digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

segunda-feira, maio 30, 2011

Desejo dum corpo que nem fantasma quer ser





















Dor de ser. Entaipado num local de penumbra sem ruído. O tédio dentro do tédio.
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O sono em cumprimento é a viagem possível para fora. Remédio contra o cansaço de existir e ter se sentir o tempo cilindrar a vontade de respirar.
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Respirar é feliz quando se está ao vento. Não digo usufruir os aromas, mas apenas respirar. Por isso não me queixo do cheiro a mofo daqui, só da vontade de desistir.
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Se tivesse ânimo faria um buraco para chegar ao outro lado do mundo. Nem alma chego a ter.
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Não quero o corpo e sua matéria. Não quero espírito sem leveza.
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Deus deveria permitir a morte.

domingo, maio 29, 2011

Lisboa - se tivesse coragem ia-me embora





















Os dias claros, dias de ócio na cidade velha. A janela aberta e a entrada do rio na casa, pela brisa e pelo azul.
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Se tiver ânimo assomar-me-ei à janela para contemplar telhados e os gatos em suas vidas. O ruído das ruas na cidade velha é a música da cidade.
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Por esta altura costuma haver nêsperas nos quintais. Limões há todo o ano. Alguns locais têm figueiras com seu aroma doce. Coisas da cidade velha.
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Não me interessam os eléctricos, agora são mentirosos, com as portas automáticas e luzes de pisca-pisca. Sem câmbio do espaço de condução, o guarda-freio já não faz rodar o trólei.
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A cidade velha vai morrendo sem que uma nova e asseada se vá mostrando. Lisboa está um subúrbio de gente feia.
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Esta noite sonhei em alfamês. Provavelmente também já quase morto. A cidade velha vai morrendo.
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O clima mudou e os dias claros… pouco me interessa nesta cidade em agonia. O rio não tem navios, só paquetes e os cais estão fechados aos passos de todos. O Martim Moniz deixou de ser Lisboa. E o largo de São Domingos. E o Rossio.
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Os dias claros na cidade velha, dias de tédio e tristeza. Guardo-me com as gatas e tento dormir. Em sonhos ainda há dias claros e de ócio. Lisboa é Lisboa e não este subúrbio de gente feia.

quinta-feira, maio 26, 2011

Vinho e artes visuais

Eu tenho dois amores, que em nada são iguais. Um bebe-se por um copo e o outro… não faz rima. Não faz mal.
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A Adega Mayor lançou um programa de conversas acerca do vinho e outros prazeres, as suas ligações. Primeiro foi a música e agora, na passada terça-feira, as artes visuais. O acontecimento deu-se na Galeria de Arte Urbana, na rua da Boavista, em Lisboa.
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E se com a música se apresentaram os Sinfonia (branco e tinto), desta feita foi o Pai Chão (que nome rebuscado), um tinto que é um dos novos topo de gama daquela adega de Campo Maior.
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Na conversa participaram artistas, críticos de arte e crítico de vinho e comida: Sílvia Câmara (historiadora de arte), Fernando Melo (crítico de gastronomia e vinhos), Miguel Januário (artista plástico) e Ricardo Campos (antropólogo), além de Rita Nabeiro (representando o produtor).
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Na exposição apresentaram-se trabalhos de AKA Corleone, Arm Collective, Filipe Rebelo, I’m from Lx, João Retorta, Kruella d’Enfer, Lara Portela, Maria Imaginário, Miguel Januário, Pixelejo e Tamara Alves.
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Infelizmente, o clima de estufa que se viveu na Galeria de Arte Urbana derrotou-me e impossibilita-me de poder narrar o espírito e a matéria do evento. Confesso que estive a beber água, em vez de vinho: litro e meio em menos de dez minutos!
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Esta mesma razão não me permitiu avaliar com exactidão o vinho lançado, obra de Paulo Laureano e Rita Carvalho. Deu para ver que é um vinhaço e que demonstrou frescura, mesmo naquele clima de ananases. Não havia condições para a prática da modalidade.
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Em conversa com o pessoal deu para perceber que o people curtiu a cena e o vinho.
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O vinho resulta de uvas alicante bouschet e trincadeira (se um dia tiver um cão chamo-lhe trincadeira).
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No final foi oferecida uma garrafósia do dito vinho, grafitada à mão por I'm from Lx. Dilema: abrir a obra de arte e perder o conjunto pictórico ou poupa-la e nunca ficar a conhecer o que lá está dentro. Problema: aconselharam-me a guardá-la por três anos, que vai estar uma pinga de estalo… o vinho não aguenta em minha casa… «evapora-se».

