digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Inteira

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Inteira, pode fazer-se dos seus opostos; ser. Escrever é divertido como gastar dinheiro. Escrever é chato como poupar dinheiro. Mudar de vida e mergulhar apaixonadamente na relação.

Ainda perdidos

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Já sou crescido para te esquecer. Já és crescida para me perdoares. Já quase temos uma vida para cada um. Tens um esconderijo, tenho uma praça. Já sou crescido para te perdoar. Já és crescida para me esqueceres. Contudo, ainda perdidos.

Ainda perdidos


Já sou crescido para te esquecer. Já és crescida para me perdoares. Já quase temos uma vida para cada um. Tens um esconderijo, tenho uma praça. Já sou crescido para te perdoar. Já és crescida para me esquecer. Contudo, ainda perdidos.

Hasta siempre... Viva!

Foi-se embora. Foi-se. A ilha adiada. Contudo a música. A música e o fumo, a saudade. Não de antes, mas da esperança.
As revoluções têm poesia verde e vermelha, e uma esperança azul; juventude e emoção.
Foi-se. Na ilha adiada cantam-se ainda as velhas canções. Da esperança. Nasce uma nova, ainda sem a poesia, mas dum horizonte. Azul e no fim do mar.
Não da Florida, mas azul. Qualquer coisa de mais decente. As velhas canções e o fumo. Um vento novo num compasso de espera, mas já a esperança.
Depois do sol da terra se pôr, os amanhãs que cantam são outros. Um dia virá com mais Sol à ilha adiada. Por agora as cores de sempre e o feliz orgulho. Há ainda as velhas canções e os mitos. Um dia mais decente irá raiar. Agora resta esperar.


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O Fidel Castro foi-se embora... Viva!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Amor

O meu amor por ti está a recibos verdes: frágil e instável, mas vai durando. Até ver.

Mergulhar

É neste tempo de melancolia que procuro a saída no abismo. A quietude mole dos dias afoga os minutos que não passam. Mergulho então nesse pântano e vou, como a água pelo ralo, para um outro lado qualquer. A quietude mole dos dias é um lago donde só se sai quando se mergulha. Neste tempo de melancolia não resta senão mergulhar.

Premonição

Outro dia qualquer namoro contigo. Outro dia qualquer. Só isso me prende a ti. A certeza do futuro é a incerteza de hoje. Porém, sei. Não é promessa, é premonição.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

As ninfas

Sonho de morte! Quem és tu? Quem desejo? Vejo esfumados os rostos e os corpos e ao aproximar-me todos se desvanessem e nova ilusão me encanta.
Será a Sandra Shine ou a Luna Lane? Gostaria que fosse a Swan ou Georgia Jones ou a Eva Roberts.
Para ser sincero, não sei se é morena, mas vejo-as como a Aliona, a Raven Riley, a Anetta Keys, a Vicky Vane, a Trixie Teen ou a Taylor Rain.
Eventualmente como a Violet Blue.
A Kyla Cole, não me parece, mas nunca se sabe. O mesmo para a Nikki Nevada, que agora se chama Ashley Brooks... sim, a loira. A Pamela Anderson é que não, não mesmo. E os olhos da Tania Russof não me incomodam nem seduzem.
Ah! Mas ainda pode ser a Natasha, a XXX Raimi e a Orsolya. Não sei quem está ali e me foge. Uma haverá de ser. Depois acordarei.

Nota: Fui à net e pesquisei... as actrizes (!) porno têm nomes muito fixes.

A três

Haverá nas relações a três sem ciúmes? Ou um só ciúme sem princípio nem fim? Um ciúme por cada são seis ciúmes: coisa para muitas alianças, amuos e chantagens. O do meio, o Casanova. O das pontas, Napoleão e César.
Tudo homens. Tudo mulheres. Mas nunca mulheres e homem ou homens e mulheres. E todos pessoas iguais. Outra coisa seria coisa diferente; seria o fim da teoria dos ciúmes simétricos e homogéneos.
Enfim, encolho os ombros e penso noutra coisa. Há dias assim, sem nada mais para pensar.

Como um cadáver-esquisito

É longa a comitiva e não serve para nada. Cartago era poderosa e invencível, o que não serviu de muito ao encontrar-se com Roma. Ando a sonhar com chuva. Um dia talvez não me levante, devido à paralisia asna das minhas pernas e ausência de objectivo na vida.

