quinta-feira, fevereiro 23, 2012

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

(...)

Cabelos finos, castanhos, entre os dedos, a pele desagasalhada entre os lençóis. Pacata de ombro à solta. Varrida pela borrasca de língua e dedos. Rangendo os dentes como a madeira fustigada pela chuva, gritando como a janela que se parte, batida pelo vento. A bonança depois dos gritos tem molhadas todas as polegadas, o prazer de muitas léguas. Tudo desarrumado, no corpo desguarnecido que, finalmente, se sente capaz de se tapar.

Por favor... não pares

Intimidade à flor dos olhos e eu mexendo onde as pernas se fazem abertas. O meu beijo mais largo concentrado nesse ponto. Tu pedindo que seja mais vasto e preciso. Eu dizendo-te que não, fazendo sim.

Tenho de vos apresentar





















A minha mãe vai gostar de te conhecer. Ela adora mulheres que me irritam.

sábado, fevereiro 11, 2012

Filho da puta

Há expressões para todos os gostos, de todos os sentidos, para todos os momentos, em todas as épocas. Cabrão no Norte de Portugal é tão grave como filho da puta no Sul, mais coisa menos coisa.
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Onde quero chegar não é ao cabrão, mas ao dito da dita cuja.
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O correcto seria dizer que Fulano é um filho de puta!
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Que cena intelectual! Filho de puta! Até parece que a senhora é nobre.
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Filho da puta é que é!
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Mas de qual? Há tantas!... Da Albertina ou da Casimira?... Da Francelina ou da Adelaidinha?… Ou do Zeca, o lingrinhas, que deu em paneleiro?... Ou do gorducho do Carlitos que antes de dar o cu a todos já tinha dado a mão e a boca, antes que soubesse o que quer dizer pachacha e para que serve?...
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A verdade é que ninguém diz:
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- Olhe, vá para o caralho!...
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A verdade é que filho de puta é mais correcto do que filho da puta.
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Filho de puta diz a marquesa aborrecida com o cozinheiro, que voltou a abusar do limão nas ostras.
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Na verdade, filho da puta tem uma força que nenhum filho de puta consegue derrotar. Depois de disparado, o corno pode ir-lhe aos cornos, que, contudo, o «filho da puta» lhe fica agarrado enquanto houver memória.
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Filho da puta é chato! Apega-se à auto-estima e massacra o orgulho.
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A puta é a grande cortesã; uma odalisca! Um monstro gordo e sensual, que consome homens, que tanto a criticam como a desejam ser.
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Todo o homem gostava de ser puta. Contudo, nenhum homem quer ser mulher nem quer uma mulher como puta, ainda que lhe mantenha os vícios.
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O homem gosta na puta o poder de foder com toda a gente: Mas sem ter de abdicar da intimidade das reentrâncias. Mãos pias,  boca sagrada e cu imaculado.
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O gajo é uma puta velha. Sabe-a toda! Conhece as filhadaputices todas, que é como quem diz que come meninos ao pequeno-almoço, como dizem que fazem os comunistas.
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A verdade é que às vezes as putas-velhas são comidas, por um filho da puta mais puta do que elas.
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A esperança de nós, vítimas dessas putas e filhos de putas, é que um dia venha um filho da puta e as foda a todas.
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O filho da puta que nos fode será castigado pelo filho da puta que o foder. Porque a puta que fodemos, será a puta que na consciência nos irá foder, ou mandar foder.
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Nota: O Alberto Pimenta fê-lo melhor e antes. Mas este texto é meu e é menos intelectual… é tipo para iniciantes.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Onde sou

Estou numa conspiração de estúpidos e sou o mais estúpido, porque, tendo noção da estupidez, fico intrigando.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Paz ao meu corpo

Parece um vestido de morta, o tronco da minha cruz.

Porto de Gaia


Nunca estive no Porto tempo suficiente para conhecer os cais da Ribeira e de Gaia. Falta-me uma namorada no Porto ou uma namorada do Porto. Embora sem a luz sublime de Lisboa, no Douro há o encanto dos rios grandes que não querem ser mar. O vento e o cheiro do Porto, quatro razões para ir, às duas margens duma cidade que é duas.
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Nota: O autor das fotos localizou-me e posso por aqui dar-lhe os parabéns pela qualidade estética. A referência à autoria já está nas etiquetas.

Ninguém me tira esta ânsia

Acredito em ti e no teu corpo verdadeiro. A pele quase translúcida, leitosa e rosácea. Os lábios de vermelho desmaiado e os outros de rosa muito puro. A pele lisa, sem pelo, caminho directo ao leito, onde, em tesão, se humedece e se entrega. Olhos verdadeiros, sem mácula, só pureza, só puro pecado. As mãos hábeis e os lábios todos…
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Se pudesse mergulhava contigo. Nascemos para ser ricos, com Champanhe, pérolas e bebedeiras… e ver-te, bêbeda… que sempre te vi sensualmente atinada, falsa pudica de tesão completo… ah! Como gostava de te ver bêbeda… e sentir os teus lábios onde sou mais homem.
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E nós que não nascemos ricos, mas príncipes. As noites frescas de Verão, uma piscina aquecida, para dois, no Inverno e música quase alta… o chapinhar, sorrisos e juras falsas… como seríamos felizes!...
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Não nascemos ricos, o que é pena! Mas temos tudo e agora… dava tudo por todos os teus lábios.

