sábado, outubro 31, 2009

Combate as leis e a autoridade

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Não pago multas de estacionamento!

Mania de você

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Assim estamos nós. À distância e unidos. Separados apenas pela carne juntos no destino. O que agora afastas é o que terás de aceitar.

Culpa

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Não sabes de quem é a culpa? Tua não será. Põe-na em mim e fica com os méritos. Fizemos amor, porque quiseste, mas os arranhões nas minhas costas, durante o teu orgasmo, foram por culpa minha. Se o dia te correu mal, culpa-me por ter esquecido de comprar arroz. Mesmo que não tenhas tido sempre razão, nunca reconheças uma falta nem peças desculpa. Põe as culpas em mim, pois afinal tenho tendência para me imolar. Dá-me, pelo menos uma vez, razão. A razão de me vitimizar.
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Nota: Este vídeo, sem a imagem inicial, já tinha sido postado. Mas aqui justifica-se novamente.

Letra D


quarta-feira, outubro 28, 2009

Letra A


Vai-te... ouvir esta música

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Não atendes o telefone. Não respondes às mensagens. Aliás, respondeste uma vez para dizer que não eras minha amiga, depois de todo o passado juntos. Tenho a dizer-te: ouve esta música e cala-te!

Facebook

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Tenho mais amigos do que pensava. Alguns até conheço. Tenho de deixar de ser tão simpático.
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Nota: Gostei do verbo facebookar.

Assalto

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Como estás bela, de olhos fechados, em tranquilidade. Se te beijasse, agora, abririas os olhos e o espanto do sobressalto levaria o modo calmo do teu rosto. Mas o que hei-de fazer? Nada melhor do que um assalto à boca, do que um beijo roubado.

domingo, outubro 25, 2009

Tenho dito














Bísaro não é bizarro. Bísaro é um porco. Bizarro sou eu que estou gordo que nem um porco. Sexo bizarro é sexo porco, mas sexo bísaro é procriação duma espécie de mamífero doméstico.

Dias vazios

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Os minutos de silêncio são invadidos por ti. Preciso que alguém me leve o tempo para que possa prescindir da tua ausência. Já não se fazem dias felizes.

Everidei ise laique sandei

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Todos os meus dias são domingos. É sempre folga e o corpo não tem dinheiro para disposição de actividade. É que a cabeça faz todos os dias cinzentos.

Pexum





















O meu organismo não permite imitações. Se é peixe, logo e pexum... as vísceras são sábias e dizem prontamente que aquela carne branca, suave e macia não é comestível. Soube ontem que o bacalhau, que da outra vez me serviram, não era, afinal, bacalhau. Era uma coisa qualquer que o imitava, quer no nome quer na cura. É que bacalhau não é peixe e peixe só atum de conserva e desde que não seja sangacho. Pois não era bacalhau e das vísceras nasceram vómitos e a incapacidade de engolir, antes da má disposição. O organismo não mente e o bacalhau de salmoura também não.

Uma promessa





















Segunda-feira de não pronunciação. Fez o terceiro dia, o da promessa. Do outro lado há uma voz que garante, para outro dia. De terça-feira a domingo nada que conte, dias por dizer, e a crença no cumprimento da dívida. Nova segunda-feira, nova esperança de que o dia não seja impronunciável. Que a semana não seja outra indizível.
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Nota: Não se é perceptível, mas o texto não tem nada a ver com Rachmaninov.

Comunistas















Há pessoas tão comunistas que só ficarão bem se viverem em clandestinidade ou no seu totalitarismo.

Curiosidade


















Não sei por que me espiam. Devem gostar de maus romances enfadonhos. Aliás, nem é romance! Nem narrativa! É um amontoado de palavras, organizadas em frases de pouco sentido e sem interligação dumas com as outras. Curiosidade? Só se for pelo vazio de interesse, mas bastam poucos minutos para se perceber tudo… ou o que não há para perceber.

Vida, minha vida

















Que sei eu da minha vida? O que posso dizer? Só que não tenho nada com isso.

