sábado, agosto 25, 2012

Neil Armstrong

Ainda eu não tinha nascido e já existia o Neil Armstrong. Cresci e mal falava e já se falava no Neil Armstrong. Desconhecia a corrida ao espaço mas ouvira falar no Neil Armstrong. Sem perceber porquê, sabia dizer o nome de Neil Armstrong. Quando descobri o nome do primeiro homem na Lua já ouvira falar no Neil Armstrong. Constou-me que ficara louco, que não compreendia nada do que fez, que, na melhor das hipóteses, veio diferente da Lua, creditando que havia um outro mundo… mas sempre Neil Armstrong. Neil Armstrong… Neil Armstrong… Neil Armstrong… Vasco da Gama. Neil Armstrong.
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Nota: 5 de Agosto de 1930 a 25 de Agosto de 2012... e o homem meteu um carro em Marte.

Você é real - mil novecentos e oitenta e seis ou assim

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Desejei, amei, cantei, curti, suspirei, desejei, amei, cantei, curti, chorei. Eu, ela e a outra. Os entardeceres de Verão, as cores subtis na distância de São Vicente de Fora. Um bocado de cidade de distância, como se fosse a cidade toda. Duma casa a outra uma imensidão de passos e incertezas. Nunca a beijei, mas cantei a pensar. Suspirei e chorei. Fugi e cantei. Ainda hoje. Ela, a miúda mais gira da escola. Ela e a outra. Esta! A dos olhos verdes e cabelo loiro. Hoje nas fotografias pirosa. Mas suspiros e taquicardias. A distância de passos e de bafo, e nunca olhou para mim com desejo de estar mais próxima. Um bafo e um beijo. Ela era irreal.

Siripipi de Benguela, um acampamento

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Acreditei em amanhãs que cantam e gostei de canções ao amanhecer. Acreditei que músicas eram o Brasil e conheci um continentes mestiços. Acreditei, menino, nesses ritmos de África que foram ao Brasil e vieram aqui. Hoje é tudo dourado e quase nada brilha por si. Siripipi de Benguela é encosto doce na cabeça das memórias; dias felizes da ilusão. Que fossem sempre assim os dias.

sexta-feira, agosto 24, 2012

À outra banda

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Tenho de te levar à outra banda. Parto contigo, da amurada beijo-te como se estivesses no cais. Pingos de sal saltinham como golfinhos. O sulco de espuma ata as margens de Lisboa e nós agarrados como se tivéssemos frio olhamos o alinhavar, de olhos atados um no outro. Saltam os corações como os golfinhos. Os cabelos fazem cócegas ao vento e o sal cola-nos os lábios à boca. Todo o azul-branco de Lisboa riscado pelo laranja pequenino. Nós sarfando distraídos esquecemo-nos de acenar à cidade. O Sol põe-se e a muralha conta o passado, na nostalgia da história encontram-se as mãos, perdemo-nos de amor em beijos. Já noite regressaremos, cansados da viagem breve. Lisboa chegará em poucos minutos, tempo bastante para nos apaixonarmos. Chegados iremos para casa fazer amor.