Deus, o seu big bang, o amor e Narciso


Diz-me que me amas e dir-te-ei se és ou estás por existir.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Alice, 1998-2012

A Alice mais do que um cão é uma amiga. Tenho a certeza que está no Paraíso dos cachorros, onde pode correr à vontade, trincar daqueles ossos amarelos que vendem nas casas de comida para animais e rosnar a anjinhos patifórios.
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Adoro a Alice, que embebedei em pequena e engordei ao longo da vida com petiscos proibidos, à revelia dos donos. Nas últimas vezes que a vi já não o fiz. Mas ela nunca me deixou de pedir gastro-presentes.
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Espojava-se e saltava-me quando me via, quase violentamente, não deixando que mais ninguém se aproximasse. Nas últimas vezes, já velhota, ainda o fazia. Rosnava quando lhe pediam a pata, mas a mim dava-me as duas à vez, sem fosquices e com o olhar meigo de sempre.
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Adeus amiga, vai brincar no Paraíso dos cães e ladrar de felicidade quando espreitares atrás das nuvens.
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Nota: O texto vai no passado, mas a Alice está no presente. Um beijinho ao Quico, à Inês e ao Paulo.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Mateus Rosé, um elogio






















Num país pouco sofisticado, o Mateus Rosé nasceu preciosidade. A par com o Faísca (mais tarde Lancers, da José Maria da Fonseca), o Mateus tirou vestes negras de viúva dos portugueses e arejou este país do «orgulhosamente sós». Se Portugal, durante a ditadura, era a preto e branco, o Mateus deu-lhe cor e logo uma improvável, a rosa.
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Chatos sem visão, pretensiosos e de mais enochatos e pedantes trataram de obscurecer este vinho tão (atipicamente) português. Enquanto lá fora manteve fama, sendo que em alguns países, como os Estados Unidos, é bem valorizado, por cá foi e é desdenhado por muita gente.
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Não sou exceção, mas, penso, que a idade me tem dado mais incertezas quanto à minha infalibilidade e, ao mesmo tempo, menos complexos. Tem-me tirado peneiras, basicamente. Gosto de vinho há mais de metade da minha vida, embora cota não sou velho.
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Era miúdo quando a Lisboa mais jovem começou a sair à noite. Comigo foi em 1986, tinha 16 anos. A noite tinha fauna, vestia-se e alindava-se, havia estilo e glamour. Os sítios eram alternativos e desejados; havia multidão ansiosa à porta do Frágil, onde a Guida (hoje na associação Abraço) impunha ditatorialmente quem entrava, naquelas duas salas pequenas, criando ódios e respeitinho (este menino era bonito e tinha estilo, nunca ficava à porta). Eu e a pandilha, sem dinheiro, sem fígado e sem estômago para uísques e vodkas, embebedávamo-nos com vinho. Era normal, não havia shots (que surgiram em 1991 – o Báltico, barzinho que frequentava-mos foi dos primeiros, quicá o primeiro, com os agora célebres cocktails B52).
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A vida tem-me mostrado a realidade. Reconheço agora a aleivosia, arrogância, pesporrência e impertinência da minha juventude, incluindo nos copos. Não tinha dinheiro para o que os «grandes» bebiam, pelo que ia vinho… mas Mateus, nunca!
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Já adulto, comecei a trabalhar como jornalista no Diário Económico (janeiro de 1990). Miúdo com piada e pinta, depressa adotado pelos seniores, mestres e ídolos. Os mais velhos trabalhavam e iam a bares sisudos. Não era farra, mas rotina. Sair à noite para tomar um copo num bar chato era o máximo, fazia-me adulto. Eram templos admiráveis aos olhos sensíveis duma criança de vinte anos que quase só conhecia discotecas e tascas. Havia vinho ao jantar, mas nunca Mateus.
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Homem feito e enófilo preconceituoso e pretensioso (espero estar curado) tinha vinho em casa. Mateus? Blheck! Credo, não! Mas a vida mudou. Ou melhor, muda-nos, abre-nos os olhos. Bate-nos, dá-nos estalos, chama-nos burros, estúpidos. Sevícias que nos damos a nós mesmos.
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Quando fiz o programa «Da Terra ao Mar», da RTP 2 (junho de 2004 a maio de 2007 e de junho de 2008 a maio de 2009) passei a lidar muitíssimo mais de perto com a gente do vinho. Conheci malta que me ensinou, tirou dúvidas, que simpática e educadamente me deu raspanetes, com paciência e com o prazer (aqui tenho de mandar um forte abraço ao Paolo Nigra, fundamental pelo grande aprofundamento do meu prazer com vinho). Com essa gente, com quem hoje lido muito mais de perto, aprendi a respeitar os vinhos de grande produção. Gente que me trouxe, aos dias, a dimensão dum Mateus Rosé ou Lancers ou doutro block buster.
