digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

terça-feira, março 31, 2009

São borrachas, senhor, são borrachas

O papa pronunciou-se contra o preservativo. Disse-o pouco antes de visitar África a braços com uma grave situação de sida. Burburinho no mundo e vieram umas tosses do lado da Praça de São Pedro, mas nada que desfizesse a bestialidade de Bento XVI. Por cá, o bispo de Viseu disse aceitar o preservativo nos doentes com sida. Menos mal. Ao menos para esses. Mas já se sabe que as declarações de Ilídio Leandro estão a ser estudadas no Vaticano. Só esta afirmação é já de banzar em pleno século XXI. Justiça seja feita, a Igreja Católica Apostólica Romana é coerente, o espírito da Santa Inquisição mantém-se vivo.
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Mas há uma explicação para a postura conservadora da Igreja Católica Apostólica Romana. Só apanha sida quem anda na vadiagem sexual ou a tomar drogas. Pecadores… Ora, sabendo que todo o sexo deve ser no seio do casamento e toda a cópula tem como finalidade a reprodução da espécie, tem toda a lógica a postura contra o preservativo.
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O problema é que a Igreja católica Apostólica Romana é contra o prazer e como combate o sexo não sabe do que fala. Para a Igreja Católica Apostólica Romana o sémen é vida, não são células do pai apenas. E os óvulos são vida, e não prolongamento biológico da mãe. Por isso, a Igreja Católica Apostólica Romana não era contra o aborto, mas contra a masturbação, o sexo não reprodutivo e o prazer.
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Quem é que é perverso, os amantes, o mundo ou os senhores da santa abstinência?
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Nota 1: Eu, cidadão de nome João Barbosa, sou contra o aborto por considerar tratar-se dum homicídio. Sémen é pai e óvulo é mãe, e óvulo fecundado é outra pessoa. Embora pareça, não é uma posição parecida com a da Igreja Católica Apostólica Romana, conforme expliquei acima.
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Nota 2: São batatas, senhor… o que está dentro dos preservativos.

segunda-feira, março 30, 2009

Celibato





















Sou o único monge duma ordem inexistente.
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Nota: Fiz promessa, e tudo... imaginem se fosse católico...

Bailado


















Sou bailarino de flamengo. O meu espectáculo sou eu e um queijo.
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Nota: É um erro comum confundir-se flamengo (relativo a Flandres) com flamenco (dança tradicional andaluza).

domingo, março 29, 2009

O jantar de 28 de Março de 2009

A mesa era para ter sido posta para uma só pessoa, a Susana Borges, a quem devia um jantar sem o que para si é escusado: carne vermelha. Eu que não sabia, andei a «envenena-la» vezes sem conta. Fui-me lembrando de mais gente fixe e fazendo convites. Consegui ter cá o João Braz, que é um cromo difícil de apanhar e um garfo Michelin. Acrescentei a Isabel Colher, que trouxe atarrachada a pequena Catarina, e o Pedro Sol, que é um catita recém conhecido (gostei dele). Convidados ausentes só a Mafalda Santos e a Ana Suspiro... malandras!
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Menos importante, porque o principal é o convívio com os amigos, mas inevitavelmente pronunciável é o que veio para a mesa. À laia de couvert vieram peixinhos da horta e cascas de batata fritas, acompanhadas por espumante Soalheiro Bruto.
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A entrada fez-se com cogumelos portobello com pesto e queijo chévre gratinados. Entrou em cena o vinho da noite, o Projectos Chardonnay 2004. Houve ainda uma salada de rúcula selvagem, passas, pinhões e pevides de abóbora, temperada com azeite Esporão (DOP Moura), vinagre balsâmico Fini (Modena) e flor de sal.
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O prato principal constituiu-se de frango com mostarda no forno e batatas cozidas passadas na frigideira.
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Para a sobremesa vieram requeijão («Seia»), doce de abóbora e ameixa de Elvas. Terminou com um gelado de frutos silvestres. A acompanhá-las sentou-se à mesa Dow's Midnight.

Perguntou-me o meu filho inexistente de dez anos


- Papai, a Britney Spears é uma actriz porno?
- Não, filho. É uma cantora porno.
- O que é isso?
- Faz música porno.
- Não é actriz, é cantora…
- Sim. É kinky!
- Kinky? O que é kinky?
- Esquisita. Não tem interesse... só mesmo de borla. Demasiado má para ser verdade...
- Má?!
- Mazona!... Kinky...
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Nota: Tem pinta de actriz porno. Há actrizes-modelos porno com melhor aspecto, menos ordinaronas.

Doutora





















- A minha filha já é doutora.
- Parabéns! Que estudou ela?
- Isso já não sei. Não percebo nada do que ela diz.




No Tabuleiro Da Baiana - João Gilberto
Perguntou-me o meu filho inexistente de treze anos:
- Papai, a Britney Spears é uma actriz porno?
- Não, filho. É uma cantora porno. Kinky!
- Kinky? Que é kinky?
- Quer dizer demasiado mau para ser verdade.