segunda-feira, maio 23, 2011

A mulher-abelha





















Pode doer perder quem nunca se teve? Dói-me. Quis um beijo, julguei-o prometido… saboreei-o numa distância de alcançar a mão. Em sonhos chegaram-me ternuras. Dormindo e acordado. Sonhando acordado. Tamanha dor-tamanha. A dor de perder alguém ainda antes da paixão. Perder a vida que se começava a sentir. Estou triste. Tamanha dor-tamanha. Para ela, um beijo maior do que o mundo. Para mim? A esperança de acordar e ter um beijo seu na almofada, pronto para me salvar.

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Nota: Texto de sabor a mel e dor de ferroada.

sábado, maio 21, 2011

A tempestade




Levaste. Levaste-me. Levaste tudo à frente. Fui dispersado por onde a vista alcança.
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Longe, o coração parou de bater. Cansou-se. Luto pela morte de mais uma musa, pelo suicídio duma inspiração. Uma vez mais hiberna. Não chegou a voar até ao corpo do buraco no peito que pulsa por memória ou inércia.
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Como tudo aconteceu. Passo a explicar.
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Em casa quebrou-se um espelho. A vidraça da janela recusa-se a fazer-lhe a vez, molhada de choro. Por um tempo curto, o corpo e o buraco esperaram abraçar o coração, afinal manteve-se longe.
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Quebrou-se o espelho, os olhos não vêem o estado do amor-próprio, sabem apenas que dói. E basta.
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A casa despovoada continua quase desabitada. Não há monumento ou recordação ou milagre que tragam turistas, nem por uma noite.
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Na casa é sempre noite ou noite boreal. Escura como a cave carvoeira, silencia-se ainda no silêncio. Por vezes, as coisas murmuram… lembranças de alguém, desejos de alguém. Não se sabe, está escuro.
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Quebrou-se o espelho de queda matada. Derrubado pela ventania que penetrou a vidraça. Esperava-se a chegada da luz, chegou o vento da chuva. Devia ser dia, finalmente. Devia ser dia, sonhou-se. Afinal sempre foi noite.
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Esperei-te, não vieste. Esquecida, eu, a casa, as coisas recebemos a tempestade da tua ausência. Sem uma lágrima, apenas espanto e tristeza.
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Parecia de luz de paz e Sol. Imaginação de palavras e pele de se tocar. Nunca as palavras prometeram… mas parecia de luz e vontade.
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O vento levou-me para me dispersar por toda a parte. Só o coração tem lugar certo. O magnetismo da imagem impressa na alma reunirá os despojos. As palavras regressam às mãos que as escreveram.
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A vida mantém-se alimentada pela batida por inércia do buraco. Tudo como sempre. A monotonia voltou.