Martini


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Tomo um Martini Extra Dry com sumo de maçã, um terço para dois.
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Não tomo conta de mim e deito-me a pensar na ausência, até que os olhos desistam de estar fechados e acordados.
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As gatas estão, duas, aos pés da cama e outra por aí, numa cadeira ou no sofá. Deram-me cabo do forro das cadeiras.
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No outro dia joguei às cartas. Esta noite sonhei que jogava, mas atrapalhava-me e o meu pai zangava-se. Mais ninguém sabe jogar canasta.
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Está calor. Todas as manhãs acordo suado e a fronha molhada tem um cheiro enjoativo. Tomo um banho e mudo-as.
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Acordo depois de desistir de dormir. Não como e tomo os comprimidos que me tornam invulnerável. Bebo sumo de laranja ou de maçã. Vou à rua e tomo o único café que o doutor deixa. Tomarei mais três ou quatro, não me chateiem.
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A manhã tem tédios. A tarde tem tédios. Tenho mãe e por vezes paciência.  A noite tem tédios e sono ou rebeldia. No computador há pornografia e ternura, mas quase todo o dia só tem tédio.
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Como o que há. O que não há faz-me mal ao colesterol. Consigo na ausência.
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Tomo um Martini Rosso com sumo de laranja, um terço para dois.
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Não sei tomar conta de mim, disse a doutora. Sei lá se sei… tenho de fazer dieta, disse a outra doutora. Tenho de fazer dieta, diz a mãe. Tenho, digo na ausência. Não faço.
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Não faço a amor, suo tédio. Abraço as almofadas enganando a ausência, como fazem todos os tristes. Sonho com cidades.
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As gatas deixam tudo. A Granita só não gosta que a festeje com os pés. À vez derretem-se, em miados e torrinhas. Há sempre uma. Há sempre quem me salve a vida.
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O tédio e a ausência, o esquecimento e o escuro. Não tenho medo, tenho dor. Mais um dia. Não tarda, o fim do ano e um novo para alimentar o tédio duma vida vazia.
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Tomo um Martini Bianco com sumo de limão, um terço para dois.
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Não tomo conta de mim, mas gosto de tomar de ti. Sem ausência, o amor é mágico.

terça-feira, agosto 21, 2012

Fazer o bem sem ostentação

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Uma enorme vontade de abraçar. Há homens que são anjos, ainda que não tenham asas e não sejam perfeitos. Nem que salvasse uma só vida. Não consegui conter as lágrimas.

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Fazer o bem e não dizer, sem procurar aplauso ou honrarias. Na glória de Deus, a máxima cristã: «Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita».
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A sabedoria escrita no Evangelho Segundo o Espiritismo (capítulo XIII) levada à prática. «Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita». Deus sabe do bem e do silêncio.
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Nota: Através do blogue «O planeta que temos». 

Um belo jantar perto do Pinhão

Às vezes sou mesmo tosco. Não me costumo perder, mas dessa vez andei à nora à procura duma quinta. Foi na quarta-feira passada, no Douro, junto ao Pinhão, primeira etapa duma viagem de cinco dias… miniférias, coisa que não tinha há… dez anos!
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Em Tabuaço há placas a indicar a aldeia de Barcos. Não custa nada, basta ter os olhos abertos. Pois, mas num cruzamento em vez de seguir em frente, como indicado na tabuleta, fui para a esquerda. Fiquei a conhecer um miradouro e uma bela estrada de serrania. Ainda bem que há telemóveis.
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Mim (achei que fica giro um «mim») e A chegámos a bom porto, bem a tempo da jantarada e de boa conversa. A J já conhecia, sempre feliz e sorridente e fixe, o J é muito simpático, educado e charmoso e «Quem aí vem» já se mostra. Depois veio outro J, só para confundir as interpelações.
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Além de «Quem aí vem» vem também aí um branco e um tinto. O branco ainda rabuja um bocadinho na garrafa e o tinto ainda não está propriamente pronto. O primeiro é uma certeza e o segundo vai ser outra.
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Gostei muito do toque a cabeça de fósforo do branco. J, o enólogo, diz que é capaz de entrar na moda, que os neozelandeses procuram lá chegar, apontando à Borgonha. Chamou-lhe funky… gostei da expressão e não me sai da cabeça. É isso mesmo, funky.
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Para a mesa veio a especialidade da casa: frango de caril, que foi bem com o branco funky, com o tinto da quinta e com o outro encarnado que levou o J enólogo. Teve-se muito bem, nem o «fresquinho» do Douro constipou ninguém… quem estava, já estava.

Três dias no Douro

Tenho ido muitas vezes ao Douro, mas esta foi a primeira apenas em lazer. Primeiro foi uma bela jantarada em casa da J, do J e de «Quem aí vem». Duas noites no Pinhão, numa residencial limpa e simpática. A típica casa com quartos e restaurante: doses enormes, mesa bem farta, para engordar quem já é gordo e guloso. Foi a Ponte Grande e gostei muito.

