.
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O gato se.
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O cão mima.
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O gato também.
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O cão obedece.
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O gato se.
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O cão come.
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O gato se gostar.
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O cão é mãe.
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O gato é amigo.
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O cão é cão.
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O gato é gente.

Anda cá gato

Olho prá gata e digo:
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Oh minha pequenina...
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Se ela vem, quer vir.
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Se não vem, deixo-a fugir.

Livros que não leio

Se disser acredito que não acreditam, acredito. Juro que é verdade e teimarei até que reencarne num santo e que, por princípio de paz, deixe de teimar.
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Amo todas as mulheres que amei. Amo-as nesses seus passados. Todas as folhas tombadas são folhas da mesma árvore que nunca morre, nem antes nem depois da vida dum homem.
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Amo-as nesses passados, e esquecido das dores. Todas as flores e as que não o foram nem têm cor.
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Todas, menos a dos olhos, que alumia com a alma.
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Não posso negar os amores, estão escritos.
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Livros que não leio.
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Porque a morte não existe. Não posso matar quem amei.
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O amor é eterno, como é eterno o segundo e o milímetro.
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Infinitamente divisíveis. Finitamente, amáveis.
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Todas menos a dos olhos, que alumia. Luz de alma.
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Sem pretérito e só futuro mais que perfeito.
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Guia do alento. Bengala ou de manco.
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Como se não houvessem antes, todos os beijos.
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Os outros amores são afluentes e a água dos olhos só parará no mar.
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Quando o sal das lágrimas aceitar o destino final.
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Porque a alma e o amor são eternos, teimarei todas as vidas.
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Teimarei até que reencarne num santo e que, por princípio, deixe de teimar.
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Por ser óbvia a luz que dos olhos nasce pra me guiar.
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Um amor contente e sereno.
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Nota: Para, quem sabe, dançar.
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Nota: A música é em leonês. Ainda que lhe chamem mirandês, será sempre leonês!

quinta-feira, agosto 08, 2013

Sina

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Empresta-me o dicionário pra te ler a sina.
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Empresta-me o teu corpo pra ta escrever.
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Empresto-te um beijo, esperando que mo devolvas.
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Ou que o guardes como um livro emprestado.
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Empresta-me uma noite.
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Solta os cabelos; que por eles te suba.
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Mão, por mão, em atrevimento.
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Pelos teus cabelos te desço.
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Alimento-me no desejo, no teu peito.
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Revela-me o por onde sai a vida.
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Pela manhãzinha, saio.
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Deixo-te escrita a sina.
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Voltarei na noite seguinte.
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Essa é a sina.
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Amarmo-nos é pura fé.
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Leio a lista telefónica.
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Nota: Para mim, Hermínia Silva é a melhor fadista que ouvi. A Senhora Dona Amália era isso mesmo: Senhora Dona. Uma Rainha e teria sempre a luz consigo, uma diva, um rouxinol, uma semi-deusa, uma star internacional, uma alma de luz... cantasse ela o que quisesse... mas no Fado, no Fado reina a popular Hermínia. Até porque o Fado tem muita escuridão.
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Desculpem algum incómodo causado.