segunda-feira, maio 16, 2011

Novo grafismo e quinto aniversário





















Há datas que sempre nos lembramos. Por vezes passam-nos da ideia. Assim aconteceu este ano com o aniversário do Infotocopiável; cinco anos em 24 de Março.
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Nunca pensei que este caderno de textos pudesse ter esta longevidade. É certo que nem todos os anos correm de forma igual, nalguns escrevi muito, noutros pouco.
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O conceito mantém-se desde o início: todos os textos são da minha autoria e sempre ilustrados. Inicialmente bastava-me com pouco, porém, a dada altura, assumi que as imagens tinham de estar ligadas a arte ou, então, a vídeos interessantes ou dentro do contexto das palavras.
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Embora passe por uma fase de menor criatividade, a verdade é que o número de visitas tem vindo a aumentar. O que não tem grande importância, pois este blogue não tem cronologia, propriamente dita. Um texto do segundo dia pode ser lido como o do penúltimo, não há anacronismos nem agenda. Muito embora, a espaços, possam existir postas um pouco datadas ou referentes a uma determinada situação. Porém, essa não é a regra.
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Uma vez um amigo meu instigou-me a renovar o blogue, que estava já há muito tempo com o mesmo aspecto gráfico. Rabujei, até porque sou conservador no que toca a mexidas. Todavia, ao deixar passar o quinto aniversário e viver uma situação em que me apetece mudar tudo, ou quase, avancei para o rejuvenescimento gráfico.
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Mantém-se o negro como fundo de texto, mantém-se o tom escuro geral, mas foi dada alguma cor, o que o torna um pouco mais leve. A imagem escolhida para fundo é a mesma que ilustra este texto, da autoria de Pierrette Bloch. Agradeço o espicaçar para a renovação e a crítica mordaz aos ensaios gráficos por parte da Rita. Espero que gostem.

sábado, maio 14, 2011

Um dia assim





















O morto ainda respira, acto involuntário e inconsciente. A cabeça há muito que curtocircuitou e as mãos caídas de derrota e desalento deixaram de ter outra função que estarem caídas e desalentadas. A força da gravidade é quase tão forte quanto a da vontade de dela tirar partido. Voo com vontade, de não ficar.
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O morto deixa-se caído na cama, por indolência, não cai nem dela abaixo. Um pouco mais de fé e ânimo e iria até à varanda. Caminho mais rápido para comprar cigarros, modo alternativo, mas mais lento, de se morrer.
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O morto deixa-se adormecido, na esperança de que tudo não passe dum pesadelo, que possa acordar mesmo morto.
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O morto fecha-se na escuridão do quarto, ambientando-se à luz que não terá na tumba. Mesmo lá estará vivo e esperando morrer.
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O morto não tem saída. Caixão fechado à esperança. Com força de vontade conseguirá. A morte faz-se passo a passo.
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No jazigo transparente em que se verá… só a vantagem de não ter corpo e de não ter de falar a quem se esqueceu de lhe dizer qualquer coisa…

quarta-feira, maio 11, 2011

As árvores do Paraíso





















Beijo rosa-água, espelho de muitas luzes. Não num jardim secreto, mas de invisível matéria.
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O desejo é tão forte que poderia ser rocha. Tão belo que poderia ser montanha. Todavia tão pequeno e frágil, tão dependente da vontade duns lábios.
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Em todo azul, muitas luzes, como os frutos das árvores do Paraíso. Nunca a do conhecimento, mas de todas as outras, as dos mistérios.
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Não te conheço a vida, mas pressinto a doçura. Mais do que mel e cores.
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Todas as árvores, menos a do conhecimento. Provar todos os frutos.
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Só depois experimentar o pecado. Se proibido, mais doce. Se secreto, mais sensual.
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Em todo azul. Numa vida toda. Muitas vidas. Não veremos todas as ondas e de todos os mares.
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Em todo azul, muitos azuis e cores.
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Como os sabores dos frutos de todas as árvores do paraíso. O sal do mar, o todo azul.
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Pureza de mil ânsias, intranquilidade do desejo. Para já, beijo rosa-água.
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Todo azul, o Paraíso. Toda a fruta comida. O desejo intranquilo, as incertezas.
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Vem provar comigo o fruto do conhecimento. Acabaremos caídos no mar e temperados de sal.
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Todas as luzes, de infinitos luzires.
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Temperados de sal, beijos rosa-água e já agora, és rosa do mar.