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Depois do Pinhão foi Foz Côa, onde me vi obrigado a pedir o livro de reclamações do Hotel Vale do Côa. Nesta casa promete-se o que não se tem, mas cobra-se como se tivesse. Televisão por cabo? RTP1, SIC, TVI, TV 5 Monde, CNN e Sport TV… todas com péssima sintonia.
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«Então? Não tem Sport TV? E a imagem vem por cabo, não vem?» – engraçadinho, o dono do estabelecimento. A banheira não tem tampa para o ralo?... que pena e vá de demorar em fazer o favor de arranjar o objecto. A internet wireless é paga… bonito! Ora, se soubesse disto teria ficado numa residencial, sem wireless, sem tv por cabo só com um cubículo para o duche e por menos 15 euros.
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Como o dono é espertalhão, pensa que os outros são parvos e que está a fazer um grande favor em alugar quartos, levou com a reclamação. Aliás, o dito senhor parece ser conhecido pela fanfarronice e arrogância. Tadinho, paciência, levou com o protesto no livro e pode ser que se trame (apetecia meter aqui um palavrão).
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Voltando ao que interessa e a quem interessa: Pinhão, localidade muito feia, mas com uma vista linda, com gente simpática e muito ócio para quem a visita. Do outro lado da ponte fica a Quinta das Carvalhas, pertencente à Real Companhia Velha.
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A Quinta das Carvalhas é para alpinistas, vai desde o rio até ao cimo dum monte íngreme. É óbvio que subi em minibus. No topo, a «casa redonda», miradouro sem limite para a vista, que não a moldura de montanhas e rio.

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Na loja das Carvalhas manda Conceição Nogueira, senhora simpática e atenciosa. E lá gastei um dinheirão em vinho e azeite.


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A quinta foi de manhã, à tarde deliciei-me na esplanada do Vintage House e num sereno passeio no Douro numa espécie de rabelo a motor, sem remos nem vela. Só lamento que o Vintage House, desde que mudou de dono, tenha abandonado a política de abertura diária duma garrafa de vintage para serviço a copo. Foram bons tempos, de boa iniciativa de divulgação do topo da família ruby.
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Depois veio Vila Nova de Foz Côa e a Quinta do Vale Meão, onde Franciscos de Olazabal, pai e filho, espalham simpatia e generosidade, sabendo receber como pouca gente, com educação e sem afectação.

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Viva o Douro!

terça-feira, agosto 14, 2012

Céu vermelho





















Tenho sangue no céu e os pés no mundo. Juro que só viverei, mas sei que estarei até me mandarem regressar. Tremo ao pensar na dor, nervoso miudinho. Nervoso largo de sonho na fantasia da partida. E o túnel, a luz alva da tranquilidade e o esplendor, como uma ejaculação, no desprendimento final? Ah! Para lá também há vida. Se o meu mundo é este? Julgo que não, mas não sou diferente de ninguém. A minha essência está no céu, mas o corpo está na Terra.

sexta-feira, agosto 10, 2012

Verbo comer













Constrói-se o amor, mas não a paixão. Constrói-se o corpo, que se devora na construção do sexo. A vida a dois desenha-se e apaga-se, em constante correcção do erro e do acerto. Consomem-se dias a construir a vida da soma de dois. Seremos sempre dois, até quando formos um, quando cada um comer o outro, como a serpente de duas cabeças-caudas. Boca com boca e órgão no órgão. Consumidos, fartos da refeição, despojados da vontade comemos as horas, reconstruindo as vidas, para que sejam de novo comidas. É eterna a episódica loucura do sexo e a paixão nunca será amor.

Circo











A vida é um circo. Prefiro ser palhaço a besta fera. Mas em todo o-pode-ser não quero mandar nem domar. Antes palhaço. Mas o que gostava mesmo era ser ilusionista, e por magia desaparecer do chapitô.
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Nota: Odeio circo! 

A intimidade do artista














Os artistas inventam a intimidade e mostram-na como se fosse invenção sua. Até um artista falso tem de inventar o seu currículo. Há quem goste e quem não acredite. Há quem garanta que se criou e quem acredite não morrer. A intimidade dum artista é e os mortais serão esquecidos. Só se incomoda com a arte quem não sabe dar. 