Para ela, aquela


Não lhe conheço voz nem rosto, mas era capaz de me apaixonar por ela se a conhecesse pessoalmente.
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Nota: Estou quase, quase, a dizer o nome dela, mas não o vou fazer. daqui por uns tempos já nem me lembro. E escusam de tentar os nomes das minhas ex-namoradas. Aviso já que não é nenhuma Rita, a menos que seja e eu não saiba.

Por ti, ia

Por ti ia a Londres ter uma Tate a Tate contigo…
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Nota: Sim, este quadro está na Tate Gallery.

Round round


O que as intelectuais têm em comum com as sopeiras é conseguirem dançar e divertir-se com coisas absolutamente pueris e divertidas, sem remorsos nem vergonhas.
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Nota: Dedico este texto a uma miúda que cá sei, mas que dentro algum tempo não me vou lembrar... mas não é sopeira.

Ganhar e perder




















Ganhar obriga a uma grande ansiedade, prolongamento de sofrimento. Perder logo tem o mérito de aliviar. Perder aos poucos é coisa de estúpidos.
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Nota 1: Portugal jogou ontem com a Suécia, precisava mesmo muito de ganhar e empatou, em casa. Não teria sido melhor escolher um vencedor para chefiar?!
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Nota 2: Na imagem está Carlos XI da Suécia.

Patético


- És mesmo pateta! Não te importas de fazer uma figura patética?!
- Não!
- Não?!
- Já a faço há tantos anos que seria patético deixar de a fazer.
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Nota: Ainda me lembro desta música nos Morangos com Açúcar... que estrondo! Que estória!

sábado, março 28, 2009

Como os palhaços.





















Sou como os palhaços! Alegre por fora e triste por dentro. Muito triste, muito alegre. Detesto palhaços. Detesto-me!
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Nota: Já aqui disse e agora repito: detesto palhaços e arlequins.

quinta-feira, março 26, 2009

Hei-de dar à costa

A vida não sabe o que há-de fazer comigo. Não tenho viabilidade. Não sei se te quero voltar a ver. Que me deixes. Ou se me ames e vás buscar o meu corpo cadáver à volta do mar. Estarei sempre sem ti.


Como um sonho acordado - Fausto

Os nossos corpos amantes e abandonados

Apesar de tudo tenho saudades tuas. Como se guardasse com agrado as dores que me deste. Há sempre este Sol tão forte, o estio, as searas loiras e as ervas babosas… E nós que não nos conhecemos no campo nem o desfrutámos… havíamos de ter estado lindos a fazer amor nas charnecas.


Ao Longo De Um Claro Rio De Ág - Né Ladeiras

Telepatia


Não sei o que te possa dizer. Nada sei de ti e tu descobriste-me ignorante e desejoso de te novamente saber. Percebi e adivinhei, porque em mim ainda há uma réstia de ti, um fio que vem da tua alma e se entrança na minha. Saber é saborear. O gosto da tua boca perdura e se fecho os olhos vejo-te como sempre. Não sei de ti, mas por ti, à noite, sei, que ainda me tens e eu tenho-te. Em sonhos. Acordado, os desejos não têm o mesmo sabor. Por ti não sei nada. Por ti sei. Saboreio-te quando me lembro.

A dormir





















Não sei se tenho sono ou se o sono me tem. Provavelmente, é a mesma coisa. Quando tenho sono não posso ter mais, e, muito menos, ter-te.

Cinco anos de duas gatas

















A Granita e a Lioz fazem hoje cinco anos. Vieram para cá depois dum susto-asneira muito grande. Hoje fazem felicidade diária. Gostava de saber arranhar a escrita e realidade como as minhas gatas arranham o que não devem. Eu tento fazer o que devo e elas não devem nada a ninguém. Devo-lhes muitas horas de risos e vários salvamentos de vida.

terça-feira, março 24, 2009

Três anos de Infotocopiável - Esta não será a última ceia - Ando aqui quase sozinho, comigo mesmo e mais uns quantos