Aflição

Não sei por que te vejo aqui, se me deixaste ali. Era noite. Estava escuro. Foi uma noite de azáfama e aflição.
Tudo o que escrevi desapareceu. Talvez não fosse para se ler. Talvez tenha servido para lembrar o sonho, complexo, longo e variado. Só a noite, a chuva e a paralisia asna das minhas pernas. Não sei onde entrava, mas estava lá. E a minha mãe também.
Desapareceu o que escrevi e não sei como entraste no sonho tão aflitivo, por causa das minhas pernas a recusarem-se a andar. Não sei. Não sei por que te vejo aqui, se me deixaste ali. Nem sei o que fizeste neste sonho.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Cabo do corpo





















Mexe o pé. Pontapé. A caminho. A pé é que se vai. Dança. O pé leva comigo, é o meu melhor amigo e a minha maior vítima. O pé leva-me. Vou fácil, Maria vai com as outras.

Pé direito a mexer

Pé esquerdo a mexer

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Depois da terra

Depois da terra, o nascimento. Ao fundo a árvore e o odor castanho-verde. É como se fosse manhã. Pela floresta, o caminho. Pelo ribeiro, a esperança. Um vento fresco a arrebitar o corpo. As primeiras palavras, o dia primeiro a nascer. Depois da terra.

Depois da claridade

Depois da claridade, o silêncio cortado. Ao fundo o rio e a ponte imaginada. É como se fosse domingo. Pelo chão, os sapatos. Pelo ar, a cabeça. Um vento morno a empurrar colina abaixo. Os primeiro piares, o céu a revelar-se. Depois da claridade.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Gares

Não há identidade no metro. Os comboios e as estações sugam os rostos e as almas estão sós e por sua conta. A sujidade do chão não será mais limpa que muitos pensamentos e nas armaduras férreas do tecto alto cabem pombos e anjos. A cúpula cilíndrica do metro não é tão bela, mas tem os mesmos passos apressados e as esperas ansiosas. A correr para não ficar.
Não há identidade no metro. Os comboios e as estações sugam os rostos e as almas estão sós e por sua conta. A sujidade do chão não será mais limpa que muitos pensamentos e nas armaduras férreas do tecto alto cabem pombos e anjos. A cúpula cilíndrica do metro não é tão bela, mas tem os mesmo passos apressados e as esperas ansiosas. A correr para não ficar.

A mulher errada





















Então, não posso gostar da mulher errada? O erro da mulher errada é não gostar de mim. Bendita são as horas em que não partilho a minha solidão. O que seria dela se a partilhasse com esta mulher desejada.

Depois do segundo café

Além do sabor intenso e do aroma penetrante. As iguarias lêem-se. Sentem-se com Champanhe. Ilustram-se com arte.
Diariamente, a coisa não engorda. Expande o horizonte e transporta-nos para um qualquer sítio onde apetece estar à conversa, como um jardim emoldurado por jardim. Boucher o poderia ter pintado.
Depois há o resto. Há vida além das ovas. Humor e invasões de fantasia pela a realidade quotidiana. Gosto. Gosta-se. Será fácil gostar? Importa gostar.
Jardim de Boucher com unicórnios, anjos, Nossas Senhores e Calvários. Peregrinação sem vício. Diariamente como o café da manhã e o jornal que suja os dedos e pesa nas mãos. Depois do trânsito e antes da entediante realidade num sítio arrumado. Só falha quando falha, alguns dias, poucos, do ano solar.
Luz do Sol e repouso de tudo o resto que não importa. De tudo o resto que importa ao dia-a-dia. Sítio belo. Não mulher nua deitada, mas mulher-peixe sábia. Sabedoria de água profunda trazida à claridade.
Há ainda o Van Gogh, obrigatório, mas dispensável. Um defeito que ajuda a perspicácia, pimenta nos dias. Falta-lhe Hopper, paciência: não há rio sem pedras.

A sapiência de peixe esquisito lê-se aqui.




Nota: este texto é dedicado à Beluga, que me anima as manhãs com seus textos no «o belogue», cuja qualidade foi reconhecida na L+Arte de Fevereiro.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Arlequim

O meu pai pintou um Arlequim. Pintou mais, mas lembro-me só dum. A culpa é do Cézanne e do Picasso.
Nunca lhe disse que não gosto de Arlequins. Não gosto de Arlequins nem de palhaços. Não gosto de circo. Se algum dia ansiei por palhaços era porque desatinava com tudo o resto.
Um dia ainda digo ao meu pai que aquele quadro me leva para um país de maravilhas e angústias. Para uma infâncil difícil e solitária.
Nem Carnaval nem Quaresma. A proximidade das datas aborrece-me, entedia-me. Detesto o Carnaval e a Quaresma, como abomino Arlequins e palhaços.
Não quero perceber.