Declaração de amizade

Recebi o chamamento da árvore das palavras. Não da bravia, mas da sativa. Dela recolhi o fruto, letras para escrever bem a gente boa. Letras para desejar bem a toda a gente.
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Pensando em ti, colhi o A, para te enfeitar com amizade. Poderia ser ausência, mas não desta árvore. Com letras dela pode ser saudade, manifestação de ternura.
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Com a letra A escrevo-te abraço, o que te darei sempre que penses em mim.
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Pensando em ti recebi muitas letras para muitas palavras. Por ser sativa, a árvore, só de luz arrecadei.
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Podia escrever um livro de laudas, mas fico-me por uma curta declaração de amizade.
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Calhou-me ainda o B, para que te possa mandar beijos.

segunda-feira, maio 09, 2011

Voar no trapézio

Levantar-te até onde os meus braços alcançam e lá voar num trapézio.
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Pretexto para te segurar as mãos e a cintura. E no aperto do breve voo fazer amor.
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Em voo, mas sexo de anjos, não. Inteiro amor de busca, retribuição e promessa nunca esquecida.
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Se o teu lado melhor é invisível, conto-me com o que posso sentir com a carne.
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Não és nem princesa nem fada. Para mim, que desejo ser poeta, é coisa para um beijo.
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O unir das bocas não é menos amor do que a penetração que desejo. Não me contento, mas chorarei menos a recusa.
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Contigo tenho contas antigas por saldar. Lembradas na revelação do nascimento de Vénus.
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Imagino-te toda em luz, despindo-te em magia. Em transparência. Diante dos meus olhos em encantamento.
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Êxtase ao ver-te entrar a porta. Se algum dia a passares. Um unir dos lábios não é menos amor que a penetração que desejo.
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Dívida contraída num tempo antigo. Só posta em frente na anunciação da tua voz. Afinal existes.
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Tanto tempo tão longe.
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Quendera ter a liberdade de te amar. Incondicionalmente. Quendera ter a liberdade de te amar. Só por umas noites. Quendera, quendera…
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Quendera recusar-te em amor racional. Salto contido na vertigem do precipício. Recusar-te pelo medo de te amar. Recusar-te por medo de me recusares.
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Ao rever-te a luz senti as peles tocando-se. Imaginando os perfumes dos nossos corpos suados. Dos teus dedos em mim. E de mim em ti.
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Adormeço a pensar nas palavras que te direi ao acordar. Digo-tas antes que seja manhã. Medo de morrer sem tas dizer.
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Acordo a pensar o que te de novo posso escrever. A tua luz diz-me as palavras, letra a letra.
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Confesso que estou adolescendo, na esperança de ainda hoje me dares o prazer da tua palavra.
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Amar-te não como mãe, mas como igual no desejo. Querer ter toda a ternura, quase a que se tem pela mãe.
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Amar-te e dar-te o beijo mais longo dado no cinema. E o mais longo dado num cinema.
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Ficar lado a lado, deitados em lençóis amarfanhados, em silêncios e palavras. O tempo perdido e o ganho na aparição… e ainda tão recente.
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Ainda não mandei vir de Edimburgo o coração. Mas já mandei a chave do cofre de vidro, que outrora foi caixão da Bela Adormecida.
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O coração sei que virá quando sentir que o buraco que deixou em mim voltou a pulsar.
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Quendera fazer amor contigo a voar num trapézio. Dar-me no medo da queda, destemento a dor da queda.
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Quendera me aceites. Quendera me recuses. Agora és tudo em mim.