São três, a conta que Deus fez, a que é de vez, a que se houve duas esta teve de ser. Houve uns tempos em que a coisa tremeu, que esteve para acabar, por vontade assassina do autor ou mera hipótese de desistência maior. São três anos e, com este, 1568 textos.
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O Infotocopiável começou por ser um caderninho para pôr imagens que considero bonitas e outras afinidades. Quis partilhar com os amigos e dei ao dedo para os pôr ao corrente. Depois, o sítio evoluiu para (quase) diário de textos, todos obrigatoriamente ilustrados. Todos os textos de autoria minha, sem plágios e com poucas e curtas citações conjunturais.
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Agradeço especialmente às musas inspiradoras: a realidade, a intimidade, a flor vermelha, a flor amarela, a flor verde, a flor lilás e a flor azul. Não posso deixar de referir ainda a quem me convenceu a ter um blogue (e que não me lembro quem foi, talvez o Turco), a quem me fez escrever e não apenas depositar textinhos e imagens, que achava interessantes mas sem fio condutor ou temática (a Calvin), e a quem me fez privilegiar a arte nas ilustrações que aplico (a Erva).
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Por aqui passaram com mais ou menos regularidade, proximidade e continuidade amigos, uns conhecidos, outros que se foram conhecendo, outros que só sei porque encaminham links e outros ainda que permanecem anónimos. Vou citar os que me lembro, à queima-roupa, espero não me esquecer de ninguém… se me esquecer, peço perdão, garanto que estão em espírito: a Carlinha, o Paulo Rosendo, o Nasser, a Gi, a Menina do Chá, a Soukha, a Alfacinha, a Moon Lover, a Ana Abrunhosa, a Taninos, a Tainha, a Lu, a Lídia Bulcão, a Mainstream Dancing Girl, a Ideias, a Ana Fonseca, a Tânia, o Grande, a Incógnita, o companheiro da Toupeira, o Leston Bandeira do Africandar e Romeiro, a malta da Doca dos Aflitos, o Mário Pedro, a Raquel Alão, a Mena, a Trinity, a Suntas, a Calvin e a Erva. Depois há aqueles que não são clientes do blogue, mas que estão ou estiveram aqui pendurados e que foram e são uma inspiração: a Beluga, o Fernando Gonçalves, o Valter Hugo Mãe + Stage Blood, as moças do Queridos Gatos, e o Eduardo Salavisa.
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Agradeço ainda a todos os irmãos brasileiros que diariamente aqui vêm à procura de sexo bísaro (bizarro), de vídeos de empalamento (não sabia que a prática se estendera até ao surgimento das imagens em movimento) e de desenhos do mapa-mundo para colorir. Há outras pesquisas reincidentes, mas estas acontecem todos os dias.
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Escrevo e ilustro não apenas para mim, mas também a quem me visita. Espero que este espaço (continue) a dar vontade de ler. Se não for interessante para quem escreve e para quem lê não servirá para nada. Somos poucos, mas somos os possíveis. Obrigado a todos.

segunda-feira, março 23, 2009

A inveja ou o desejo





















Um dia quero ser grande... ou pelo menos que alguém me leia.

O tempo e a arte














Os dias avaliam-se e distinguem-se pelo conteúdo, aí está a sua memória futura. Não são memoráveis pela virtude da sua posição na escala da caminhada das semanas e anos. Hoje é dia de véspera. Se todos os dias são vésperas, não seria mais lógico deixar de os classificar como tal. A arte não tem dias, é uma semi-recta, como o homem, com um princípio e sem fim.
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Nota: A ilustração é uma alegoria ao tempo e à arte.

domingo, março 22, 2009

Dentro de mim

Tenho um tenente ou um coronel SS a viver dentro de mim. Quando ele fala ou quer agir, há em mim, além da violência e frieza, uma vertigem suicidária. Porque a loucura das pessoas saudáveis pode coexistir na mesma pessoa com a loucura dos loucos. Não foram só desvairados que fizeram a guerra, também moderados se tomaram de furores. Em mim há muita gente, muitas vidas, uma vida que prefiro esquecer, uma morte que não me quero lembrar, uma vida que me recuso a viver e uma morte que seria melhor não antecipar. Ponho-me a pensar na vida, e sempre que o faço penso também na morte. Não posso pensar tanto, mas a vida só me dá de pensar. Vou acalmar o alemão e dar-lhe de beber, já volto.







Vejam Bem - Jose Afonso

Eu e elas





















Vivo amante preso das minhas namoradas, do passado e imaginárias. Não tenho vida, tenho-as a elas.


Ao Longo de Um Claro Rio de Á - Fausto Bordalo Dias

A dois dias

São estas coisas que me põe a pensar, não a ficar mais velho... ou a sentir como tal. Ainda não chegou, mas já faço contas. Tenho alguma ansiedade. Nesse dia vivia algumas esperanças, hoje vejo que continuo a viver em ruínas. Por essa altura tive uma conversa de saciar, hoje tenho um silêncio de quase morte. Dentro de dois dias vejo o que vou aqui escrever para celebrar o dia.
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Nota: Este quadro chama-se «Momento de ansiedade».


O Primeiro Dia - Sérgio Godinho

sábado, março 21, 2009

Separação

Não me recordo se manhã ou tarde, mas sei que me levou noites e madrugadas de pensamentos de dor. Eu com a cabeça cheia ouvia-te dizer o que calculava e não queria. Escutava-te no inacreditável fim. No teu colo pousei a cabeça e molhei-te com as primeiras lágrimas dos desgostos.
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Essas águas passaram, mas não passaram as dores dessas noites nem a incompreensão do fim. Tínhamos tudo para sermos até ao fim. Ao fim desta carne, porque em alma estaremos, cada um por si, unidos.
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Houve quem esperasse por nós. Desilusões vagamente violentas. Desilusões se sal no sangue, que me feriram e te pouparam. Porque só eu as pude ver e ouvir.
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Desde então, desde essa manhã ou tarde, de dores de noite e madrugada, que só tenho o sangue a revoltar-se nas veias e as lágrimas no pensamento. Certamente um dia faremos contas, mas, digo-te já, que te perdoo.


Estrela Da Tarde - Carlos Do Carmo