Letra X


Letra W


sábado, outubro 24, 2009

Jantar de vinte e três de Outubro

Ao todo éramos seis, mas foram dois que sobressaíram: o picareta-falante A e a pita tagarela I. O Guillaz sempre foi dizendo qualquer coisa e a SB, sempre recatada e calminha, mostrou mais vontade de se fazer ouvir. E o que eles falaram!... tive de os pôr fora de casa ou hoje à tarde ainda estariam aqui na cavaqueira.
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A noite teve quatro momentos altos: o Auster, o vazar duma garrafa sobre a toalha, obra do incansável A, o estilhaçar duma chávena e pires de café, obra do impagável A, e a varridela final, quando os meti lás fora.
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O primeiro vinho da noite foi um Casa Santos Lima Chardonnay 2008 (regional Estremadura), com a untuosidade que caracteriza esta casta, sem ser pesado, e fresco… fruta tropical e erva cortada. Este vinho acompanhou paiola de porco alentejano, os peixinhos da horta e os camarões em alho.
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A entrada prevista era de chamuças… mas a Dona Emília em vez de doze trouxe trinta. Assim, a especialidade, indiana e da senhora, foi servida com honras de prato principal. Às frituras, para contrabalançar, foi servido puré de castanhas.
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Os tintos foram o Casa de Santar Reserva 2005 (Dão), algo austero, mas com boas notas de fruta vermelha, o Duas Quintas 2007 (Douro), vivo nos aromas e com fruta notável, e Auster Reserva 2002 (Douro), em plena forma, com agradáveis aromas terciários, de confitados, um toque suave de cogumelos, uma pitada de especiarias.
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Para finalizar, veio para a mesa um derretível bolo de chocolate, trazido pela SB. Acompanhou-se, e lindamente, com o Auster.
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A conversa decorreu animada, com os decibéis a irem demasiadamente frequente a níveis proibidos pela lei e pela decência das horas. Felizmente, não aconteceu, como noutros tempos, vir um vizinho à porta ou ao telefone queixar-se do ruído.

quarta-feira, outubro 21, 2009

sábado, outubro 17, 2009

O grande amor

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O grande amor é um lugar de passagem, que se devassa com tempo. Não menos frágil do que os outros, não mais durável. Só a sua memória tem sabor persistente e a sua falta é mais pungente.
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Nego todos os amores. Não peço que me devolvam os beijos e sei que as recordações duram um instante. As rosas e outras flores murcharam, lençóis suados estão lavados e as juras breves promessas para incumprir.
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Se deixei o coração entregue a cidade é porque as pedras e as vistas são insensíveis, mas justas, coerentes e sinceras.
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Não dou nada, porque não peço nada. Não para que não possa esperar nem exigir. Deixo as flores nos seus canteiros e todas as juras e metáforas dentro da boca.
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Sei que o fim nunca é o fim. Pronuncio-o com a mesma certeza do grande amor. Tenho esperança de não mais prometer nem viver. Que Deus me ajude e me dê o que peço.

Letra P


sexta-feira, outubro 16, 2009

Como fosses a mãe, o teu colo

A cada desgosto volto para ti, desejo o teu colo. Como fosses a mãe. Como tivesse sido abandonado, choro a tua ausência. Noutros dias, lembro a amante que foste e vejo a cama vazia. Dormimos juntos à noite, separados, cada um com o seu pesadelo. Nunca estamos só os dois.

Pai





















Se me morreres um dia não sei como farei as pazes contigo. De dia amo-te, à noite conflituo-te. Estás, és, além do dia e da noite, além da vida e da morte.

Insinuação de morte





















Primeiro foi o Inferno. Depois o silêncio. Mais tarde a descoberta da mágoa. Agora, a violência invertida, de mim para ele. Esta noite insinuei a sua morte. Como me sinto culpado, como o amo apesar de tudo.

