digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quarta-feira, março 31, 2010

Mioleira





















Emocionalmente já tenho os miolos esporrados na parede da casa de banho. Na prática ainda estou a poupar para comprar uma pistola.

terça-feira, março 30, 2010

Mulher-gata





















Já é mania... ou regra. As minhas gatas ronronam e fogem. Penso que é uma característica tipicamente feminina: charme, delícia e abalada para que se vá atrás apaparincado. Ou então é mesmo sina.

sábado, março 27, 2010

Texto dos quatro anos

Foi há quatro anos e não parece que foi ontem. Parece que começou na infância, num tempo escondido. Na altura tinha reencontrado o amor maior num sítio do acaso. Ela estava bonita como sempre e também blogava. Foi estranho, como é sempre estranho quando se encontra o amor maior quando já só é espuma.
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Onde estava eu há quatro anos? Sensivelmente no mesmo sítio. A mesma melancolia… o tédio, a desesperança, a tristeza, a solidão. Houve amores de vai-e-vem, mas nada de especial… ou sem nada de especial que queira partilhar.
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O resto já se sabe: muitas letras, muitas imagens, uma média superior a um texto por dia e sempre a vontade de escrever novo, escrever diferente e escrever interessante… apesar de muitas vezes me confundirem com a escrita e com as personagens.
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Nota 1: Dedico este texto à Calvin, que blogava antes de eu blogar e que, infelizmente, se deixou disso.
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Nota: Este texto devia ter sido escrito a horas, para figurar no dia 24, que é o momento astral do infotocopiável, mas a distracção e o estado de presença…

Túnel de tédio

Deve haver uma saída qualquer, ainda que não se vislumbre uma fresta para entrar a luz ou ver o mundo lá fora. Dizem que a solução não pode ser a explosão das paredes e tecto desta monotonia. Digo-lhes que aos empurrões não se chega lá.
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Há três dias deitado em tédio. Os olhos rasos de tédio. Os ossos cansados de tédio. A boca sôfrega, quase engasgada, a sufocar de tédio.
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Afinal a nesga… da nesga não se vê o mundo lá fora. Depois do breu de dentro de mim, há o breu da casa, o breu do jardim, o breu da rua, o breu do mundo. Por vezes parece que a única luz é a que vem da escuridão da cova de sete palmos.
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Este túnel parado há-de ir dar a algum lado… nem que seja aqui.

A tempo da tristeza

Este nosso tempo quase perfeito. Este tempo de indecisões coloridas. Vejo flores silvestres represas em jardins tristes, árvores grandes em espaços privados e fauna pequena onde precisava que estivesse um leão devorar-me.
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Tempo quase perfeito, sem horas de estar e pertencer ao tempo que se faz de sol, sombra, penumbra e escuridão. Luzes calmas rentes ao chão. Aragem boémia. Porém, a mesma solidão.
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Em mim, amores. Ontem, amores. Amores perenes. Amores de ida e volta. Traços de laranja no azul celeste a perder-se na tarde. Um tempo haverá de amores novos.
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Um dia, no jardim triste, a minha solidão desimportar-se-á de todos os instantes de vacatura. Um dia, o tempo quase perfeito. Amores só de ida e tempo sem volta.

quinta-feira, março 25, 2010

Tempo





















Deve ter havido um início do tempo. Algures no princípio do universo, Deus quis. Aquém de todo o tempo, além da eternidade, Deus é. A questão está em saber onde estamos. Por mais que puxe pela cabeça, não me lembro quando nasci. Por que haveria de entender o que é o tempo e sua importância na eternidade?

quarta-feira, março 24, 2010

Quatro anos de infotocopiável

Quatro anos! Nunca pensei que durasse tanto. Aliás, nunca pensei se durava ou se deixava de durar. Que venham outros tantos.

quinta-feira, março 18, 2010

Memória por instantes

Hoje no jardim da Parada cheirou-me à Feira Popular. Chegou-me ao estômago e ao cérebro uma mistura de saudades, desejos, diversão e fascínio... o espaço, a multidão, as pinturas murais, as atracões mecânicas, a casa dos espelhos…
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A Feira Popular era a parte boa dos circos. Sem palhaços nem domadores de feras, sem contorcionistas nem equilibristas. Só a parte boa, o aroma das frituras de churros e farturas, da carne a grelhar, o frango, das saladas a puxar ao vinagre, frescas.
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Veio-me, assim, a velha Feira Popular ao nariz. Devia ter ficado ali parado a absorver as memórias? Preferi vir embora para que a nostalgia fique onde está e guarde dela esse manto invisível de amor não correspondido. Como se, muitos anos passados, reencontrasse o amor maior e não lhe falasse, apenas ficasse a pensar o que teria sido a vida se nós não tivessemos chegado a um fim. Em qualquer caso, é melhor não saber, não ficar, não vá o espelho estilhaçar-se.
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Nota: Vi-me aflito para ilustrar este texto e, mesmo assim, não consegui o que queria.