Nota: Hoje em Sesimbra concentraram-se três mil palhaços. Queriam que fosse o maior ajuntamento do mundo. Não bastava ser Carnaval e depois vir a Quaresma?

O Arlequim angustiante

O meu pai pintou um Arlequim. Pintou mais, mas lembro só dum. O meu pai pintou um Arlequim que me deixava triste. Nele entrava numa terra de tristeza, num país das maravilhas e insegurança.

Nunca lhe perguntei por que pintou um Arlequim, mas talvez ainda o faça. Nunca lhe disse que não gosto do quadro nem de Arlequins. Não gosto de Arlequins como não gosto de palhaços.
Não gosto de palhaços como não gosto de circo. Se dantes preferia os palhaços no circo era apenas porque me enfastiava tudo o resto. Náuseas, angústias, divórcio, pudor, suores e tantas outras palavras que não sei usar.

Nem Carnaval nem Quaresma. Sinto um sismo por sentir tão próximos tempos de tantas festas. Não quero perceber.

Revolucionarismo

O revolucionário não tem limites.

Abertura

Partir é difícil. Voltar é mais ainda. Quando se não sabe por que se vai também não se sabe por que se volta.
As relações um dia acabam - dizem. Os amores finam. Há amores defuntos sem toque de finados. Há mortos-vivos, lobisomens, dráculas, ventríloquos e invejosos. Há mares serenos e lençóis revoltos.

Porquê? Não sei. Não sei mesmo. Não quero pensar. Não me apetece pensar. Já fui longe demais. Não saio da mesma, como um viciado. Por que fui? Não sei. Não sei, não sei.

Vai-se como se tivesse deixado ir, sem resistência nem obstáculo. Volta-se pelas mesmas razões. Não sei o que faça. Não sabia o que fazia.


Partir é difícil. Voltar é mais ainda. Quando se não sabe por que se vai também não se sabe por que se volta.

As relações um dia acabam - dizem. Os amores finam. Há amores defuntos sem toque de finados. Há mortos-vivos, lobisomens, dráculas, ventríloquos e invejosos. Há mares serenos e lençóis revoltos.

Porquê? Não sei. Não sei mesmo. Não quero pensar. Não me apetece pensar. Já fui longe demais. Não saio da mesma, como um viciado. Por que fui? Não sei. Não sei, não sei.

Vai-se como se tivesse deixado ir, sem resistência nem obstáculo. Volta-se pelas mesmas razões. Não sei o que faça. Não sabia o que fazia.

A – à. B – bê. A-B-Erto. Reaberto. Tudo explicado





















Um coelho fugiu do Paraíso e não cheguei a encontrar a porta. Não o pude seguir. Não estava nem para cá nem para lá da porta.
Nem para dentro nem para fora sentia a felicidade de estar fechado. Nem de estar aberto. Entre uma coisa e outra estava uma porta entreaberta; ou fechada com uma janela aberta.
Os coelhos podem ser agarrados pelas orelhas, é essa a grande vantagem de as ter. Mãos pequenas podem escrever coisas grandes, além de segurar coelhos. Não digo que sejam grandes as palavras, mas justas e medidas. Nem sempre bem.
À falta de melhor ideia e ilustrativa imagem para as ausências, defeitos, contra-sensos e revisões, fica o coelho solto e fugido do Paraíso. Se bem que não saiba onde está, sei que andará por aí devido à falta de predadores. O coelho raramente sabe o que diz e partilha tudo o que sabe.
Não o pude seguir. Passou de lá para cá da porta. De que serve uma porta se não pode fechar ou deter? De que serve uma porta fechada com uma janela aberta?
Não por distracção, amuo ou depressão se fechara a porta. Não por vontade séria, reconciliação ou nova alegria se abriu. Quando não faz sentido o fecho talvez faça a abertura.
Reabriu-se então, visto estar cá fora o coelho que ninguém viu. Provavelmente ninguém o verá. À falta de melhor ideia e imagem serve o coelho. À falta de senso ou significado serve o coelho.