terça-feira, abril 27, 2010

Quietude

A fonte dos enganos tem água límpida, disfarça-se melhor na transparência. A água que brota em sobressaltos é mais justa do que a tranquila, porque não se deixa morrer nem desmaia, desistente. Luta, porque tem de viver. Beija-se melhor na companhia do borbulhar do que na pasmaceira e do chilrear pequenino. Mas sou cinzento e quieto, descuidado desfaleço, aprontando a morte na tristeza dos nevoeiros. Não beijo, apenas junto dos lábios e humedeço os outros.

Até que uma noite ou a morte os una

Contigo partilho os dias de solidão. Tu tão longe e eu aqui. À noite juntamos o que o dia separa, em sonhos partilhados em duas camas diferentes.

Fonte temperada





















Numa fonte de temperada Primavera, deixo-te em segredo as palavras que sempre te quis dizer. Nada de muito complicado, a simplicidade das coisas grandes, os afectos de todos os dias. Palavras por embrulhar, depositadas apenas nos seixos que orlam a água limpa, brilhante. Doces, de atrair os pássaros. Doces que os pássaros bicam, mas não comem. Em segredo deixo-te poucas palavras, que conhecerás a minha revelação no primeiro instante em que as leias.

sábado, abril 17, 2010

Até já

Nada a dizer. Nada a acrescentar. A minha voz está muda e os meus ouvidos tapados. Prometo voltar. Até lá vou contando dias e horas de tédio. Juro que prometo jurar amor eterno. E fidelidade absoluta.

quinta-feira, abril 08, 2010

Como o Mondego

O meu pai ensinou-me que se chamava bazófias ao Mondego. No Inverno é caudaloso, mas tímido e magro no Verão. Assim estou eu na paciência escrita, nas ideias, no esforço... magro como o Mondego.