Objecto

Uma mulher-objecto não entretém como uma obra de arte, porque deixa de o ser. E deixa de ser desejo, porque objecto. Já na fotografia erótica e pornográfica a estória é outra, porque aí podem gozar, e largo, com as caretas dos onanistas e suas barrigas gordas ou magrezas doentias.

domingo, março 07, 2010

Espelho





















O outro lado do espelho é tão vasto quanto o de cá. A vista alcança menos no inverso, mas está tudo quanto é útil ou despropositado ao homem. Alice também lá foi e espero, numa próxima, visitar, alucinado com qualquer substância que faça partir. Porque para se encarar com seriedade o oposto há que o desconstruir para virar.

sexta-feira, março 05, 2010

Chinelos





















Estes chinelos vão fazer, em Junho, dez anos. Lembro-me muito bem do dia em que os comprei e do Sol e praia que os abraçaram no começo. Nesse tempo acreditava piamente no amor, apesar das palavras premonitórias dum abismo próximo.
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Parei a olhar para eles e para o tempo que desde então passou. Outros chinelos teriam desesperado e partido há muito. Estes ficaram, como se tivessem esperança de me reencontrarem com o amor e com quem partiu.
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Por causa deles pensei nos outros que tenho, de Inverno. Não vão durar tanto, como não durou tanto o amor que tive quando os comprei. Estes estão rotos e partirão em breve, como foi já a esperança dum novo assombro.
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Tive amor da cabeça aos pés. Agora tenho um sentimento vago, que calco e desprezo. Um dia, se as encontrar, dou-lhes com os pés.

Chinelos

Estes chinelos vão fazer, em Junho, dez anos. Lembro-me muito bem do dia em que os comprei e do Sol e praia que os abraçaram no começo. Nesse tempo acreditava piamente no amor, apesar das palavras premonitórias dum abismo próximo.
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Parei a olhar para eles e para o tempo que desde então passou. Outros chinelos teriam desesperado e partido há muito. Estes ficaram, como se tivessem esperança de me reencontrarem com o amor e com quem partiu.
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Por causa deles pensei nos outros que tenho, de Inverno. Não vão durar tanto, como não durou tanto o amor que tive quando os comprei. Estes estão rotos e partirão em breve, como foi já a esperança dum novo assombro.
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Tive amor da cabeça aos pés. Agora tenho um sentimento vago, que calco e desprezo. Um dia, se as encontrar, dou-lhes com os pés.

Entre a solidão e o tédio





















A minha solidão. A minha inteira solidão. Única, intransmissível, particular. Completamente minha, que não a quero acompanhada por mais alguém.
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Na solidão, as velas também se apagam. De cada vez uma alfinetada. Ainda agora morreu uma. Morrem todas. Morrem aos poucos. Nos momentos de prazer, nos de doçura, nos de agonia.
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Fechado num quarto de três paredes e uma cortina espessa, contenho as palavras que magoam, que talvez justifiquem o estado solitário, nos momentos felizes e tristes.
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Já cansado, enfado-me apenas com a confusão que de mim fazem, desconhecendo baralham autor, personagem e pessoa. São sinais de qualquer coisa que não quero compreender nem aceitar.
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Ninharias! O que é isto quando comparado com a fé não esclarecida? Ninharias que vêm à cabeça dum ocioso entediado. Coisas minhas. Tão minhas quanto a solidão, que me mata, que é minha e não partilho.

quarta-feira, março 03, 2010

As flores





















As flores que te dei eram de outra para outra pessoa. Não são amores trocados. Não são amores defuntos nem promessas. É apenas o destino a traçar o destino. Sem mistério não seria amor. Aguardo um beijo na volta dos meus lábios e o pousar desdenhoso das flores, para que te prendas em mim, de pernas em volta da minha cintura, e as esmagues, tirando delas toda a sensualidade do perfume.