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Com imensos enólogos comecei a compreender que não é toda a gente que faz um bom vinho, mas que um bom vinho se faz com boas uvas e/ou com bons meios e material funcional. Com imensos enólogos comecei a compreender que um vinho de qualidade, que todos os anos tem de manter um padrão e um perfil, independentemente das condições, naturais é uma obra do caraças! Tal como a arquitetura, a enologia é uma arte, mas é sobretudo uma disciplina técnica.
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Fazer Mateus Rosé não deve ser, por isso, trabalho para qualquer um. É possível enganar todo o mundo. Mas não é possível enganar todo o mundo para sempre. O Mateus terá tido evoluções de padrões, mas não engana. Mateus Rosé é Mateus Rosé, se vende o que vende, anos e anos, e está aí para as curvas, tem mesmo de ser bom.
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Não, o Mateus não é um vinho de château, embora se ilustre com a setecentista Casa de Mateus, obra do arquiteto Nicolau Nasoni, residência dos condes de Vila Real. Só no seu início houve ligação profissional entre a família Guedes, produtora do vinho, e a Sousa Botelho e Albuquerque. As relações amargaram, mas isso para aqui não interessa. Não é um château nem pretende ser. É um vinho para quem se marimba para as denominações de origem controlada, para as colheitas, para as castas. Mais do que um vinho, o Mateus é uma bebida. Podem os marketeers da Sogrape dizer mesmo, e com razão, que é um estilo de vida..
Repito: Podem os marketeers da Sogrape dizer mesmo, e com razão, que é um estilo de vida. A publicidade sexy, relaxante, com gente de bem com a vida, estilo e sofisticação não mente. É para isso que serve o Mateus. É para as festas! Tem pouco álcool (11%), não é para chapão involuntário no tanque. É para as conversas com gente gira e interessante que não quer (pelo menos nesse momento) discutir o papel da estética nas sociedades ocidentais contemporâneas após a queda do Muro de Berlim e até ao 11 de setembro. Como agora me apetece verão, proximidade da praia, piscina, noite, luzes, música alta, descontração e miúdas giras para seduzir (bah, quero lá saber que seja sexista e marialvista).
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A descontração de Mateus é pensada. Ainda que no início pudesse haver uma certa ingenuidade, a verdade é que tudo foi pensado. E bem pensado, porque bateu certo. A imagem da tradição vinícola e do bom-gosto e estilo do palácio de Mateus e a forma arrojada da garrafa. O cantil, forma Mateus muito imitada pelas concorrências, é antigo, foi ressuscitado para este vinho. Os rótulos evoluíram, modernizaram-se na continuidade. Confesso que gosto mais do look com maior destaque para a casa, mais antigo.
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A marca vale uma mina de ouro, razão pela qual na década de 90 surgiu a gama Mateus Signature, de posição bem acima nas prateleiras, que se pretendia ascender. Não foi eficaz, mas melhor têm corrido os Sparkling e o Aragonês (provavelmente no mundo deve chamar-se tempranillo). Mas Mateus, Mateus, é o clássico rosé sem casta identificada, sem ano de colheita, sem região, sem peneiras, mas com estilo. Serve-se fresco, diz a Sogrape. E serve-se, nunca experimentei ao natural nem me parece que algum dia o faça.
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Adoro o aroma a rebuçado de morango, a frescura na boca, o gás que ali faz mesmo parte.
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O Mateus é como o James Bond (para elas) ou como a Cat Woman (para nós): não é para casar, mas para ter casos, pura diversão sem consequências...
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Muitos podem admirar-se com a nota que vou dar a este vinho. Relembro que a escala é subjectiva e está sujeita ao prazer dado. A qualidade é sempre tida em conta, e isso aqui não falta. Quem tiver preconceitos ou quiser implicar, que tenha chuva durante as férias de verão.
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Origem: Vinho de mesa (Portugal)
Produtor: Sogrape Vinhos
Nota: 7/10

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Ninguém está a ver

O que faz a masturbação um ato íntimo? Será o prazer de esconder o prazer egoísta. Por isso, desejado, caçado por olhos camuflados. Que mal tem o prazer de ver se há prazer em esconder o prazer que se tem? A masturbação não é um ato solitário. Há a pessoa amada, a multidão ávida da revelação ou toda a gente que nesse sonho acompanha e transmite-se para o culminar cego da descontração. A pergunta mantém-se: o que a faz ser um ato íntimo?

Chega-te a mim





















O meu e o teu amor não podem ter o mundo. O mundo não nos sentirá a pele. Temo-nos um ao outro e não quero saber que não nos vejam normais. Sem espaço num mundo sem interesse, restemo-nos.