Sair de casa





















- Já saíste de casa?
- Ainda não… mas, queres combinar alguma coisa?
- Quando te pergunto se saíste de casa refiro-me a teres uma vida fora da casa dos teus pais: arrendares ou comprares uma casa.
- Na verdade, não consigo sair. Volto para lá todas as noites.
- Já tens idade…
- O que queres, todas as noites volto para lá. Para o meu quarto, para toda a casa, para os conflitos e os dramas.
- Tens de fazer alguma coisa?
- Matar o pai?
- Nem que seja. Talvez, só assim, faças as pazes com ele.

Letra O

quinta-feira, outubro 15, 2009

O sobressalto





















Mais uma noite de sobressaltos. O pai dominador. A mãe submissa. A casa em ruínas. O, então, a casa primeira e a promessa. Os sonhos não entram nesta casa, dela só saem sonhos e vivem-se pesadelos. Depois existe a mulher prometida e todo o descalabro. Tenho vida além dela, gostaria que ela a levasse toda.

Letra N

terça-feira, outubro 13, 2009

Juntos à noite
















Voltámos a fazer amor dolorosamente. Apesar de todas as carícias, há um passado que atormenta. Não houvesse memória… Se houvesse certezas.
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Deitados, lado a lado, insistimos em falar de nós depois de nós termos passado a ser dois. Deitados, depois de fazermos amor, acordamos sobressaltados, cada um em sua cama.

Letra L


À flor da pele

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Tenho dor na alma e tenho-a à flor da pele. Longe de desencarnar, tenho-a cravada na carne e a forçar a saída. Tenho dor na carne.

sábado, outubro 10, 2009

Diálogo entre uma muda e um estúpido

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- Não sou tua amiga!
- Então, és o quê?
- …
- (Tens razão, és a mulher dos meus sonhos e dos meus pesadelos).
- (Quero-te longe, porque não me aguento perto).
- Então, és o quê?
- …

sexta-feira, outubro 09, 2009

terça-feira, outubro 06, 2009

Tédio





















Só há uma coisa pior que este tédio, a lembrança das namoradas antigas. É ela que me fere, porque sinto todos os disparates que fiz me fizeram perde-las. É uma dor, como um buraco, na alma. Um buraco com vista para o íntimo e opaco aos olhos. Quendera voltar onde já não posso para desfazer. Quem sabe se não faria algo pior. Sem memória não saberia, com memória teria mais do que uma vida numa só. Quendera acordar noutro dia qualquer… e só de pensar… estou a vinte e quatro horas de daqui a um dia. Nem isso me traz alento nem evapora os suspiros secos, abatidos e por parir, por imparíveis. Tenho este tédio como tenho pernas, braços, tronco e cabeça. E se tronco e membros não pensam, não deixam de sentir dores. A dores das saudades das que se foram. A cabeça, o coração e a alma em estado de ruína, sem parar, cristalizam na dor. Este maldito tédio que se pega ao corpo como o suor ao corpo nos dias abafados. Maldito tédio.

Por mim, passo bem sem física

Há quem veja beleza no mundo e no universo pela física e afirme que existe nas fórmulas. Pois penso ao contrário: o que amo está em tudo em que não sinto nem pressinto física. Se há beleza, que encontre na física, está no que não entendo. A arte pertence à metafísica?

Tabaco





















O odor do perfume do desodorizante antitabaco é tal, que vou acender um charuto.

Tempo





















Às voltas na cama, tento voltar o tempo. Intuo as voltas dos ponteiros, peço a Deus que andem depressa e esqueço-me que o relógio é digital. Oiço, lá fora, os sons a passar, prova inequívoca de tempo. Vivo um sobressalto, de que não passe e de que passe demasiado depressa. Tudo foi ontem: a infância, a escola, a avó, o liceu, a namorada, a outra namorada, as outras namoradas, a faculdade, o trabalho, a promessa, a namorada, uma outra promessa, a casa, a outra casa, a dor grande, a esperança, a dor maior, o desalento, a dor de novo, o desalento e a perdição, a dor da traição, as gatas e o dia de ontem. A vida toda num tempo e a certeza que ainda há mais dias para vir, e a certeza que ainda há dores grandes à espera. Sem saber o que fazer com o tempo, sabendo que o que vai não volta e que um dia lamentarei este que já lamento.

Letra F