Baile















O teu arder doce reluz na dança, mesmo quando não danças. Há fruta e vinho e movimento ébrio. O cheiro do suor como o do sexo, mas sem o odor do sexo, do mesmo prazer. Já reposta, os pés ainda dançam depois do fim do baile. O baile é um sítio como um teatro, mas sem cortina de veludo pesado e carmim. Vermelho no rosto e água no corpo, nos olhos uma flâmula; esses olhos de morrer por tanta vida. Há quem dance e quem só descanse, quem conheça o sabor da fruta e quem também a coma. Na vida somos actores, alguns também bailarinos. E em ti, até esses olhos de chama dançam.

Dia chato















Nostalgia do óleo na água salobra, da luz parda e baça dos fins de tarde sem estação. Melancolia da luz frouxa da tristeza, da dolência desmaiada das cores fortes perdidas nas madeiras dos barcos. Uma opressão e tudo belo.

Penha de França














Lisboa íntima, da infância anterior à vida, do tempo das horas lentas.

Silêncio de vento












O mar chão é triste quando o céu está monótono. A terra não tem a força do vento da água, só as montanhas. O verde é frágil e a minha nostalgia forte. Mas nada detém o vento da água.

Um ufo sobre




















Uma janela para o céu, uma chaminé para a alma. No alto um ufo e nele gente doutra. A dormir também se morre, renasce-se quotidianamente. Os dias agora estão quentes, apetece morrer, quando o calor não dá vida. Um outro dia, mais fresco e triste, em que haja um ufo curioso, será feliz para partir.
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Nota: Acho ufo uma palavra divertida, tal como ovni, mas uvo tem sonoridade de desenho animado…

quinta-feira, agosto 09, 2012

Última ceia





Que a minha última ceia tenha gente que não veja; anjos e mortos, e os vivos esquecidos da minha solidão. Vinho tinto, mais escuro que o sangue e sagrado como o pão. Mesa com toalha de linho branco, pano puro que se tingirá no descuido distraído da refeição. Arruído solene da ceia de pompa do funeral. Que na minha última ceia se embebedem e se esqueçam de mim; anjos e mortos me abraçarão, e os vivos esquecidos não se lembrarão.

Urgência





















A arte é uma urgência. Que se saltem os muros da incultura!
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Nota: Acerca desta notícia de ignorantes, anões culturais, bimbos, deseducados, excluídos do mundo civilizado... http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO055657.html?page=0

quarta-feira, agosto 08, 2012

Metro





















Há muitos caminhos para te chegar, mas nenhum é tão profundo como o do metro.

Como são lindos os teus olhos









– Meu amor, como luzem os teus olhos.
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– São apenas espelhos da tua luz.
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– A minha luz?... fogo do meu amor por ti.
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– Amas-me?
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– Amo!
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– De verdade?
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– Sim!
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– Então faz o jantar, lava a loiça e dá-me umas massagens aos pés.

terça-feira, agosto 07, 2012

Caetanear

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Caetano: surfar à vela, dias só de Sol feitos, beijo de língua na língua e petazetas na alma. Mar profundo de azul, céu alto, amor e swing. A beleza irresistível e única das coisas comuns. Setenta anos de dádiva do deus da música. Caetanear.
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Nota: Parabéns Caetano Veloso pelos teus 70 anos.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Sal-te

Saber o teu sal é demasiado sonho para o meu sonho. Tocar-te nos seios, vendo-te na fotografia. Subir-te pelas pernas já de olhos fechados. Alegria estúpida do acordar, triste sem ter sabido o teu sal.

quarta-feira, agosto 01, 2012

Tágide















O Tejo une Lisboa e Santarém. E o nosso amor também.

Rio quase mar















Nunca vi o Amazonas, nem me purifiquei no Ganges. Não soube da civilização entre o Tigre e o Eufrates. Não morri no Nilo na boca dum crocodilo. Mas sei da vista do Tejo toda em azul, toda em cinzento, qualquer que seja a cor, e a luz de Lisboa que o rio e o Sol inventam.

Na morte ou na vida

Acende uma luz, uma vela, o que quer que seja. Meu amor não me morras, porque se morreres mato-te e mato-me, para que a morte junte o que a vida separou.