domingo, maio 08, 2011

Amor

Fazer amor faz-se quando se faz amor com cumplicidade. A cumplicidade dos amores antigos e amigos. Quando os corpos cansados têm o poder de ainda surpreenderem em carinho.
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É bonito ver-te dormir, quieta de cansaço. Estás mais velha e eu careca e gordo. És a mesma, a menina da alma sempre livre, presa por amor translúcido.
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Já nos conhecemos há quantos anos? Há tempo suficiente para ainda termos sido muito jovens, a tempo de crises de choro, imponderações, raivas, incompreensões, intransigências…
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Ainda hoje gosto de te dar a mão no cinema. Na rua nunca deixaste, fizeste bem; é piroso. O amor não precisa dessa publicidade para se mostrar, nem precisa de se mostrar.
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O amor só é amor quando a sua perda é perda total. Mas tão grande que por nada se perde e tão sublime que vive, dentro doutro dia qualquer.

sexta-feira, maio 06, 2011

Estrela cadente





















Sim, vi qualquer coisa rasgando o céu. Apontei-lhe o dedo, espantado. Com prazer senti cair em mim qualquer coisa de ternura. Entrou-me até estar beijado, deste ao outro lado da pele.
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Quem com beijos mata, com beijos se afoga. Enviei para longe qualquer coisa de beijável. Pelo eco sei que chegou.
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E se tal nunca aconteceu? Se tudo não passou duma miragem ao admirar o céu? Por certo que algures, numa outra ponta da galáxia, outros dois olhos cerraram os lábios em beijo.
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Até à velocidade da luz o tempo custa a passar. Imagine-se o que não será caminhar toda esta estrada com botas pesadas calçadas.
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Ao fim ao cabo, se tudo demora, até a luz, nada demora nada. Todos os anos da distância resumem-se a coisa pouca.

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Antes menina, pacata à espera de se desarrumar. Hoje mulher-libélula a desassossegar.

domingo, maio 01, 2011

E agora?





















Amas, amarás, amaste. Não. Por que não? Porque sim! Por que não me perguntaste? Por que perguntaste por mim? Por que não me beijaste? Por que te senti? Senti a falta. Agora sei que sentiste. Mas não sabes que sei.
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Por que não me perguntaste? Procurei-te. Vi-te. Viste-me. Ouviste-me. Não me respondeste. Não ignoraste, não respondeste. Aprendi? Não, não aprendi. Amo-te? Amei. Amas? Não amarei. Por que não me perguntaste? Por que perguntaste por mim? Por que me recusaste?
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O cigarro atrás do outro. A cigarrilha. O escândalo à varanda. O funeral sem corpo. A morte sem corpo. Mais pesado que um cortinado de veludo.
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Além do estudo. Além da promessa. Afinal a mentira, depois da descoberta. O estudo…
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Não te esqueci. Não poderei, porque há uma morte para lembrar. Sei que sabes, ainda que sempre digas que não. Não me esqueceste, pelo que nem me dizes que não. Como poderei?
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Não te esqueci. Como poderei, depois de tudo e do amor também?
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Como poderei esquecer esses olhos de água? A fúria em rosto de tranquilidade… o desvario e a preocupação, esta que nem desconfiei. Se amei? Amei!
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Se amo? Amei. Como quase amei tanto quanto outro alguém. Se doeu a perda? Doeu, mas menos do que perder alguém. Se morri? Morri, um pouco, ao saber que para ti tinha morrido e agora ainda mais por saber que te não morri.
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Agora, agorinha mesmo… beijar-te-ia. Concedendo-te o perdão que não pediste nem pedirás nem queres. Para sempre, nesta vida, desavindos… beijar-te-ia. A ti, que quase pensei seres o amor da minha vida. Certamente por não me lembrar do amor da minha vida.
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Beijar-te-ia. Amarei sempre, porque amo sempre a quem sempre amei. A uma mais, mas a ti também. A ti que pensei que viesse a amar mais do que quem mais amei.
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Beijar-te-ia? Agora? Sim! Agora. Novamente. Por saber que, afinal, perguntaste por mim.